quarta-feira, 14 de agosto de 2013

CÂMARA CONCLUI VOTAÇÃO E PROJETO DOS ROYALTIES VAI À SANÇÃO DE DILMA

Mercadante ministro da Educação, comemorou a votação no Plenário. (Gilvan Barbosa/O Globo)



14/08/2013 - 19h04

Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A Câmara dos Deputados concluiu há pouco a votação do projeto de lei que destina 75% dos recursos oriundos dos royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde. O projeto segue agora para sanção presidencial.
Nas votações dos destaques, o plenário aprovou simbolicamente o destaque do PMDB que retirou do texto a regra que estabelecia em 60% o mínimo de óleo excedente que caberia à União nos contratos de exploração de petróleo da camada pré-sal no regime de partilha.
Os demais destaques que pretendiam retomar o texto aprovado pelo Senado foram rejeitados.
Agência Brasil


Observação do Blog: A lei prevê essa nova distribuição dos royalties para os valores pagos a partir da exploração de óleo e gás dos poços a partir de 3 de dezembro de 2012. Portanto, a gastança com palcos e shows, como faz a PMCG pode continuar. Impunemente.


FERREIRA MACHADO VAI GANHAR TRÊS ELEVADORES NOVOS

Boa notícia: está marcado para o próximo dia 30, às 10h, pregão presencial para contratação de empresa para fornecer e instalar três elevadores novos para o Ferreira Machado. os atuais, ainda da época da inauguração, nos anos 1940, já apresentaram todos os defeitos que podiam ter. A boa nova está no DO de hoje.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

RAFAEL DINIZ COMEMORA 30 ANOS, EM PLENÁRIO

Rafael Diniz (PPS), o mais novo vereador da Câmara Municipal de Campos, faz 30 anos hoje e está sendo homenageado pelos colegas em plenário. A indicação da moção foi de Nildo Cardoso (PMDB).

MAURO DE VOLTA

O vereador Mauro Silva (PTdoB) de volta às atividades na Câmara Municipal de Campos após cirurgia para redução de estômago.

MISS NA CÂMARA

Orama Valetim, a campista eleita miss Estado do Rio de Janeiro está, neste momento, na Câmara dos Vereadores de Campos. Ela está foi saudada pelo vereador Albertinho e está sendo homenageada no final da Tribuna Livre de hoje.

CULTURA DA GASTANÇA

Da Folha 2 de hoje:



Cultura e Lazer

Um elefante branco e um palco móvel de R$ 347 mil

Ao lembrar que Campos tem “o maior palco fixo da América Latina”, como alardeia a propaganda oficial referindo-se ao Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop), o jornalista Ricardo André Vasconcelos veiculou no seu blog “Eu Penso que...” que a prefeitura, através da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, pagou no dia 2 de agosto a importância de R$ 347.857,40 à empresa Working Empreendimentos e Serviços Ltda. por serviços de palco/camarim e acessórios. 
Na postagem assegura que “o blog não pode afirmar se todo o valor refere-se ao aluguel do palco montado para apresentação dos artistas na festa de São Salvador e do show gospel que encerrou (07/08) o evento evangélico “Marcha para Jesus”. Contudo, salienta não ter dúvida de que a estrutura que estava sendo desmontada nessa segunda-feira (12) na praça São Salvador foi alugada da empresa Working. E acrescenta: “O que é uma incoerência, tendo a PMCG uma estrutura própria, sem custo e num local com mais conforto para espectadores, que é o Cepop. Sem falar no bem que faria ao caótico trânsito na área central da cidade se todos os shows fossem promovidos no Cepop”.

