sábado, 6 de dezembro de 2014

ILUMINAÇÃO PÚBLICA CUSTA R$ 1,6 MILHÃO POR MÊS AO CONTRIBUINTE CAMPISTA


Página 3 do Diário Oficial do Município de sexta-feira, 05/12/2014



A Prefeitura de Campos assinou, no último dia 01/10/2014, contrato com a empresa INOVALUZ GESTORA DE ILUMINAÇÃO URBANA LTDA para prestação de serviços durante um ano por R$ 19.862.491,37. O trabalho, segundo o contrato é "prestação de serviços contínuos de planejamento, gestão e execução dos serviços referentes aos pontos de luz públicos e dos sistemas de potência do município de Campos dos Goytacazes".
Ou seja, a iluminação pública está garantida e pela qual o contribuinte está pagando cerca de R$ 1,6 milhão por mês (dividindo o valor anual por 12). Disse está pagando porque a empresa que cuida da iluminação pública no município é a mesma desde 2009 e cujos contratos vinham sendo aditados. Desta vez, venceu uma nova licitação (025/2014), que resultou no contrato acima (0344/2014).
 Até onde sei o serviço prestado tem sido satisfatório, caso contrário a INOVALUZ não estaria prestando serviços até hoje.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

BANCO SUÍÇO FOI CONSULTADO POR ASSESSORES DE ROSINHA DOIS MESES ANTES DO EMPRÉSTIMO COM ANTECIPAÇÃO DE ROYALTIES NO BB


Do Blog do Bastos (aqui):

Governo Rosinha consultou banco suíço antes de “vender” royalties ao BB

Logo após o fim do primeiro turno da campanha eleitoral, no dia 9 de outubro, e antes da aprovação na Câmara de Campos do projeto de Lei Lei 0123/2014, que ocorreu no dia 18 de novembro, a equipe da prefeita Rosinha Garotinho (PR) já sondava o banco Credit Suisse Group para “vender os royalties” do petróleo. Em contato com o banco, o secretário de Fazenda da Prefeitura de Campos, Walter Jobe, informou que o município receberá em 2015 e 2016 cerca de R$ 2,8 bilhões em royalties e participação especial, e buscou informações sobre taxas de juros para uma antecipação de R$ 250 milhões. Na ocasião, o banco suíço informou que, “em função da conjuntura macroeconômica e do comportamento do preço do petróleo, a taxa indicativa ficaria em torno de 2%/2,5% ao mês”. Confira um dos e-mails enviado pelo secretário:
Informações foram juntadas ao processo para mostrar que a Prefeitura buscou outros bancos antes de fechar com o BB
Opção pelo Banco do Brasil - Posteriormente, a Prefeitura achou melhor “vender” os royalties ao Banco do Brasil (BB). Conforme informa o blog “Ponto de Vista” (aqui), do Christiano Abreu Barbosa, a operação financeira custará R$ 54 milhões aos cofres públicos e aos contribuintes. Dos R$ 304 milhões “vendidos” pela prefeita Rosinha de receitas futuras de royalties e participações especiais, ela receberá somente R$ 250 milhões. “O que estamos vendo é o preço que o cidadão de Campos terá que pagar pela falta de gestão, planejamento e responsabilidade do atual governo. Se não bastasse deixar a nossa cidade com dificuldade financeira, mesmo tendo um Orçamento anual de R$ 2,5 bilhões, os cidadãos ainda terão que pagar R$ 54 milhões, caso a Prefeitura consiga concretizar essa ‘venda dos royalties’. Se essa proposta foi a melhor, fico imaginando como seriam as outras”, diz o vereador Rafael Diniz (PPS).
Mais informações sobre o contrato com o BB e as sondagens com o banco suíço na edição de amanhã (06) da Folha.

ANTECIPAÇÃO DOS ROYALTIES VAI CUSTAR R$ 54 MILHÕES AOS CONTRIBUINTES CAMPISTAS

Da edição de hoje (05/12/2014) da Folha da Manhã e aqui, na Folha on line:

Contrato prevê juros de R$ 54 milhões

“Mesmo sem explicar como conseguiu gastar R$ 2,5 bilhões do Orçamento deste ano, a Prefeitura de Campos ainda está disposta a pagar R$ 54 milhões de juros para realizar operação de crédito envolvendo os royalties. Se isso não é ‘venda dos royalties’, o que é?”, indaga o vereador Rafael Diniz (PPS), citando o contrato de cessão de crédito entre a Prefeitura de Campos e o Banco do Brasil (BB), que a Folha da Manhã revela nesta sexta-feira (05). Segundo Rafael, de acordo com o parágrafo primeiro do contrato, dos R$ 304 milhões que a Prefeitura cedeu, o município receberia de volta R$ 250 milhões. “Ou seja, 54 milhões seriam de juros”, frisou Rafael Diniz.
Na quinta-feira (04), a Procuradoria-Geral do Município protocolou no Tribunal de Justiça do Estado (TJ), recurso para tentar derrubar liminar concedida na última quarta-feira (03) pelo juiz da 2ª Vara Cível de Campos, Felipe Pinelli, que suspendeu as operações de crédito realizadas pela PMCG com base na lei 5.598/2014. O recurso está na 21ª Câmara Cível do TJ e a relatora é a desembargadora Lúcia Helena do Passo, que pode ser pronunciar a qualquer momento.
A liminar, que a Prefeitura tenta derrubar no TJ, foi concedida numa ação movida pelo vereador Rafael Diniz representado pelo advogado José Paes Neto. Com base na lei 5.598/2014, de 18/11/21014, que autoriza a cessão de créditos futuros de royalties e Participação Especial a instituições bancárias oficiais até dezembro de 2016, a Prefeitura de Campos assinou no último dia 26 contrato com o Banco do Brasil antecipando R$ 250 milhões a serem pagos royalties futuros. Porém, para conseguir antecipar os recursos, o governo cedeu créditos, oriundos dos royalties, no valor de R$ 304 milhões.
— O que estamos vendo é o preço que o cidadão de Campos terá que pagar pela falta de gestão, planejamento e responsabilidade do atual governo. Se não bastasse deixar a nossa cidade com dificuldade financeira, mesmo tendo um Orçamento de R$ 2,5 bilhões, os cidadãos ainda teriam que pagar R$ 54 milhões, caso a Prefeitura consiga concretizar essa ‘venda dos royalties’ — disse Rafael.
Entre os argumentos utilizados para obter os recursos junto ao BB, a prefeita Rosinha Garotinho (PR) alega no contrato que “eventuais insuficiências financeiras, mesmo que momentâneas, precisariam ser cobertas pelo Tesouro Municipal, o que reduziria a capacidade de investimento e de prestação de serviços públicos”.
A.B.L.
Foto: Héllen Souza 
05/12/2014 11:0

