quinta-feira, 6 de junho de 2013

REFORMA DE ROSINHA FORTALECE FUNDAÇÃO OSWALDO LIMA


Patrícia e Rosinha em visita ao Museu de Campos (Secom/PMCG)






O jornalista e professor Orávio de Campos Soares é o novo superintendente de Cultura e Preservação do Patrimônio Histórico, órgão criado pela lei 8.355/2013, portanto posterior à reforma administrativa promovida com a lei 8.344/13.
Tinham esquecido da Cultura... (veja aqui).

Além de Orávio, que era secretário Municipal de Cultura, a reforma da prefeita Rosinha Garotinho também mudou o status de outros dois integrantes do primeiro escalão que deixaram de ser secretários (DAS-1) para serem superintendentes (DAS-2). João Vicente Alvarenga, titular da extinta Fundação Municipal Trianon é agora superintendente do Teatro Municipal Trianon, e Jorge Luiz Pereira dos Santos, atual superintendente da Igualdade Social era o presidente da Fundação Zumbi dos Palmares, igualmente extinta.

As três superintendências são subordinadas à Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, que continua presidida por Patrícia Cordeiro que está com o prestígio ( e bota prestígio nisso!!!) em alta com a prefeita Rosinha.

ALÉM DE FANTASMA, LARANJAS


Mônica Lima Barbosa (centro), esposa de Fernando Trabach (à direita), também deve explicações à polícia
Mônica Lima Barbosa (centro), esposa de Fernando Trabach (à direita), também deve explicações à polícia Foto: Divulgação Polícia Civil /Agência O Globo

Do Extra de hoje (aqui). Na versão impressa a matéria está na página 12.






Além de fantasma, empresário usa parentes
como laranjas em 18 empreendimentos

Rafael Soares


Fernando Trabach não usava só o "fantasma" George Augusto Pereira como laranja de suas empresas. Em pelos menos 18 empreendimentos, Trabach nomeou parentes como sócios. Jacira Trabach Pimenta, uma senhora de 69 anos, mãe do empresário, é dona de seis empresas. Mônica Lima Barbosa, 40 anos, tem em seu nome 12 empreendimentos. Já Fernando Trabach Filho, 20 anos, é sócio de Mônica em quatro. Todos já foram chamados para depor na Delegacia Fazendária (DelFaz).
A própria GAP Comércio e Serviços Especiais, que estava em nome de George até maio de 2012, foi vendida por R$ 100 mil para a mãe do empresário e Henrique Itamar Schimidt, frentista de um dos postos de gasolina de Trabach. Na ocasião, o capital social da GAP chegava a R$ 8 milhões. A empresa, entretanto, não foi a única a passar de George para as mãos da família Trabach: o Auto Posto Estrela da Serra, em Caxias, avaliado em R$ 65 mil, foi vendido para o frentista e para a mulher do empresário em 2009.
Em seu nome, Trabach só tem duas empresas: um posto de gasolina em Água Santa e a F. Trabach Empreendimentos e Participações, avaliados em R$ 500 mil. Para a polícia, a estratégia tem somente um objetivo: esconder a origem ilícita do dinheiro acumulado pelas empresas.
- O fantasma e os laranjas eram usados com o mesmo objetivo: irrigar empresas com dinheiro proveniente de ilicitudes. Quando Trabach viu que o fantasma seria descoberto, passou as empresas para a família - explica a delegada Izabela Santoni, responsável pela investigação.



Apartamento no Golden Green foi bloqueado por determinação da Justiça
Apartamento no Golden Green foi bloqueado por determinação da Justiça Foto: Bruno Gonzalez / Agência O Globo

A Justiça determinou, ontem, o bloqueio do apartamento em nome de George onde mora Trabach com sua família, no condomínio Golden Green, na Barra. O pedido do bloqueio foi feito pela delegada, para que Trabach, que nega ter qualquer relação com o nome George Augusto Pereira, passe o imóvel, avaliado em R$ 3 milhões, para seu nome.
O advogado Márcio Delambert, que defende Trabach, só vai se pronunciar após ter acesso aos autos do inquérito.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

MODUS OPERANDI




Na esteira das investigações das estripulias do fantasma da GAP, não será surpresa se outras materializações metafísicas baixarem no terreiro dos malfeitos da planície goitacá em forma de sócios de empreiteiras e fornecedores.
Orações, velas e vibrações devem ser direcionadas ao antigo Cesec.
Caixas de Rivotril também são bem-vindas. 