Altos valores
Ricardo André também faz referência aos altos cachês pagos a artistas para se apresentarem aqui — tanto no Trianon (comemorações dos 15 anos de fundação) como na festa de São Salvador. O cantor Michel Telo, que fez show na véspera do padroeiro da cidade, recebeu R$ 158.500 dos cofres da municipalidade. Já Maria Bethânia, que se apresentou no dia 31 de julho no Trianon, embolsou R$ 233.750. Como o teatro só tem 800 lugares e o ingresso custava R$ 100, mesmo se todos fossem vendidos daria uma renda de R$ 80 mil. Contudo, devem ser descontados os convidados (nada pagam), idosos e estudantes que pagam meia entrada. Quer dizer, os campistas pagaram por um espetáculo que não puderam assistir.
Sobre sua preocupação em acompanhar os gastos da Prefeitura de Campos, explicou que desde pequeno lê Diário Oficial e que nos 25 anos de exercício do jornalismo muitas pautas foram feitas a partir desta leitura. “Neste momento, faço jornalismo voluntário como exercício de cidadania. Se a municipalidade sonega algumas informações à população, de minha parte, dentro das limitações, procuro informá-la. É fundamental que todo cidadão saiba como está sendo gasto o dinheiro que é arrecadado”, observou.
Para Ricardo André, se a prefeitura, através de suas assessorias, não responde às colocações feitas no blog, não faz diferença: “Vou continuar exercendo o meu direito de informar e, quanto à municipalidade, caberá aos órgãos competentes julgá-la. Quando faço alguma postagem não emito juízo de valor — não estou suspeitando de ninguém —, mas não abro mão de continuar veiculando fatos ligados à administração municipal”. Tanto a secretaria de Comunicação como a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima não se pronunciaram sobre o assunto até o fechamento da matéria, mesmo tendo sido acionadas através de e-mails e telefonemas.
Celso Cordeiro Filho
13/08/2013 13:52

ROSINHA CONTRATA WORKING, POR MEIO MILHÃO, PARA ALUGAR PALCOS

Está no D.O. de hoje extrato do contrato  098 13 no qual a Fundação Cultural Oswaldo Lima contrata, por R$ 501.215,00 a empresa WORKING EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA, para serviços de locação de estruturas de palco pelo prazo de 60 dias.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

UENF 20 ANOS


Informativo da UENF
Campos dos Goytacazes (RJ), segunda, 12 de agosto de 2013 – Nº 3.173

Aberta a programação dos 20 anos da UENF

O hasteamento da bandeira ocorreu na entrada do campus
O hasteamento da bandeira ocorreu na entrada do campus
Com a participação da Banda da Polícia Militar, foi realizada na manhã desta segunda-feira, 12/08, a cerimônia de Hasteamento da Bandeira, dando início às atividades comemorativas dos 20 anos da UENF. A cerimônia, realizada na entrada do campus universitário, contou com a presença do reitor da UENF, Silvério de Paiva Freitas; do vice-reitor, Edson Correa da Silva; e do diretor geral administrativo, Antônio Constantino de Campos, além de outras autoridades.
Ainda nesta segunda-feira, às 18h, na quadra da Reitoria, haverá a abertura do Torneio de Futebol de Salão, com a participação de quatro equipes formadas por servidores da UENF. E às 19h, haverá a abertura da Exposição “UENF, uma memória nos seus 20 anos”, no Centro de Convenções da UENF.
Nesta terça, 13/08, a programação começa com a inauguração do Espaço Agroecológico Cícero Guedes, na área do prédio P5 onde funciona habitualmente a Feirinha Agroecológica – da qual o assentado participava ativamente. Assassinado em 26/01/13, Cícero era parceiro de vários projetos de pesquisa e extensão da UENF.  Às 17h, no Auditório 4 do Centro de Convenções, ocorrerá o lançamento do livro “Uma Casa, muitas vozes: histórias dos primeiros 20 anos da Uenf”, elaborado pelos jornalistas Gustavo Smiderle e Fúlvia D’Alessandri. Em seguida haverá coquetel e a Noite Cultural, com apresentações de dança, coral, show de humor e exposições, no Anfiteatro do Centro de Convenções.
estatuas montagem 3-web
O escultor Hildebrando Lima, ao lado das estátuas
Esculturas – Foram montadas na última sexta-feira, 09/08, no Centro de Convenções da UENF, as estátuas de bronze de Leonel Brizola, Oscar Niemeyer e Darcy Ribeiro, que deverão ser inauguradas na próxima sexta-feira, 16/08 — dia em que a Universidade estará completando 20 anos de existência.
Em tamanho natural, as estátuas foram esculpidas pelo artista plástico Hildebrando José de Souza Lima, formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  A inauguração das estátuas deverá ocorrer às 14h de sexta-feira, antes da Sessão Solene do Conselho Universitário da UENF alusivo aos 20 anos.
As estátuas eternizarão a imagem dos três fundadores da UENF logo na entrada do Centro de Convenções, que a partir de sexta também ganhará o nome do autor do projeto arquitetônico do campus da UENF, Oscar Niemeyer.
Veja aqui a programação completa dos 20 anos da UENF.

