domingo, 10 de novembro de 2013

POLÍCIA INVESTIGA DENÚNCIA DE QUE PR CONTRATAVA MANIFESTANTES PARA SE INFILTRAR EM MANIFESTAÇÕES

No mês passado, vereadores ligados ao grupo do deputado Garotinho em Campos acusaram a presença de "forasteiros"nos protestos contra o governo Rosinha em Campos. Eles sabiam o que estavam falando, porque segundo matéria publicada na edição impressa de O Globo de hoje (página 25), grupos de outros estados teria recebido pagamento de militante do PR para se infiltrar nas manifestações na capital. A matéria é ilustrada por uma foto do deputado estadual Geraldo Pudim (PR) com Naty, assessor lotado no Gabinete de Pudim na Alerj mostrado em outra fotografia durante um protesto.


Veja abaixo a edição on line de O Globo (aqui)

Polícia investiga participação de ativistas ‘profissionais’ em atos

  • Grupo vindo de outros estados teria recebido pagamento de militante do PR para se infiltrar em manifestações
Carla Rocha 
Sérgio Ramalho  
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Ligado a Garotinho, Nayt vem tendo atuação intensa nos bastidores dos protestos Foto: O Globo / Reprodução






Ligado a Garotinho, Nayt vem tendo atuação intensa nos bastidores dos protestos O Globo / Reprodução
RIO — Uma investigação da Polícia Civil pode fazer cair algumas máscaras que tomaram as ruas da cidade. Iniciado há cinco meses, o levantamento indica que pessoas teriam sido recrutadas, inclusive fora do estado, para atuar em atos como o Ocupa Cabral e o Ocupa Câmara. Para isso, teriam recebido dinheiro, alimentação e transporte. Pelo menos seis desses ativistas desembarcaram no Rio ano passado, vindos de estados do Norte e do Nordeste. O grupo teria se infiltrado, inicialmente, em entidades de direitos civis e outras ONGs. A partir de junho deste ano, quando começou a onda de protestos, passou também a atuar nas manifestações. Alguns nomes já aparecem vinculados a partidos políticos, como o PR.
O caso é tratado sob sigilo pelo Departamento Geral de Polícia Especializada, e a preocupação é reunir evidências suficientes antes de avançar sobre os suspeitos, para não alimentar a ideia de uma contraofensiva, também de natureza partidária. O trabalho reúne equipes de policiais da Coordenadoria de Informações e Inteligência (Cinpol) e da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Os depoimentos prestados e as apreensões feitas nos últimos meses, inclusive de computadores de pessoas detidas durante e após manifestações violentas, dão sustentação à investigação. Até agora, já são 349 detidos, dos quais 116 foram autuados em flagrante por porte de explosivos, desacato, desobediência, agressão e ameaça, além de danos ao patrimônio público e privado.
Atuação nos bastidores
As informações, no entanto, apontam para um personagem do PR, que nunca foi detido, mas que vem tendo atuação intensa nos bastidores dos protestos e só recentemente foi identificado pelos policiais. É Sebastião Rodrigues Machado Júnior, até pouco tempo só mencionado em informes como Nayt, seu apelido. Ligado ao ex-governador Anthony Garotinho, ele é lotado, desde janeiro deste ano, no gabinete do deputado estadual Geraldo Pudim (PR), no cargo de assessor parlamentar. É aliado de primeira hora desde que o grupo de Garotinho era do PMDB. Quando Clarissa Garotinho era presidente da Juventude do PMDB, Nayt foi presidente da Executiva Provisória do PMDB Afrobrasileiro. Procurado pelo GLOBO, ele não foi encontrado.
Nayt, que seguiu o grupo de Garotinho na migração para o PR, aparece em fotografias ao lado do ex-governador e de aliados políticos, entre eles Fernando Peregrino, Geraldo Pudim, Rosinha e Clarissa Garotinho. Peregrino e Pudim não retornaram as ligações para comentar a denúncia. Já a deputada Clarissa Garotinho negou que tenha havido incitação do partido para levar manifestantes para os protestos. Ela disse que já esteve em protestos como cidadã, assim como fizeram integrantes do PSOL, PT e PV.
Nayt já teve problemas com a polícia e foi indiciado duas vezes por estelionato. O assessor é acusado de passar cheques sem fundos e de ameaçar uma das vítimas, que recorreu à polícia. Em depoimento, ela ressaltou que Nayt se identificou como policial e matador.
O monitoramento feito pela Polícia Civil sobre a atuação dos manifestantes ligados ao esquema capitaneado por Nayt revela um lado pouco ideológico, inclusive com informes sobre o pagamento de R$ 450 a algumas das pessoas que participaram dos protestos.
O assessor aparece nas investigações como o suposto elo com alguns dos ativistas do Ocupa Cabral, que acamparam por 52 dias no trecho da Avenida Delfim Moreira com a Rua Aristides Espínola, no Leblon. O principal interlocutor de Nayt entre os manifestantes seria Jair Seixas Rodrigues, mais conhecido como Baiano. Nascido em Salvador, com ensino médio incompleto, ele figura entre os seis manifestantes que desembarcaram na cidade no ano anterior ao início das passeatas.
Baiano era uma das figuras centrais do Ocupa Cabral, onde foi preso pela primeira vez em julho passado, sob a acusação de depredar patrimônio público — no caso, uma patrulha da PM atingida por pedras. Depois do episódio, ele voltou a ser preso outras seis vezes por desacato, desobediência, agressão e, por fim, acusado de ter ateado fogo a um ônibus na Avenida Rio Branco, durante distúrbios iniciados ao fim de manifestações pacíficas.
Endereços diferentes
Nas sete vezes em que foi preso pela PM, Baiano se identificou como integrante da Frente Internacionalista dos Sem Teto (Fist). Contudo, nos registros de ocorrência, nas três delegacias por onde passou, ele forneceu diferentes endereços residenciais. Um deles em Salvador e outro no Morro Chapéu Mangueira, no Leme.
As investigações da Polícia Civil descobriram que Baiano e outros cinco manifestantes vindos de estados do Norte e do Nordeste entraram com pedidos de novas carteiras de identidade no estado. O documento de Baiano, por exemplo, foi emitido em julho passado pelo Instituto Félix Pacheco. Ele agora está numa das unidades do complexo penitenciário de Gericinó.
A polícia ainda não sabe o que motivou o grupo a solicitar os novos documentos. Um levantamento nos estados de origem dos investigados está sendo realizado com o intuito de descobrir se as informações repassadas ao IFP correspondem à realidade e, sobretudo, se eles adotaram a estratégia para encobrir possíveis históricos de crimes.