NEM UMA NEM OUTRA. AS DUAS.

                                                                                                                                             Fotos: Ricardo André Vasconcelos - 01/06/2013



No sábado passado,  baseado no confuso texto do decreto 114/2013, da prefeita Rosinha e publicado no D.O., este Blog equivocou-se duas vezes (no texto original e na retificação) sobre a localização da estação do futuro aeromóvel em frente ao Shopping 28 (aqui).
Ontem à noite, Christiano Abreu,  em seu sempre esclarecedor "Ponto de Vista (aqui), elucidou o obscuro decreto: a área declarada de utilidade pública para fins de desapropriação na verdade, abrange tanto o terreno da antiga Vasa (de propriedade do Grupo Barcelos) quanto o da Campos Neon, indo do lado do Hotel Confort até a esquina com Manoel Teodoro, em frente ao Sunset.




A Estação 28 de Março

O decreto publicado pela Prefeitura de Campos, na véspera do último feriado, tornou de utilidade pública várias áreas da cidade, com fins de desapropriação, para abrigar as estações do futuro aeromóvel.  A previsão inicial é que seriam criadas duas estações na região mais nobre da cidade, uma delas em frente ao Shopping Avenida 28.
Para receber esta estação, uma área de 3.180,83 m² será desapropriada, na Avenida 28 de Março, em frente ao Shopping 28. Como o edital não é claro, houve uma certa confusão se ela seria do terreno da antiga Vasa, que pertence aos donos do Superbom, ou do terreno da esquina com a rua Manoel Teodoro, de propriedade da Campos Neon.
Na verdade, a área que será desapropriada engloba os dois terrenos. Ela fica entre o Hotel Comfort e a rua Manoel Teodoro, com 153,09 metros de frente e 20,14 de profundidade. Exatamente o filé mignon dos dois terrenos, que perderão a frente para a Avenida 28 de Março e a esquina.
A área é muito nobre e certamente os proprietários dos imóveis terão prejuízos, pois ainda que se pague o valor de mercado, o que não é certo e nem provável em uma desapropriação, as áreas perderão frente e valor. Mas, a coletividade sempre deve estar acima da individualidade.
Os proprietários também não podem se queixar de falta de oportunidades. Não foram poucas as sondagens de grupos interessados em empreender ali nestes anos. Nada aconteceu e os terrenos sempre foram subutilizados. É como diz o técnico Muricy Ramalho: “a bola pune”.

"INTERINO" É ESPADA SOBRE AS CABEÇAS DOS SECRETÁRIOS

O expediente mais comum usado pelos "donos" do poder para manter a fidelidade de seus colaboradores é a ameaça de destituí-los dos cargos que ocupam a qualquer hora, como aliás é da natureza dos chamados "cargos em comissão", que são secretários municipais, de estado, ministros e outros nas três esferas públicas.
A prefeita Rosinha, inovadora, consignou a ameaça no Diário Oficial de ontem (páginas de a1 a 7) quando fez publicar as portarias de nomeação dos ocupantes dos cargos comissionados de seu governo e optou ou dividir os auxiliares em duas categorias: "nomear para exercer o cargo em comissão de secretário..." e "nomear para exercer interinamente o cargo em comissão de .."
Ou seja, mesmo alguns que foram mantidos nos cargos antes da reforma (lei 8.344/13), passaram à condição de interinos. Há hoje, pois, duas categorias de colaboradores no governo municipal, os efetivos e os interinos.
Ao Blog do Alexandre Bastos (aqui) o secretário (efetivo) de Governo, Suledil Bernardino confirma que os interinos poderão ser substituídos para, por exemplo, serem candidatos às próximas eleições, mesmo que da  lista não conste ninguém cotado para disputar as eleições de 2014 que, como se sabe, os cargos em disputa são: deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República.
É ameaça e mais nada!