PROVA PARA PROFESSOR TEMPORÁRIO DA PMCG REMARCADA PARA DOMINGO










Depois que conseguiu, no Tribunal de Justiça, suspender a liminar que suspendia a realização do processo seletivo simplificado (o Reda da Educação), a Prefeitura de Campos confirmou para o próximo dia próximo domingo, dia18 de agosto, a realização da prova objetiva para contratação de 489 professores substitutos. As provas serão realizadas na Universo, a partir das 9h. A prova estava marcada para o último dia 27 mas foi suspensa em função de liminar concedida pela justiça local numa ação popular movida pelo advogado José Paes Neto.
A errata ao edital foi publicado no Diário Oficial do Município hoje (veja acima). São 1349 inscritos e os salários são de R$ 1.403,55 e R$1.901,95 (professores I e II).

AO BRIZOLA O QUE É DO BRIZOLA

                                                                               Fotos: Ricardo André Vasconcelos (12/08/2013 e 30/07/2013)

Os diretores do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), a ex-Emut, têm bom senso.  Alertados do crime que estavam cometendo em nome de uma bajulação infantil eles tiraram, tão logo foi publicado (aqui) e susbstituíram, neste final de semana, a placa que identificava com o nome da prefeita Rosinha a ponte que liga a Avenida Hélion Póvoa (Centro) à Avenida Tancredo Neves (Guarus). O erro foi corrigido e nova placa instalada com o nome do ex-governador Leonel Brizola, conforme a Lei  estadual 5863/2011.
A lei, que parece apenas um detalhe, foi cumprida. 

domingo, 11 de agosto de 2013

UPP E AMNÉSIA OPORTUNISTA




A UPP é uma mentira?


É irresponsável com os jovens do asfalto e do morro tentar dinamitar o projeto das UPPs

RUTH DE AQUINO

09/08/2013 21h08 - Atualizado em 10/08/2013 11h21



Só os ingênuos, sem perspectiva histórica ou com má-fé podem proclamar que a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) é uma enganação para inglês ver. Que jovens de 18 anos de berço esplêndido confundam tudo, até entendo. Mas adultos que sobreviveram aos governos Garotinho e Rosinha (argh!) e à última fase da prefeitura Cesar Maia (argh!) só têm uma desculpa para dizer que a UPP é uma mentira: a pendenga partidária que desmerece tudo que vier de um adversário político. Quando bandeiras de partidos substituem os valores de nossa consciência, a vida e a inteligência naufragam.

Impossível não lembrar – a não ser que sejamos acometidos de uma amnésia oportunista – o pacote dos ex-desgovernos do Rio: a politização da política de segurança do Estado, os pactos sórdidos com traficantes, o descontrole no número de “autos de resistência” (eufemismo para extermínios nos becos por homens fardados), a absurda mortalidade de jovens favelados em brigas de gangues, o abandono total das favelas, que se espalhavam pelas matas e por áreas de risco.

Texto na Íntegra aqui.