TRE APROVA CONTAS DE PEZÃO COM "RESSALVAS"



Do Portal do TRE (aqui):

05/12/2014 - 17:01

Contas de Pezão são aprovadas com ressalvas

O governador reeleito Luiz Fernando de Souza, o Pezão (PMDB), teve as contas de campanha aprovadas com ressalvas pelo plenário do TRE-RJ nesta sexta-feira (5). Por três votos a dois, a Corte entendeu que não foram identificadas irregularidades capazes de desaprovar as contas. Também foram aprovadas com ressalvas as contas dos candidatos Gilberto Palmares (PT), Cristiane Brasil (PTB), Jandira Feghali (PCdoB), Alexandre Tadeu (PRB) e Milton Rangel (PSD), que teve um recurso deferido. Já os candidatos Brizola Neto (PDT) e Roberto Teixeira (PSDC) tiveram as contas desaprovadas. Com a sessão extraordinária de hoje, o TRE-RJ concluiu o julgamento das contas dos eleitos e 1º e 2º suplentes. A desaprovação das contas não impede a diplomação, que ocorrerá no próximo dia 15, na Alerj.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O CUSTO DA ANTECIPAÇÃO DOS ROYALTIES



Suspenso pela liminar concedido ontem pelo juiz Felipe Pinelli, da 2ª Vara Cível de Campos, o empréstimo de R$ 304 milhões feito pelo governo Rosinha junto ao Banco do Brasil não sairia de graça. Com o eufemismo de "cessão de créditos dos royalties a instituições financeiras públicas", a Prefeitura de Campos está, na verdade, apanhando empréstimo a ser pago com os royalties futuros e, como o Banco do Brasil não trabalha com a fundo perdido, cobra juros.
Aliás, o montante desses juros é que será revelado na edição de amanhã da Folha da Manhã, como antecipou agora há pouco em seu Blog, o jornalista Alexandre Bastos (veja abaixo).
Como o extrato do contrato feito com o BB foi publicado resumidamente (reveja aqui), o valor dos juros só apareceu no recurso (agravo de instrumento) impetrado nesta quarta-feira, pela Procuradoria-Geral da PMCG na tentativa de derrubar a liminar.


Do Blog do Bastos (aqui):

PMCG JÁ RECORREU AO TJ PARA DERRUBAR LIMINAR QUE IMPEDE ANTECIPAR ROYALTIES



A Procuradoria-Geral da Prefeitura de Campos já protocolou no Tribunal de Justiça do Estado (TJ), recurso para tentar derrubar liminar concedida nesta quarta-feira pelo juiz da 2ª Vara Cível de Campos, Felipe Pinelli, que suspendeu as operações de crédito realizadas pela PMCG com base na lei 5.598/2014. O recurso está na 21ª Câmara Cível do TJ e a relatora é a desembargadora Lúcia Helena do Passo, que pode ser pronunciar a qualquer momento.
A liminar foi concedida numa ação movida pelo vereador Rafael Diniz (PPS) representado pelo advogado José Paes.
Com base na lei 5.598/2014, de 18/11/21014, que autoriza a cessão de créditos futuros de royalties e Participação Especial a instituições bancárias oficiais até dezembro de 2016, a Prefeitura de Campos assinou no último dia 26/11/2014 contrato com o Banco do Brasil antecipando R$ 304.060.246,84 a serem pagos royalties futuros.
Se a liminar do juiz Felipe Pinelli foi mantida pelo TJ, o contrato com o BB ficará suspenso até decisão final.

Veja abaixo a movimentação do processo no TJ e aqui mais detalhes sobre o assunto.

TJ TEM NOVO PRESIDENTE


Desembargador Luiz Fernando com a atual presidente do TJ,. Leila Mariano

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro elegeu, no início da tarde desta quinta-feira, dia 4, o seu novo presidente para o biênio 2015/2016. O desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho foi eleito, em segundo escrutínio, com 94 votos, contra 70 do desembargador Luiz Zveiter. A sessão do Tribunal Pleno para eleição da nova administração do TJ do Rio foi conduzida pela desembargadora Leila Mariano, que completa este ano o seu mandado.
Matéria na íntegra aqui no portal do TJ.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

CONTRATO PARA BB ANTECIPAR R$ 304 MILHÕES FOI ASSINADO DIA 27


Se for mantida a liminar concedida hoje pelo juiz da 2ª Vara Cível, Felipe Pinelli, suspendendo imediatamente qualquer contrato da Prefeitura de Campos com bancos com base na lei 8.598/2014, o negócio já sacramentado com o Banco do Brasil (ver extrato acima), perde a validade.
Como a PMCG vai recorrer ao TJ, vamos aguardar os acontecimentos. O contrato foi assinado em 26/11/14 e publicado na página 5 do Diário Oficial de 27/11/2014.