Veja a matéria do Bastos:


Suledil fala sobre os secretários interinos

De acordo com o secretário de Governo, Suledil Bernardino, os secretários “interinos” poderão ser substituídos. “Para sair candidato a prefeito é preciso uma decisão política, o voto dado ao candidato é um ato político e qualquer administração publica é precedida pela política. Então, não é nada demais compor o governo com entendimento com a Câmara e os partidos da base, que é o que estamos fazendo”, disse o secretário em entrevista à Folha.
Abaixo, uma lista com os interinos:
Joilza Rangel é a A secretaria interina de Educação, Cultura e Esportes. 
Zacarias Albuquerque é o secretário interino de Limpeza Pública, Praças e Jardins.
Jivago Faria é o presidente interino da Codemca.
Izaura Freire é a secretária interina da Família e Assistência Social.
Geraldo Venâncio é o secretário interino de Saúde.
Sérgio Cunha é o secretário interino de Comunicação.
Igor Gomes de Azevedo é o presidente interino da Campos Luz. 
A matéria completa pode ser lida aqui

ADMARDO GAMA GANHA FESTA AMANHÃ NOS SEUS 95 ANOS




O ex-vereador por quatro mandatos, Admardo de Azevedo Gama, um dos pioneiros do setor ceramista da Baixada Campista, completa amanhã 95 anos de idade e ganhou moção de congratulações, por unanimidade, da Câmara Municipal de Campos. O autor foi o vereador Nildo Cardoso (PMDB), com apoio de diversos vereadores.
Um dos mais ativos e longevos líderes da Baixada Campista, Admardo Gama sempre foi respeitado pelo jeito sincero de fazer política, motivo pelo qual sua casa, em São Sebastião, é ponto de uma verdadeira romaria de afilhados e admiradores para festejar seus aniversários.
 Se não me falha a memória, o último mandato de Admardo foi de 1989 a 1992 e, na condição de vereador mais antigo, foi ele quem presidiu a sessão que, em 01/01/1989, empossou Anthony Garotinho como prefeito pela primeira vez.

terça-feira, 4 de junho de 2013

PARA GAROTINHO REPÓRTER DA ÉPOCA É "BOBINHO"!

Do Blog do Garotinho (aqui):



04/06/2013 21:08


A revista Época, das Organizações Globo, cumprindo fielmente o script traçado por Sérgio Cabral através das agências FSB e Prole, que ganham milhões do governo do Estado, volta a me atacar no dia de hoje. Utilizam mais uma vez o fraquíssimo repórter Hudson Corrêa. Depois de uma matéria cheia de insinuações sem nenhuma prova, o arremedo de repórter ainda procura esconder dos leitores que a empresa GAP fez negócios com Estado, inclusive a própria Polícia Civil. Para ele o fantasma que dirige a GAP é amigo só da família Garotinho. Claro, é essa a orientação que ele recebe dos jornalistas contratados pelas agências de publicidade referidas acima, para me atacar. O bobinho do Hudson, repórter da Época, ainda deixa sete perguntas para que eu caia na sua armadilha de responder no meu blog.

Caro Hudson, vou responder é na sua revista, na Época, através de ação judicial que já estou movendo. Aliás, vocês da InfoGlobo já viraram fregueses de carteirinha de me pagarem indenizações por inventarem notícias contra mim. Só que desta vez meus advogados me orientaram diferente, processar civil e criminalmente, além do veículo, o próprio autor da matéria, se bem que esta aí quem escreveu para você foi a turma do Palácio Guanabara. 

CÂMARA APROVA ANO DE WILSON BATISTA



A Câmara aprovou hoje, por maioria, a transformação da Emut (Empresa Municipal de Trânsito) em autarquia , o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT). Os quatro vereadores da oposição Nildo Cardoso, Marcão Gomes, Fred Machado e Rafael Diniz, se abstiveram.
Foi aprovado também o projeto de lei dedicando o ano de 2013 ao centenário de nascimento do compositor campista Wilson Batista.

AUXILIADORA VOTA CONTRA COM CONVICÇÃO E CONSCIÊNCIA



Para a vereadora Auxiliadora Freitas (PHS), os vereadores e o Executivo estão preocupados com a situação dos contratos da GAP, mas garante que a licitação foi feita de maneira correta, tanto que todos os atos foram aprovados pelo Tribunal de Contas. Mas defende que o caso da falsificação seja apurada pela Polícia Federal e a Prefeitura está, segundo ela, "fazendo todas as sindicâncias para apurar os fatos".
Mas votou contra "com toda a convicção" porque a prefeitura está investigando com "toda a isenção".