AMARILDO

De O Globo de hoje, segundo caderno, página 2:


Caetano Veloso
O colunista escreve aos domingos

Pai

Que todo o país pense em Amarildo como o representante do Pai que dá à pátria o nome de pátria

O desaparecimento de Amarildo Dias de Souza, depois de ter sido levado à UPP da Rocinha, é o acontecimento mais impactante nesse período de eventos marcantes na cidade. É, na verdade, dilacerante saber que um pai de família sumiu sem que autoridades que o levaram tenham apresentado explicações para o fato, apenas porque isso seria tido como natural no ambiente onde ele vivia. Quando multidões de jovens saem às ruas para exigir responsabilidade de seus governantes, ter a polícia admitindo ocorrência tão terrível é sinal de que as partes da nossa sociedade vinham mesmo se comunicando muito insatisfatoriamente entre si. O cuidado extremo deveria pautar as ações policiais. Mas não. Além dos abusos exibidos na repressão às passeatas, o desrespeito à vida dessa família grita que a brutalidade contra os cidadãos pobres não quer nem mesmo fingir que se envergonha de perpetuar-se.
Quando eu estava num xadrez da Polícia do Exército, durante o governo militar, no quartel de Deodoro, ouvi diversas vezes, à noite, gritos e gemidos estarrecedores, não raro seguidos de comandos de emergência, “traz a padiola”, os urros da vítima dando lugar, depois de uns segundos de silêncio terrível, à azáfama dos algozes. Eu estava entre presos políticos (Gil, Ferreira Gullar, Antonio Callado, Paulo Francis, Perfeito Fortuna eram alguns deles) e havia uma ordem de não nos molestar, agredir ou ferir. Os companheiros de xadrez (estávamos divididos em dois grupos, cada um numa cela) diziam que aqueles gritos podiam ser de outros presos políticos, trazidos de diferentes quartéis, os quais não seriam, como nós, meros artistas, intelectuais e estudantes acusados de subversão, mas ativistas ligados à luta armada. No entanto, a hipótese mais resistente (talvez contando com coisas entreouvidas aos carcereiros) era a de que fossem “criminosos comuns”, gente pobre dos subúrbios e das favelas a sofrerem aqueles maus tratos (alguns pareciam perder a vida nessas sessões).
Desde então fiquei com uma ideia da sociedade brasileira que eu não seria capaz de conceber antes. Estivera sempre entre pessoas que queriam lutar contra a desigualdade. Mas eu vinha de uma cidade pequena e calma, sem ninguém muito rico nem muito pobre. Numa região úmida e fértil, na saída de um rio, não se viam pessoas passando fome. Havia os loucos de rua: eram achincalhados pelas crianças e tratados com condescendência pelos adultos. Na cadeia municipal às vezes ia parar um ladrão, um suspeito de crime passional cometido na área rural, uns moleques que brigavam embriagados. Pertencendo a uma baixa classe média de uma cidade em que os extremos não eram evidentes, concebíamos a disparidade social quase abstratamente. Meu pai tinha amigos de esquerda, a maioria vivendo em Salvador e todos com formação intelectual sólida. Havia um comunista que me comovia: era um barbeiro, mulato claro, alto, de origem claramente popular. Na verdade, era o único, em minha cidade, de quem se dizia pertencer ao Partido Comunista Brasileiro. Drogas, só em filmes americanos e em lendas que rodeavam a fama de grandes músicos de jazz não brasileiros e, entre os nossos, a de Orlando Silva e Lúcio Alves. A possibilidade de que, no quartel da PE, gente pobre pudesse estar sendo espancada me levou à sensação amarga quase traduzível pelo “odeio o Brasil” que, dolorosamente, nomeou um artigo de Francisco Bosco não faz muito tempo.
Mas o Brasil da violência cruel contra cidadãos indefesos é mesmo digno de ser odiado. Sem alguma fúria e certa gravidade não estaremos nem mesmo pensando sobre o Brasil. Essa lição que aprendi em Deodoro, em 1968, nunca foi esquecida. E seu sentido vem à tona diante de um caso como o de Amarildo, um ajudante de pedreiro, conhecido pelos vizinhos como homem muito trabalhador, pai de seis filhos, que sumiu, repito, ao ser levado para a UPP da Rocinha. E justo nesse julho. E logo numa UPP. É doloroso que os mínimos movimentos que sugerem ação eficaz do estado na sociedade se exponham assim como que a clamar por revolta. Há umas quase injustiças históricas na situação densa que estamos vivendo. Mas trata-se de outra coisa. Trata-se de termos carregado desde sempre males muito profundos, e quando eles esboçam se expressar formam zonas de desacertos, sensação de desperdício, incômodo dobrado.
As lojas, a mídia, o povo, todos celebram neste domingo o Dia dos Pais. Que todo o país pense nesse pai de seis como o representante do Pai que dá à pátria o nome de pátria.
Temos de encarar o problema da injustiça. O Brasil luminoso só surgirá se superarmos o que somos. É o nome de Amarildo que devemos repetir para todos e para cada um de nós mesmos.