LIMINAR DA 2ª VARA CÍVEL IMPEDE ROSINHA DE ANTECIPAR ROYALTIES VIA EMPRÉSTIMO. PMCG VAI RECORRER.






Da Folha on line (aqui):

Com José Paes, Rafael Diniz barra “venda dos royalties”

Mário Sérgio Junior
Com o advogado José Paes Neto, o vereador Rafael Diniz (PPS) conseguiu evitar o que seu colega de bancada, o vereador Marcão Gomes (PT), chamou de “venda dos royalties”. Rafael anunciou na sessão da Câmara de Campos, nesta quarta-feira (03), que o juiz Felipe Pinelli, da 2ª Vara Cível de Campos, deu parecer favorável a sua ação popular com pedido de liminar para que a prefeita Rosinha Garotinho seja impedida de realizar operações de crédito com o fundamento na lei municipal nº 8.598/2014, aprovada por maioria no Legislativo e que autoriza o Executivo a ceder a instituições financeiras públicas — como Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal — créditos decorrentes de royalties, participações especiais e compensações financeiras relacionadas à exploração de petróleo e gás natural para pagamento de empréstimo. O vereador Mauro Silva (PTdoB) informou que a Prefeitura irá recorrer da decisão.
Na sentença, o juiz Felipe Pinelli ressaltou, dentre outras questões, a Lei Complementar 101/2000 que veda a celebração de contrato de crédito destinada a financiar despesas de custeio, “o que torna inviável que a dívida pública seja contraída para pagamento da ‘folha de salários’ e de obrigações contraídas em contratos já celebrados”. “Entendo que existe prova inequívoca da verossimilhança das alegações do autor, bem como perigo de dano de difícil reparação, pelo que antecipo a tutela de mérito, pelo que determino ao primeiro réu que se abstenha de realizar operações de crédito com o fundamento na Lei Municipal nº 8.598/2014. Caso já tenha se efetivado o contrato, determino sua suspensão imediata”, diz parte da sentença.
03/12/2014 13:50

Veja abaixo a lei questiona na Justiça


Atualização às 14h39 para postar a consulta ao site do TJ]

Veja também sobre o assunto no Blog Outros Quintais (aqui)

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

LÍDER DO GOVERNO ROSINHA AFASTADO PARA TRATAMENTO MÉDICO

Conforme ele mesmo postou agora há pouco em sua página no Facebook, o vereador Paulo Hirano (PR), líder do governo Rosinha na Câmara Municipal, vai ficar afastado de suas atividades pelas próximas semanas. Ele se recupera de um acidente doméstico e está de repouso absoluto para tratamento de um trauma na coluna.
Por conta disso, vai desfalcar o time situacionista na Câmara num momento de embate com a oposição por conta da votação do orçamento 2015, da apreciação das contas do governo municipal de 2013 e da crise gerada pelo vazamento de uma auditoria que descortinou uma bagunça geral na Secretaria de Fazenda. Sem falar no controvertido empréstimo de R$ 300 milhões com os royalties futuros dados como garantia.
O posto de líder do governo, pelo que seu viu na sessão de hoje, deve ficar com Mauro Silva (PTdoB).

Abaixo a postagem de Paulo Hirano.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DIPLOMAÇÃO DE PEZÃO SERÁ NO DIA 15, E A DE DILMA,18



O Tribunal Regional Eleitoral do RJ confirmou para o próximo dia 15, às 14h, na Alerj, a cerimônia de diplomação dos eleitos nas eleições de outubro. Receberão seus diplomas o governador reeleito, Luiz Fernando Pezão e o vice, Francisco Dornelles, 70 deputados estaduais e o senador eleito Romário.
Em Brasília, a posse da presidente reeleita Dilma Rousseff e o do vice, Michel Temer, será dia 18, às 19h, no Tribunal Superior Eleitoral.

TRE NÃO VÊ USO ELEITORAL DE GABINETE ITINERANTE DE PEZÃO

Do Portal do TRE (aqui):

01/12/2014 - 20:14

TRE-RJ não vê uso eleitoreiro em Gabinete Itinerante de Pezão


Por quatro votos a um, o plenário do TRE-RJ decidiu, nesta segunda-feira (1º), que o governador reeleito, Luiz Fernando Pezão (PMDB), não fez uso eleitoreiro do "Gabinete Itinerante", programa que levou secretarias do governo a cidades do interior do estado no primeiro semestre deste ano. Segundo o desembargador Abel Gomes, que havia pedido vista do processo na sessão do último dia 24, "não é possível concluir que a exposição da figura de Pezão teve a aptidão de alavancar uma candidatura ao governo do estado". A Coligação Frente Popular (PT, PV, PSB e PC do B), que ajuizou a ação, ainda pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília.

Processo relacionado: AIJE 278375

Veja também no Blog do jornalista Arnaldo Neto (aqui), na Folha on line.

domingo, 30 de novembro de 2014

AUDITORIA DE ROSINHA APONTA SEUS PREJUÍZOS AO PREVICAMPOS

Da Folha da Manhã deste domingo, 30.11.2014 e aqui no Blog Opiniões.