Tudo bem professora, mas se os vereadores foram eleitos e são pagos para fiscalizar o Poder Executivo, porque abrir mão da prerrogativa a ainda ficar com a consciência tranquila?

DINIZ COBRA COERÊNCIA

O vereador Rafael Diniz (PPS) disse que é uma incoerência do governo falar em transparência e não aprovar o requerimento de informações para dirimir as dúvidas sobre os contratos que estão sob suspeita.

GAP SÓ FALA EM SESSÃO ESPÍRITA. NA CÂMARA NÃO




A maioria derrotou com apenas quatro votos favoráveis o pedido de informações sobre a GAP e a sessão especial para ouvir os envolvidos.
Sem surpresa.

HIRANO PEDE VOTO CONTRA AO PEDIDO DE INFORMAÇÕES

Devido à falta de argumentos, o líder do governo gastou menos de cinco minutos para encaminhar o voto não ao pedido de informações e da sessão especial para ouvir os envolvidos no caso GAP.
Ora, se é questão de honra investigar, caro vereador, que se abra a caixa preta.
Se o governo não tem culpa ou conivência com o malfeito da GAP então mostre os contratos e deixe que sejam ouvidos os envolvidos.

Neste momento, começa a cantilena dos liderados em apartes que repetem, ad nauseam, os mesmos argumentos.

HIRANO COMEÇA A DEFESA DO GOVERNO



O líder do governo da Câmara, Paulo Hirano (PR) começou neste momento o encaminhamento da posição do governo de votar contra o pedido de informações sobre o contrato entre a Prefeitura e a GAP.
 Hirano segue a linha de raciocínio do chefe Garotinho de que a culpa é dos governos estadual e federal que forneceram os documentos que seriam falsos.
Disse mais: que é questão de honra romper o contrato se provadas as irregularidades, mas criticou a politização do tema.

FRED FAZ HISTÓRICO DA GAP

Vereador Fred Machado faz um histórico da GAP desde 2009 e seus contratos
O vereador Fred Machado (PSD) fez, agora há pouco, um relato das licitações ganhas pela GAP em vários órgãos, incluindo do Governo do Estado e da Assembléia Legislativa e todas de valores menores e em nenhuma licitação para aluguel de veículos e sim venda de peças. Em Campos, de 2009 a 2013 foram cerca de R$ 32 milhões de um contrato e outro de R$ 15 milhões.
Fred lembrou também que no dia 18 de maio o deputado Anthony Garotinho anunciou que o contrato com a GAP seria rompido em 10 dias e aberta nova licitação para escolha de outra empresa para alugar ambulâncias.

OPOSIÇÃO QUER SESSÃO ESPECIAL PARA OUVIR ENVOLVIDOS NO CASO GAP

Nildo Cardoso quer ouvir Fernando Trabach e a mãe (Jaciara Trabach)


Os quatro vereadores da oposição também apresentaram o processo 1211/2013, que solicita sessão especial para ouvir os principais ouvidos no caso GAP, incluindo o sr George Augusto Pereira e seu procurador Fernando Trabach Gomes, procurador da empresa e que teria assinado os contratos e seus aditivos.

O requerimento, pede que sejam ouvidas ainda, Josefa Gomes dos Santos Carvalho, titular do número de identidade que teria sido utilizada por George Augusto Pereira e e Joanes Aguiar Braga (representante da GAP em Campos)

REQUERIMENTO DE INFORMAÇÃO SOBRE A GAP EM DISCUSSÃO NA CÂMARA



Vereador Marcão: empresas que concorreram com a GAP em 2009 não atuam no setor

Os quatro vereadores da oposição (Rafael Diniz, Nildo Cardoso, Marcão Gomes e Fred Machado) apresentaram  o requerimento de informações numero 1210 solicitando cópias de contratos da PMCG com a GAP e seus respectivos termos aditivos. A GAP é contratada desde 2009 pela Prefeitura de Campos para locação de ambulâncias no período foram pagos cerca de R$ 32 milhões à empresa.
Cópia da notificação à GAP de prazo para apresentação de defesa.
O pedido está em discussão neste momento.