ENTREVISTA DE SOFFIATI É UM CHAMADO À REFLEXÃO




Arthur Soffiati: “Desde 1989, a cultura de Campos é populista e autoritária”

Desde que se iniciou o ciclo do “garotismo” em Campos, há quase 25 anos, a cultura pública de Campos é populista e autoritária, por razões não apenas políticas, mas visando também a prática de ilícitos financeiros. A afirmação é do professor, escritor, ambientalista e imortal da Academia Campista de Letras (ACL) Aristides Arthur Soffiati, que historiografou a origem de muitas das práticas e rumos da cultura do município, questionadas no debate gerado pela denúncia de censura à peça “Bonitinha, mas ordinária”, de Nelson Rodrigues, no Trianon, por supostos motivos religiosos da prefeita Rosinha (relembre o caso aqui e aqui, que ganhou mídia nacional aqui e aqui). Aliás, para Soffiati, a discussão é bem mais importante que seus motivos. Nela, não apenas a Prefeitura e Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL) são vidraça, mas também o Ministério Público Estadual local, por não fiscalizar os indícios de superfaturamento nos shows contratados pelas duas primeiras. Também os produtores de cultura de Campos e as universidades aqui instaladas não escaparam da análise crítica. Para Soffiati: “A gente pensa que os artistas e intelectuais invariavelmente têm caráter e comportamento ético. Não é bem assim”.
Folha Dois – Em comentários na blogosfera e nas redes sociais (aqui), você disse estar acompanhando a discussão da cultura de Campos, a partir da denúncia de censura à peça “Bonitinha, mas ordinária”, de Nelson Rodrigues, por supostos motivos religiosos da prefeita Rosinha. O que tem achado do debate?
Arthur Soffiati - Entre os historiadores, a última discussão importante ocorreu há 30 anos, girando em torno da escravidão no Brasil. Hoje, os historiadores só querem produzir artiguinhos para publicar e pontuar no Currículo Lattes. A falta de discussão empobrece a vida cultural. Assim, mesmo que o debate em torno da censura da prefeitura por supostos motivos religiosos da peça “Bonitinha, mas ordinária” esteja pautada por uma polarização maniqueísta, ela tem o mérito de oxigenar nosso anêmico meio cultural.
Folha – Você citou o pensador francês Abraham Moles, que definia as políticas públicas de cultura como sendo informais, populistas, autoritárias e/ou democráticas. A partir do primeiro governo Anthony Matheus, em 1989, você identificou a cultura pública de Campos num misto entre populista e autoritária. Por quê? Como torná-la democrática?
Soffiati - Ao contrário de Zezé Barbosa e dos prefeitos anteriores a ele, Garotinho entendeu que é possível fazer política partidária com cultura. Tão logo ele assumiu, os produtores de cultura pediram-lhe uma reunião informal. Eu estava lá. Todos tinham ideias a expor. Garotinho encerrou a reunião dizendo que promoveria um grande encontro de rock. Já de início, ele se mostrou autoritário, ao não querer ouvir ninguém, e populista, propondo um evento tipicamente populista. Houve também um evento formal no Palácio da Cultura. Fui convidado a falar. Propus um amplo plano de cultura para discussão. Garotinho, então, me perguntou se eu sabia o que era o nazismo. Respondi que sabia melhor do que ele, na condição professor de história. Entendi, então, que seria difícil discutir cultura no seu governo e que o nome de Hitler era bastante emblemático naquele contexto. Uma política de cultura democrática é discutida com todos os interessados e até mesmo com a população. Ela é construída coletivamente, ainda que sua formatação final seja efetuada por especialistas. Ela requer diálogo permanente entre governo e sociedade, sobretudo com os envolvidos diretamente com cultura.