Militante diz que foi aliciado para organizar manifestações no Rio

  • Ele conta que recebeu R$ 2 mil para pagar despesas de 15 pessoas
Carla Rocha 
Sérgio Ramalho 
Publicado:




Anderson, que denunciou o aliciamento: “Estou cumprindo o meu papel de cidadão”
Foto: Agência O Globo / Custódio Coimbra



Anderson, que denunciou o aliciamento: “Estou cumprindo o meu papel de cidadão” Agência O Globo / Custódio Coimbra
RIO — O trabalho da polícia, que investiga a atuação de ativistas profissionais em protestos como o Ocupa Cabral e Ocupa Câmara, poderá receber uma contribuição de peso vinda da Baixada Fluminense. Com o objetivo de revelar o que acontecia nos bastidores dos protestos, o autônomo Anderson Harry Grutzmacher tomou a decisão de se infiltrar na organização do PR. A história que ele conta, amparada pela gravação de conversas feitas por meio do seu celular, coincide com as suspeitas levantadas no decorrer da investigação.
De acordo com o denunciante, Peregrino não se empolgou, porque tinha como alvo principal Sérgio Cabral. No áudio, o secretário-geral escuta Anderson falar, assente algumas vezes e pergunta sobre a experiência dele. O autônomo responde que cuidará de tudo. Quando foi encaminhado a Peregrino, o próprio Sancler, segundo o denunciante, o teria orientado a solicitar, além de ajuda material com transporte e alimentação, uma contrapartida qualquer, que seria de praxe. Seguindo a suposta orientação, o denunciante pediu a interferência de Peregrino numa licitação para a compra de remédios no município de Campos, sob o pretexto de que seria ligado a um grupo interessado no negócio. Ao fim da conversa, o secretário-geral diz que tem um amigo, mas que precisa de mais detalhes para analisar o pedido de Anderson. Procurado, Sancler não foi localizado.
De acordo com Anderson, ele foi informado de que seria filiado ao PR, mas acredita que, ao se afastar do partido, foi desfiliado. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o autônomo não consta como integrante ao PR. O órgão informou que não controla a relação de filiados e que cabe aos partidos mantê-la atualizada.
— Entrei para participar da militância por ideologia, porque queria mudar a situação do Rio. Quando houve a aproximação, vi que tinha muito mais coisas por trás e resolvi denunciar. Sei que posso sofrer perseguições, mas estou cumprindo o meu papel de cidadão — afirma Anderson.
O denunciante diz ter recebido R$ 2 mil para pagar alimentação e transporte para cerca de 15 pessoas que levou para manifestações. No dia 7 de setembro, garante ter recebido uma ligação da deputada Clarissa Garotinho (PR), sugerindo que ele conduzisse o grupo para o Palácio Guanabara. Anderson diz que se recusou, alegando que o clima estava tenso.
O denunciante contou ainda que, durante o período no PR, teve contato com Nayt, com quem esteve no partido e se encontrou em manifestações e no Ocupa Cabral, no Leblon. Lá, diz Anderson, Nayt apenas passava, mas parecia ter relação de proximidade com Baiano.

2 comentários:

Angi disse...

Que a verdade apareça inteira e seja a impunidade extinta!!!

Debora Curvelo disse...

Vamos ser lógicos, é muito estranho o mesmo cara aparecer em varios lugares. Isso tem que ser apurado.