Auditoria de Rosinha aponta seus prejuízos ao Previcampos

Info auditoria 1
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, reproduzindo tabela da auditoria determinada por Rosinha sobre seu primeiro governo, cujo relatório é assinado e rubricado página a página pelo ex-presidente do Previcampos Benilson Paravidino, além de outros seis auditores


José Paes Neto
Advogado e diretor do Observatório Social de Campos, José Paes Neto lamentou que os recursos do Previcampos tenham sido aplicados “irresponsavelmente” pelo governo Rosinha, impondo prejuízos ao dinheiro do servidor revelados na auditoria determinada pela própria prefeita (foto: Folha da Manhã)
Segundo a auditoria interna determinada pela prefeita Rosinha Garotinho (PR) em 2013, sobre o seu próprio governo, no período de 2009 a 2012, do pouco mais de um bilhão de reais (ou exatos R$ 1.004.253.007,49) dos recursos públicos de Campos “contabilizados nas contas correntes bancárias”, a grande maioria do dinheiro pertencia aos mais de 17 mil servidores do município, que tiveram prejuízos com as aplicações da Prefeitura. Do saldo auditado das aplicações financeiras do governo Rosinha no período, 85,3% do dinheiro em conta era do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Campos dos Goytacazes (Previcampos), mais precisamente R$ 853.450.226,28 (como evidencia o infográfico acima). “Mas deveria ser mais”, frisou o advogado e diretor geral do Observatório Social de Campos, José Paes Neto, “já que o relatório da auditoria do próprio governo apontou prejuízo nas aplicações financeiras”.
Na sexta-feira, no seu “Ponto de Vista” (aqui), e em matéria reproduzida (aqui) na edição impressa da Folha de sábado, o blogueiro Christiano Abreu Barbosa já havia adiantado que “grande parte dessas aplicações ‘alternativas’ era com dinheiro da Previcampos, a previdência dos servidores da Prefeitura”. O adjetivo “alternativo”, segundo informou Christiano, se deve ao fato de que “a auditoria mostra que em 31/12/2012, cerca de 58% de todas as aplicações financeiras da Prefeitura de Campos estavam no Banco do Brasil e na Caixa Econômica. Os outros 42% estavam aplicados em instituições privadas, o que por si só já é contra a recomendação e, conforme inúmeros julgados nos tribunais do país, configuraria ato de improbidade administrativa”.
Por sua vez, José Paes destacou alguns trechos do próprio relatório da auditoria determinada por Rosinha, tendo como alvo o governo Rosinha, para destacar que as aplicações não foram as mais seguras, e que talvez por isso mesmo tenham gerado prejuízo aos fundos dos servidores:
— As aplicações ‘alternativas’ com o dinheiro do Previcampos foram justamente que mais geraram prejuízo. Em duas tabelas apresentando as aplicações financeiras em fundos de investimento (reproduzidas abaixo), a auditoria conclui que “em se tratando de prejuízo, podemos citar oBanco Mercatto, que teve uma perda de 133%, ou seja, 33% a mais que os Rendimentos, somando em Prejuízo de R$ 148.731,44”.
O diretor do Observatório continuou citando os auditores escolhidos por Rosinha para investigarem seu governo, para dimensionar o tamanho do prejuízo imposto pelas aplicações no dinheiro dos servidores de Campos feitas pela Prefeitura: “Ressaltamos ainda a aplicação do Banco Santander que teve um percentual de perda de 160,86%, mais de 60% superior aos Rendimentos, trazendo um prejuízo de R$ 988.008,54 para a instituição”.
José Paes seguiu o roteiro do prejuízo a Previcampos, imposto pela má aplicação de seus fundos pelo governo Rosinha, traçado pela própria auditoria interna, que relata: “se referindo ao Deutsche Bank (Cruzeiro do Sul), em entrevista com os agenciadores dos títulos, com a presença dos representantes legais da instituição auditada, realizada na sede da própria PREVICAMPOS, no dia 20/06/2013, foi constatado que existe riscos do não recebimento de todo o saldo em poder do liquidante da instituição responsável”.
Advogado que derrubou a contratação temporária de mais de mil servidores pelo Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), às vésperas da eleição municipal de 2012, pelo governo Rosinha, que mesmo assim seria reeleito, José Paes continuou citando a auditoria que pode ter somado ainda mais prejuízos aos recursos do Previcampos: “Os valores a serem liquidados pelo Deutsche Bank (Cruzeiro do Sul) se referem a três fundos de investimento com os seguintes saldos: FIDC BC360 SEM saldo a receber de R$ 3.262.502,43, FIDC BCSUL CREDITO CONSIGNADO II  saldo a receber de R$ 17.580.811,73 e ainda FIDC ABERTO CPPP 540 RPPS – SENIOR com saldo a receber de R$ 23.400.805,90, somando ainda um montante de R$ 44.244.120,06”.
Com base no que destacou na auditoria, o advogado finalizou: “São dois prejuízos concretos e a possibilidade de outro, em aplicações irresponsáveis com o dinheiro do servidor de Campos, impondo-lhe perdas. Lamento que o dinheiro do Previcampos tenha sido gerido dessa forma, mas que de certa maneira revela como este governo trata seu servidor”.

Info auditoria 2
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, reproduzindo tabela da auditoria determinada por Rosinha sobre seu primeiro governo, cujo relatório é assinado e rubricado página a página pelo ex-presidente do Previcampos Benilson Paravidino, além de outros seis auditores


Info auditoria 3
Infográfico de Eliabe de Souza, o Cássio Jr, reproduzindo tabela da auditoria determinada por Rosinha sobre seu primeiro governo, cujo relatório é assinado e rubricado página a página pelo ex-presidente do Previcampos Benilson Paravidino, além de outros seis auditores

Publicado hoje na Folha


sábado, 29 de novembro de 2014

AUDITORIA: APLICAÇÕES FINANCEIRAS DERAM PREJUÍZO DE R$ 47,7 MILHÕES NO PRIMEIRO GOVERNO ROSINHA

Demostrativo de aplicações financeiras da PMCG entre 2009 e 2012: "perda" de R$ 47,7 milhões, segundo relatório dA auditoria determinada pelo decreto002/2013, da prefeita Rosinha, para analisar as contas do seu primeiro governo


Da Folha da Manhã de hoje e aqui, no Blog Ponto de Vista:

Onde foi parar o seu dinheiro?