Folha – Em sua classificação da política municipal de Campos como populista, você afirmou que ela seria usada como maneira de ganhar dinheiro ilícito. Por grave, poderia exemplificar a denúncia, neste ou em outros governos? E, se realmente existe, por que o Ministério Público e a Justiça nada fazem?
Soffiati - Repito apenas o que leio na imprensa escrita e eletrônica e o que consta no próprio site da Prefeitura: valores muito acima dos tabelados para a contratação de cantores, grupos de teatro e outros. Como a política cultural desde a primeira eleição de Garotinho é populista, as somas aplicadas em cultura foram crescendo progressivamente. Muitas perguntas sobre recursos aplicados em cultura estão sem resposta. Então, lanço outra pergunta: por que o Ministério Público Estadual não instaura um inquérito civil público sobre a caixa preta da cultura? Ele não precisa de denúncia específica, embora sua postura tenha sido a de inércia, característica do Judiciário. Bastam as notícias de jornal. Mas, se precisa, entendo que os produtores culturais poderiam encaminhar notícia ao MP. Se não sabem redigir uma notícia, comprometo-me a fazê-la desde que os interessados a assinem em conjunto.
Folha – Acredita que as contratações municipais da banda A Massa, cujo percursionista é marido da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, são encarados como assunto tabu na cultura pública de Campos? Por que essa pergunta não é feita ou respondida?
Soffiati - De fato, a banda “A Massa” deve ser sagrada. Como vivemos numa cultura dessacralizada, creio que a pergunta deve ser colocada preferencialmente pelos agentes de cultura e respondida pelo poder público.
Folha – Você também citou sua passagem como gestor público de cultura, no último governo Zezé Barbosa. Como foi passar da teoria à prática? A experiência serviu para mudar sua maneira de ver a cultura, especificamente a de Campos? Em quê?
Soffiati - Fui provocado a sair da condição de estilingue para assumir a de vidraça, figura, aliás, que considero muito batida. Aceitei. Eu tinha algo a dizer. Inclusive, com o esboço de uma política cultural democrática, convidei os agentes de cultura para uma reunião. Notei resistência da parte deles, talvez por eu não ser considerado artista ou produtor de cultura, talvez por estar no poder. Vários deles, posteriormente, ocuparam cargos em governos. Lembro aqui o nome do campista Danilo Santos de Miranda, que coordena a cultura do Sesc/São Paulo. Ele não é artista, mas, como pensador da cultura, sabe muito bem o que fazer, inclusive melhor do que os ministros da cultura. É discutível pensar que só artistas entendem de cultura. Minha experiência enquanto gestor de cultura reforçou a concepção que tenho de política cultural democrática, mas me mostrou que é muito difícil, talvez impossível, implementá-la em qualquer instância da federação. O Brasil passou de colônia a uma monarquia centralizada, em que o imperador enfeixava em suas mãos dois poderes dos quatro definidos pela Carta Constitucional de 1824. Na República, adotou-se o federalismo, mas nossa tendência, nas crises, é retornar ao unitarismo do Império. Nos Estados Unidos é o contrário: de uma confederação, avançou-se para uma federação. Sempre que há crises graves, a tendência é voltar ao confederalismo. Em resumo, admito que é muito difícil ser democrata num contexto cultural autoritário.
Folha – Seu filho, o professor Gustavo Landim Soffiati, também entrou no debate, lembrando (aqui) a ironia de um grupo político que se formou no teatro, se lançando à vida pública na ocupação do Teatro de Bolso, passados quase 25 anos no poder, tenha na cultura um de seus calcanhares de Aquiles. No caso, onde falhou a imitação entre a arte e a vida?