ÉPOCA PUBLICA ÁUDIOS DE ENTREVISTAS COM "GEORGE" E FERNANDO TRABACH

Ouça a voz do "fantasma" da GAP:

Da Revista Época (aqui)



Compare as falas de Fernando Trabach e de George Augusto Pereira
 

 

FANTASMA DONO DE APARTAMENTO DE LUXO NO RIO

Da Revista Época on line (aqui):


INVESTIGAÇÃO - 04/06/2013 11h44 - Atualizado em 04/06/2013 12h41
TAMANHO DO TEXTO

Fantasma ligado a Garotinho é dono de apartamento de luxo

Polícia investiga caso do empresário que não existe e que tinha negócios milionários com o deputado federal e seu partido

HUDSON CORRÊA
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 A Operação da Delegacia Fazendária, na segunda-feira, em apartamento em condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (Foto: Bruno Gonzalez / Agência O Globo)
A Delegacia Fazendária (Delfaz) da Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu inquérito para apurar quem está por trás de um empresário fantasma usado para desviar dinheiro público. Na manhã de segunda-feira (3), durante operação de busca e apreensão realizada como parte das investigações, a Delfaz fez uma descoberta inusitada. O fantasma aparece em certidões de cartório como dono do apartamento 402 em um dos prédios do Barra Golden Green, um dos condomínios mais caros do Rio de Janeiro, na praia da Barra da Tijuca, com direito a vista para o mar e campo de golfe. Um imóvel no local não sai por menos de R$ 3 milhões. ÉPOCA revelou o desvio contra o erário no fim do mês passado. George Augusto Pereira não existe, mas aparece como dono da GAP Comércio e Serviços Especiais, que embolsou milhões em verbas públicas. A empresa tem ligações com o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) e sua família. 
George surge como proprietário do imóvel em uma escritura de promessa de compra e venda datada de fevereiro de 2007. Até as contas de energia elétrica vinham em nome da assombração. Mas, no apartamento, em vez de George, os policiais civis encontraram o empresário Fernando Trabach Gomes, que comanda uma rede de postos de gasolina. ÉPOCA revelou que Trabach se fazia passar por George, inclusive em telefonemas com a reportagem (ouça áudios das conversas abaixo). Ele também possui ligações, mesmo que indiretas, com Garotinho. O empresário prestou serviços para a campanha do PR no Rio em 2010, fornecendo combustível. O deputado é presidente estadual do partido e comanda a legenda com mãos de ferro, inclusive nas campanhas eleitorais.
O fantasma George tinha uma carteira de identidade falsa, usada para abrir a GAP e movimentar contas bancárias, por onde passaram milhões em dinheiro público. A empresa foi contratada, em 2009, pela Prefeitura de Campos dos Goytacazes, cidade do norte fluminense administrada pela prefeita Rosinha Garotinho (PR), mulher do deputado. O contrato para aluguel de ambulâncias é totalmente fraudulento e deu prejuízo de R$ 32 milhões à prefeitura, segundo acusa o Ministério Público do Rio.
No apartamento do Golden Green, a Delfaz apreendeu quatro pen-drive e um laptop que estavam com Trabach, além de documentos. Também foram recolhidos computadores e uma grande quantidade de papéis na sede da GAP, que fica em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Atualmente, a empresa está em nome da mãe do empresário, Jacira Trabach Pimenta. A próxima etapa da investigação será a análise do material apreendido.
Garotinho se defende, afirmando que nunca conheceu George. O deputado diz que Trabach sempre se apresentou como o representante da GAP. “Os motivos para o senhor Fernando Trabach se passar por outra pessoa só ele poderá explicar à polícia”, escreveu em sua página na internet. Garotinho, porém, ainda não respondeu a uma série de perguntas sobre o caso (leia abaixo). Trabach alega que também não sabia da fraude. 
Sete perguntas para Garotinho responder sobre o empresário fictício George Augusto Pereira