Christiano Abreu Barbosa e Arnaldo Neto
O relatório da auditoria interna feita em 2013 pelo governo Rosinha Garotinho (PR), cujo objetivo foi apurar a regularidade financeira e contábil de todo o período do primeiro mandato da prefeita, de 2009 a 2012, revela, além de um suposto “rombo”, uma tenebrosa má gestão financeira dos recursos públicos.
Com o orçamento bilionário do município, anabolizado com repasses mensais milionários de royalties e repasses trimestrais também milionários de participações especiais, a Prefeitura de Campos tem em suas contas bancárias o que quase todo contribuinte deseja: dinheiro e saldo sobrando. O rito burocrático do poder público protela os pagamentos, contribuindo para o dinheiro ficar ainda mais tempo nas contas.
Com todo esse dinheiro à disposição, é dever da Prefeitura aplicá-lo, para que gere rendimentos e a inflação não o corroa. A Constituição determina que as contas públicas permaneçam em bancos oficiais, leia-se, segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, bancos públicos, para que o dinheiro do contribuinte não corra risco em quebras de bancos privados.
O relatório da auditoria mostra que em 31/12/2012, cerca de 58% de todas as aplicações financeiras da Prefeitura de Campos estavam no Banco do Brasil e na Caixa Econômica. Os outros 42% estavam aplicados em instituições privadas, o que por si só já é contra a recomendação e, conforme inúmeros julgados nos tribunais do país, configuraria ato de improbidade administrativa.
Mais estranho ainda é que bancos privados gigantes como Bradesco e Itaú foram preteridos. A Prefeitura fez no primeiro mandato de Rosinha aplicações em bancos privados pequenos, bancos desconhecidos e em títulos públicos federais, sem licitação, o que é ilegal. Grande parte destas aplicações “alternativas” era com dinheiro da Previcampos, a previdência dos servidores da Prefeitura.
As operações para compra de títulos públicos federais, sem licitação e de maneira ilegal, e a venda desses títulos geraram graves prejuízos à Prefeitura. A auditoria acusa o próprio governo Rosinha de superfaturamento na compra desses títulos, em denúncia revelada na sexta-feira (28) pela Folha.
Entre as corretoras usadas para a compra destes títulos públicos federais e venda com prejuízo estava a Quantia DTVM, considerada inidônea desde 2004 pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio. Várias aplicações deram prejuízos, lesando o contribuinte, em clara má gestão dos recursos públicos.
Confira no infográfico acima uma tabela constante na própria auditoria da Prefeitura, comparando os rendimentos de aplicações no primeiro mandato de Rosinha, de 2009 a 2012, com as perdas geradas por escolhas equivocadas. Há casos bizarros, como os prejuízos nos bancos “Mercatto” e Santander, onde a perda foi maior do que o rendimento.
Há também casos de perdas vultuosas, como a de outro banco e fundo de investimento desconhecido, o “Schroder”.
“Após silêncio, culpar os outros?”
Após o líder do governo Rosinha, Paulo Hirano (PR), afirmar que o “rombo” de quase R$ 110 milhões constatado em auditoria solicitada pela prefeita seria herança de gestões anteriores, o vereador Marcão Gomes (PT) foi o convidado de sexta-feira (28) do Folha no Ar Entrevista, transmitido simultaneamente pela Plena TV e Rádio Continental, ambos do Grupo Folha, onde apontou o que seriam “erros sucessivos” da administração municipal e informou que neste sábado (29), no Rio, seu assessor levou ao TCE, à Superintendência da PF e à Procuradoria Geral da Justiça o relatório da auditoria que comprovaria o prejuízo ao erário municipal.
Para Marcão, é arriscado assegurar, como foi divulgado pela Prefeitura e defendido por Hirano, que o “rombo” seria herança de gestões anteriores. “Ficaram um ano e meio em silêncio com o resultado dessa auditoria e agora querem botar a culpa nas gestões anteriores? É no mínimo estranho”, questionou o vereador.
A transação de compra e venda de títulos com a Quantia DTVM, com prejuízo de R$ 4.797.984,06 aos cofres públicos de Campos, também foi questionada. A auditoria prova que a empresa já tinha sido declarada inidônea pelos TCEs do Rio de Janeiro e Pernambuco, além de envolvida no escândalo da CPI dos Correios, que teve como desfecho o “Mensalão”. “Tem mais operações com essa empresa. O que é mais grave ainda, sem licitação, com sobrepreço, causando prejuízo à Prefeitura. E foram todas feitas no governa Rosinha, não de nenhum antecessor. Quem diz não sou eu, mas a auditoria interna determinada pela própria Rosinha”, ressaltou.
O vereador enumerou ainda fatos que evidenciariam outros problemas financeiros no governo, como o pedido, aprovado na Câmara pelos governistas, para contratar o aumento do financiamento com a Caixa Econômica Federal, para o projeto do aeromóvel, e a transação com o Banco do Brasil, classificada por Marcão como a “venda dos royalties”.

CONTAS DE ROSINHA DE 2013 FICARAM COM PARECER "CONTRÁRIO" DO TCE ANTES DE CUMPRIR DILIGÊNCIA


A conclusão da análise da gestão financeira do ano de 2013 das contas da Prefeitura de Campos foi, como se sabe, favorável à aprovação, conforme parecer prévio emitido na sessão do último dia 11 de novembro pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), a partir de relatório do conselheiro José Gomes Graciosa. A votação do parecer é, agora, atribuição da Câmara dos Vereadores que, só pode rejeitar o parecer com, no mínimo, 2/3 dos vereadores §2º, VI, artigo 59 da Lei Orgânica).
No entanto, quem teve curiosidade de procurar o relatório do Tribunal de Contas (acesso aqui em arquivo pdf), teve acesso não só às ressalvas, determinações e recomendações que acompanham o relatório, como também ao teor de um parecer prévio anterior, que era CONTRÁRIO à aprovação das contas e que foi substituído por uma DILIGÊNCIA após apresentação de defesa pelo representantes da PMCG. A decisão foi aprovada pelo plenário do TCE em reunião do dia 31 de outubro.
Após as providências tomadas e "reexame dos novos elementos apresentados", de acordo com o voto do relator Graciosa, foi emitido o parecer FAVORÁVEL.
Veja abaixo, o relatório do relator, de 3 páginas, e que integra o voto, de 159 páginas:





 Veja também as ressalvas, determinações e recomendações que constam no relatório:










Atualização às 15H09 para correção gramatical no título.

JUSTIÇA BRASIL



Para quem não consegue acessar o Diário Oficial do Município de Campos pelo portal da PMCG aqui vai uma dica: no site JusBrasil (www.jusbrasil.org.br) todas as edições estão disponíveis. No portal da PMCG não é possível, por exemplo, ter acesso às edições dos meses de setembro a janeiro de 2013. A edição de 02/01/2013, por exemplo, pode ser lida aqui, em arquivo PDF


EDIÇÕES DO DIÁRIO OFICIAL QUE "SUMIRAM" DO PORTAL DEVEM VOLTAR DIA 2

Do Jornal Terceira Via (aqui):

ata: 29/11/2014 - 00:01:01

Um ano de Diário Oficial desaparece do Portal da Prefeitura de Campos

Segundo a Secretaria de Comunicação Social, as edições online devem retornar ao site na terça-feira (2)

Os 

Diários Oficiais do município no período de um ano – entre 18 de outubro de 2012 e 22 de outubro de 2013 – desapareceram do Portal Oficial da Prefeitura de Campos há pelo menos nove meses. Procurada pela reportagem do jornal Terceira Via na última quinta-feira (27), a Secretaria de Comunicação Social (Secom) informou que, até a próxima terça-feira (2) as edições online estarão disponíveis para acesso. Por coincidência ou não, no Diário Oficial do dia 3 de setembro, que está entre os desaparecidos, consta o edital de convocação dos contratados do Processo Seletivo da Educação.
Segundo a nota encaminhada pela Secom, o sumiço das edições online do Diário Oficial aconteceu após a “migração do banco de dados (todas as informações contidas no portal) de 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014 para um novo servidor, em março deste ano”. A Secom explicou que “nesta migração, ocorreram problemas que afetaram alguns arquivos, como bancos de imagens, notícias etc; mas tais problemas, assim que constatados, são solucionados, com as informações perdidas sendo adequadamente repostas”, informa o texto.
A Secom disse ainda que “pode oferecer os arquivos em mídias para pessoas que estejam necessitando emergencialmente”. A secretaria acrescentou que “todas que as edições já publicadas estão disponíveis ao público na Biblioteca Municipal”.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

GESTÃO TEMERÁRIA

Se forem adiante as investigações da Polícia Federal e Ministérios Públicos Federal e Estadual sobre o relatório de uma auditoria interna na contabilidade da PMCG em 2013, os gestores das finanças municipais desde 2004 podem ter muito o que explicar. Pelo menos é a percepção que se da leitura da parte do relatório que foi entregue no gabinete do vereador petista Marcão Gomes e repassado às autoridades competentes.
O que mais chama atenção são aplicações financeiras que resultaram em prejuízos aos cofres públicos e através de corretoras escolhidas sem licitação. A despeito da cautela recomendada neste delicado assunto, há indícios claros de gestão temerária com os recursos públicos.
É aguardar para conferir.

ROSINHA: "QUEM NÃO PLANEJAR NÃO VAI CONSEGUIR GOVERNAR"

Do Portal da Secom/PMCG (aqui):



A prefeita Rosinha Garotinho presidiu nesta sexta-feira (28), a sessão do Comudes, realizada na Prefeitura, para fazer uma exposição das ações de 2014 e anunciar medidas administrativas de adequação para o exercício de 2015, ano em que Campos reduzirá em 20% seu orçamento. As medidas são em função do cenário econômico nacional que aponta para uma recessão no próximo ano, afetando as finanças do setor público nas esferas municipais e estaduais. 
- Tenho responsabilidade como gestora pública e as prefeituras que não tomarem as medidas que vamos tomar, não terão condições de se manter e de investir. Quem não se planejar não vai conseguir governar -, destacou a prefeita.
Na sessão, o Comudes convidou o deputado federal Anthony Garotinho para fazer uma explanação sobre as perspectivas da economia brasileira para o ano novo e o impacto a ser gerado nas Prefeituras, que tem como principal receita os royalties e as participações especiais, provenientes da extração do petróleo. Ele deixou claro que neste segundo semestre a queda do barril do petróleo no mercado internacional vem afetando negativamente o repasse. Também participaram da mesa o vice-prefeito, Doutor Chicão, e o vereador Mauro Silva, representando o Legislativo.
Somente no último mês, a Prefeitura de Campos perdeu R$ 7 milhões de royalties do petróleo, o barril que estava estabilizado em U$ 110 caiu para U$ 80 e na última quinta-feira (27), estava cotado a U$ 77. As dificuldades que a Petrobras vem enfrentando foram confirmadas na apresentação da sua Declan para efeito de cálculo do índice de participação do município para o ano de 2015, que aponta para uma queda de 20% na declaração da estatal. 
Investimentos em 2014 – O primeiro semestre deste ano foi considerado um dos mais positivos devido à entrega a população de obras estruturantes como os Bairros Legais (Estância da Penha, Solar da Penha, Tocaia, Nova Goitacazes e a última etapa de Donana); condomínios residenciais do Morar Feliz em Dores de Macabu e Ponta Grossa dos Fidalgos, a primeira perimetral de Campos, a nova Avenida Arthur Bernardes, além da nova Avenida Nazário Pereira Gomes, em Guarus, novas estradas foram recuperadas e construídas, principalmente, na Baixada e Região Norte.
A Prefeitura também entregou, este ano, 34 obras, entre elas, as novas creches-modelo em Saturnino Braga, Jardim Aeroporto, Santo Eduardo, Jóquei II, Rio Preto e Penha, investiu na saúde ao investir numa nova UTI, com 24 leitos individuais, e oito coletivos, dentro das normas da Anvisa, e implantou um novo Centro Cirúrgico no Hospital Ferreira Machado, com equipamento de ponta. O Programa Água nas Comunidades chegou a Campo Limpo, Beira do Taí, Balança do Jair e comunidade de Santana, na antiga Usina São João.
Por: Marcio Fernandes - Foto: Gerson Gomes -  28/11/2014 15:14:38