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) ainda deve muitas explicações sobre sua relação com o empresário fantasma George Augusto Pereira dos Santos. ÉPOCA elaborou sete perguntas que o deputado não respondeu sobre o caso.
George Augusto Pereira nunca existiu, foi criado a partir de uma carteira de identidade falsa. Suas iniciais deram origem à GAP Comércio e Serviços Especiais, uma empresa com relações muito próximas a Garotinho e sua família. Graças a essas ligações, a GAP embolsou mais de R$ 32 milhões em contratos públicos. No raro momento em que veio a público se explicar, Garotinho disse que não sabia quem era George. Permanecem as seguintes dúvidas:  
1. Em junho de 2011, Wladimir Matheus, um dos filhos de Garotinho, emprestou um carro de luxo da GAP. O rapaz sofreu um acidente e destruiu o automóvel, um Ford Fusion modelo 2011, contra um muro. Logo depois, o fantasma George, ou melhor, alguém se fazendo passar por ele, deu uma entrevista à ÉPOCA. O falso George chamou Matheus de “um amor de pessoa”, demonstrou intimidade com o rapaz e disse que não cobraria o prejuízo com a perda total do carro, avaliado em R$ 80 mil. Por que Garotinho não procurou George, ao menos para saber quem era o empresário que elogiava tanto seu filho e poupava o rapaz de pagar o prejuízo com o carro? 
2. Desde 2009, a GAP tem contrato milionário com a Prefeitura de Campos dos Goytacazes, cidade do norte fluminense. A prefeita é Rosinha Garotinho (PR), mulher do deputado e mãe de Matheus. Na semana passada, Garotinho disse à rádio CBN que seu filho fez mal ao emprestar o carro de uma empresa contratada pela prefeitura, por haver conflito de interesses. Por que, então, Garotinho não procurou George para cobrir o prejuízo com o carro destruído? Se há conflito de interesses só em emprestar um veículo, não existe conflito ainda maior em não ressarcir a empresa? 
3. Na mesma época do acidente de Matheus, Garotinho alugava da GAP um Ford Fusion 2011 com verba da Câmara para transitar em Brasília. Ele diz que o carro destruído pelo filho não é o mesmo alugado pela Câmara. Mas se George não existe, quem assinou os recibos para comprovar a locação do veículo? 
4. Entre 2009 e 2011, a GAP embolsou R$ 32 milhões da Prefeitura de Campos dos Goytacazes para alugar ambulâncias ao município. Ainda tem um contrato de R$ 15 milhões em vigor, totalizando R$ 47 milhões. Desde agosto de 2011, o Ministério Público do Rio afirma que a contratação foi totalmente fraudulenta. Por que, diante de uma acusação tão grave, a prefeitura não fez uma rigorosa auditoria na GAP? Por que a prefeitura não intimou George a se explicar sobre as acusações do Ministério Público?  
5. No mês passado, ÉPOCA publicou que George já estava sendo investigado e que, pelo menos no papel, vendera a milionária GAP por apenas R$ 100 mil. Dois dias depois, Garotinho discursou no plenário da Câmara e disse que não havia irregularidades na contratação da empresa pela prefeitura de Campos, pois a GAP “ganhou licitamente a concorrência”. O deputado mandou investigar o contrato e concluiu que tudo era legal? Como ele chegou a tal conclusão, se George é um fantasma? 
6. O empresário Fernando Trabach Gomes se fazia passar por George. Ele falou em nome do fantasma em uma entrevista concedida à ÉPOCA em 2011. Garotinho admitiu que conheceu o empresário na campanha para deputado federal em 2010. Também afirmou que Trabach sempre se apresentou como representante da GAP. O deputado nunca interrogou Trabach sobre quem era, afinal, George, o dono da empresa com contrato milionário com a prefeitura, com negócios com seu gabinete e que ainda emprestara um carro a seu filho? 
7. Trabach opera uma rede de postos de gasolina que forneceu combustível à campanha do PR ao governo do Rio. Garotinho comanda o PR no Estado. O empresário recebeu R$ 1,2 milhão da campanha, mas apresentou à Justiça Eleitoral notas fiscais com indícios de falsificação. Trabach também enganou o PR, ou integrantes do partido sabiam do esquema? Além de Garotinho, de seu filho, da sua mulher Rosinha, o empresário também passou a perna na legenda que o deputado preside no Rio? 


Compare as falas de Fernando Trabach e de George Augusto Pereira
 

 





Também sobre o assunto aqui no Sociedade Blog, que reproduziu a matéria da Época mais cedo.