AUDITORIA: GOVERNO ROSINHA CONTRATOU EMPRESA DO ESQUEMA DO "MENSALÃO"

Da Folha da Manhã desta sexta-feira, 28/11/2014 (aqui):

Empresa do Mensalão comprou sem licitação e superfaturado para Rosinha

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Por Aluysio Abreu Barbosa, Ricardo André Vasconcelos e Arnaldo Neto

Enquanto se discute quanto do rombo de quase R$110 milhões auditado pelo governo Rosinha Garotinho (PR), em 2013, foi gerado em sua primeira administração municipal, entre 2009 a 2012, e quanto dele seria herança de governos anteriores ou teria sido neles enxertado, o que não deixou dúvida em nenhum dos sete auditores da Prefeitura foi que recursos públicos de Campos foram fartamente usados, em plena gestão Rosinha, na compra superfaturada de títulos públicos federais, dispensando licitação, em descumprimento da lei nº 8666/93, com a utilização empresas notoriamente inidôneas, que provocaram prejuízos milionários aos cofres do município.
Uma das empresas utilizadas por essas operações financeiras ilegais do primeiro governo Rosinha, a Quantia DTVM, não só já havia sido declarada inidônea pelos Tribunais de Contas do Estado (TCEs) do Rio de Janeiro e Pernambuco, como sabidamente estava envolvida à medula no escândalo da CPI dos Correios, que teve como desfecho o “Mensalão”. Ainda assim, o governo Rosinha buscou a Quantia DTVM para lhe confiar R$ 218.746.027,52 de dinheiro público na compra de títulos, que depois seriam resgatados por R$ 213.948.043,46, para vendê-los.
O resultado para os cofres do município dessas “tenebrosas transações”, como cantou Chico Buarque de Hollanda? Nas palavras sem poesia da auditoria do governo Rosinha: “As operações de compra e venda de títulos através da empresa Quantia DTVM, resultaram em prejuízos decorrentes das operações de compra e venda de títulos públicos — O PREÇO DA VENDA NÃO ATINGIU O PREÇO DA COMPRA. Essas transações resultaram em perda de capital no valor de R$ 4.797.984,06”.
Por motivos parecidos, uma outra auditoria, feita pelo TCE de Pernambuco, já havia prevenido sobre aquilo que foi aparentemente ignorado em Campos, mas que os auditores de Rosinha só lembraram depois do cadeado arrombado: “O Ministério Público fez uma pequena pesquisa, trazendo à tona várias irregularidades envolvendo operações com a Quantia DTVM. Ao que tudo indica, esta empresa fazia parte de um esquema fraudulento que lesou várias instituições públicas em todo o País, sendo alvo principal os fundos de pensões. As operações envolviam a venda de títulos públicos superfaturados para fundos de previdência e algumas delas foram realizadas com a conivência dos Gestores dos Regimes de Previdência, que participaram do esquema fraudulento”.
Enquanto a Polícia Federal e os Ministérios Públicos Estadual e Federal não investigam o caso, é impossível saber se a Quantia DTVM contou em Campos com a mesma “conivência” de algum gestor público, mas o fato é que a auditoria de Rosinha comprovou o superfaturamento das compras de títulos, às custas do dinheiro campista, feitas pela empresa envolvida no “Mensalão”. Nas seis compras listadas pelos auditores da Prefeitura, feitas durante a gestão Rosinha, houve superfaturamento em todas.
Em 10 de novembro de 2009, enquanto o valor de mercado de cada título era de R$ 900,82, o governo municipal pagou R$ 932,70 por unidade, comprando 10 mil deles e gerando um prejuízo de R$ 318.872,67. No dia seguinte, enquanto cada título valia no mercado R$ 900,87, a Prefeitura pagou R$ 933,13 para comprar outros 30 mil, jogando fora mais R$ 27.026.100,00 do dinheiro público. A compra de títulos com preços superfaturados, por intermédio da Quantia DTVM, se repetiu nos dias 16, 18 e 19 de novembro de 2009, além de 10 de abril de 2010, gerando mais R$ 3.327.872,19 de prejuízo ao contribuinte de Campos. Tudo isso durante o governo Rosinha, segundo auditoria feita pelo governo Rosinha.

Paulo HiranoHirano diz que “rombo” é herança
“Quando você faz uma auditoria vai ter algo que veio de herança do governo anterior”. A justificativa é do líder do governo Rosinha Garotinho (PR) na Câmara, vereador Paulo Hirano (PR), que defendeu a nota divulgada pela Prefeitura de Campos, afirmando que do rombo financeiro de quase R$ 110 milhões apontados numa auditoria interna, R$ 100 milhões seriam referentes a pendências de conciliações bancárias de gestões anteriores. Segundo o vereador do PR, no próprio documento apresentado pelo vereador Marcão Gomes (PT) já estaria indicado que essas dívidas seriam dos governos de 1998 a 2008. Paulo Hirano foi o convidado de quinta-feira (27) do Folha no Ar Entrevista, transmitido simultaneamente pela Plana TV e Rádio Continental, ambos do Grupo Folha.
Para o líder do governo na Câmara, o fato das contas da prefeita no exercício de 2009 a 2013 terem sido aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), comprovariam que não há irregularidades no governo. “Quem determinou a abertura da auditoria foi a própria prefeita. O Tribunal de Contas já tinha identificado isso (pendências de conciliações bancárias de gestões anteriores). Os mesmos valores já tinham sido apurados no TCE”, afirmou o vereador.
Mas a conta ainda não fecha. Se da auditoria na primeira gestão da prefeita Rosinha havia pendência de quase R$ 110 milhões e R$ 100 milhões seriam de gestões anteriores, qual teria sido o destino do restante do dinheiro? Segundo Paulo Hirano, a determinação foi de abertura de tomada de contas e o parecer final será dado pelo TCE. “O que foi feito foi a abertura de tomada de contas para apuração das responsabilidades e defesas. A tomada foi feita e encaminhada ao TCE. Depois vem o parecer final do Tribunal”, disse o vereador, afirmando que todas as recomendações da auditoria teriam sido seguidas pela administração pública.
Paulo Hirano comentou ainda sobre o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA), que ainda não foi debatida na Câmara. O projeto já esteve com os vereadores, mas voltou para o Executivo realizar alterações. O vereador governista alegou redução na arrecadação dos royalties entre os fatores para repensar o orçamento para 2015.

Marcão7R$ 64 milhões jogados para trás
Parte do “rombo” de R$ 109 milhões que resultou da auditoria cujo relatório foi encaminhado pelo vereador Marcão Gomes (PT) à Polícia Federal e Ministérios Públicos Federal e Estadual, foi herdada das administrações que antecederam a administração da prefeita Rosinha Garotinho. O relatório aponta que em 2006, quando foi criado o Sistema Integrado de Administração Financeira de Estados e Municípios (Siafem), havia um saldo em 11 bancos no total de R$ 56.044.365,82 sem “evidência de existência física desses valores nos cofres do Tesouro Municipal”.
Em 2009, a equipe da Secretaria de Fazenda que assumiu o governo com a prefeita Rosinha, lançou nesta contabilidade outros R$ 64.404.511,63, retroativamente ao ano anterior. Esse expediente, segundo conclusão da auditoria “fere um dos Princípios Fundamentais da Contabilidade, o Princípio da Oportunidade, bem como o Princípio da Prudência”. Esses valores são lançados numa conta que, no jargão contábil, é chamada de “bancos em análise”, onde são lançados extratos e movimentos bancários para apuração posterior.
Para o vereador Marcão Gomes, não há possibilidade de a atual administração fugir da sua responsabilidade quanto ao rombo descoberto pela auditoria determinada pela própria prefeita Rosinha Garotinho:
— São responsáveis sim, pelo rombo que existe e não há dúvidas que eles enxertaram R$ 64 milhões nessa conta que, quando assumiram em 2009, já tinha lá R$ 56 milhões e chegou a um total de R$ 120 milhões.
O vereador recebeu uma cópia do relatório em seu gabinete na Câmara Municipal e, depois de não conseguir discuti-lo no Plenário, porque a maioria da bancada governista se retirou para não dar quórum, entregou o documento à Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual. Nos próximos dias, ele vai entregar cópias ao procurador-geral de Justiça do Estado, Marfran Vieira e à Superintendência da Polícia Federal, ambas no Rio de Janeiro.

TJ SP

Em SP, improbidade administrativa
Se vale a jurisprudência de caso similar às compras de títulos públicos superfaturadas e sem licitação feitas pela Quantia DTVM, em nome do governo Rosinha Garotinho, pode ser relevante o ocorrido no município de Igaraçu do Tietê e julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em julho de 2013. Na condenação, diz a ementa assinada pelo desembargador Edson Ferreira, relator do caso:
— IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. Fundo de Aposentadoria e Pensões dos Funcionários Públicos de Igaraçu do Tietê. Aplicação de recursos da previdência pública municipal na aquisição de títulos da dívida pública da União (NTN-B). (…) Contratação de instituição financeira para aplicar recursos públicos previdenciários sem licitação. Legitimidade passiva do Prefeito porque o Fundo estava subordinado à administração direta, de acordo com o artigo 93 da Lei Municipal 2647/2005, enquanto não estruturado o quadro próprio de servidores. Contratação de instituição financeira sem licitação. Alegação de que não havia necessidade de licitação com base na Resolução CMN 3244/04. Norma administrativa que não pode criar hipótese de dispensa de licitação. Sentido apenas de maior rigor para a contratação de instituição financeira. Entendimento dos Tribunais de Contas pela necessidade de licitação. Configurada hipótese de improbidade administrativa. Prejuízo da ordem de R$ 61.682,33, pela compra de títulos públicos federais com sobrepreço de 15,48%. Responsabilidade de Prefeito, da Presidente do Fundo e da