Soffiati - Garotinho sempre teve um perfil autoritário. Conheço-o desde o tempo em que tinha o apelido de Bolinha, no Liceu. Até a maneira de ele fazer oposição é arrogante, usando para os adversários o deboche e a ridicularização. No princípio, ele enganou os democratas, mas depois de tanto tempo na vida pública, dentro ou fora do poder, não foi mais possível ficar no armário. Em síntese, no tempo em que ele militou no teatro de Campos e na literatura de cordel, foi possível ocultar sua vertente autoritária e populista. Vinte e quatro anos depois, não lhe é possível mais usar máscaras. Hoje, ele mostra, de fato, qual a sua visão de cultura, mesmo no momento de fazer poesia para sua esposa.
Folha – Inegáveis os anos de militância que pessoas como Orávio de Campos Soares, João Vicente Alvarenga e Maria Helena Gomes, entre outros, têm na história cultural de Campos. No poder público, eles não poderiam fazer a diferença no sentido positivo?
Soffiati – Tive grande prazer em assessorar Diva Abreu Barbosa no departamento de Cultura. Acho até que a carta branca que ela me deu chegava a ser transparente. Se dependesse dela, tudo o que sonhei e planejei seria colocado em prática. A Casa de Cultura José Cândido de Carvalho, em Goytacazes, foi uma gota d’água no oceano dos nossos planos. Mesmo almejando ser um Titanic, esbarrei no iceberg de Zezé Barbosa e naufraguei. É em momentos como esse que se mede a estatura moral do gestor público. Sei que não é possível colocar tudo em prática no tempo exíguo de um mandato, mas se não é possível colocar nada, cabe pedir o chapéu e deixar o barco. Permanecer nele dá a impressão de gosto pelo poder ou pelas vantagens que ele proporciona.
Folha – Mesmo ressalvando não querer generalizar, você citou a entrevista com o professor e escritor Adriano Moura (aqui) para também bater forte naqueles que trabalham com cultura em Campos, classificando a atuação destes como “medíocre” e “partidária”. Pode explicar por quê?
Soffiati - Desde que vim morar em Campos, em 1970, noto grandezas e misérias no ambiente cultural do nosso município. Agora, generalizo: em todos os municípios brasileiros, esta é a realidade. Só que, nos grandes centros, as grandezas aparecem mais que as misérias. Aqui, além dos desentendimentos mesquinhos e crônicos entre os agentes culturais, há também a postura medíocre do ególatra, que se considera superior aos outros pelo seu conhecimento. Não há a tradição do estudo, do diálogo profícuo, da autocrítica, da reflexão. Os artistas acham que basta se apresentarem, não buscando compreender em que processo se inserem, como bem demonstrou o crítico literário Alcir Pécora com relação à literatura brasileira da atualidade. Essa mediocridade favorece a bajulação ao poder e a partidarização do intelectual e artista. Ele precisa do poder para se realizar, não para servir à sociedade. Assim, fica fácil para o poder atrair e sustentar o agente de cultura. Ele está no poder não para atender ao público, mas para realizar suas ambições pessoais e para ter uma fonte de renda. Claro que não generalizo, mas o perfil dominante é este.
Folha – Até que ponto a reação dos artistas de Campos, a partir da denúncia de censura à peça de Nelson, pode ter sido, pelo menos em parte, uma tentativa de quem estava de fora das benesses governamentais de forçar e/ou encarecer a venda do passe à cooptação pública municipal?
Soffiati - Minha resposta seria condenada pelo subjetivismo, já que não é possível conhecer as reais intenções dos manifestantes. Contudo, tenho dúvidas se algum manifestante agiria de forma diferente se estivesse na condição de gestor, pois, no poder, nossos intelectuais e artistas costumam defender seus patrões. Sei também de agentes culturais que não se incomodam com o caráter religioso de promoções se estiver no poder. A gente pensa que os artistas e intelectuais invariavelmente têm caráter e comportamento ético. Não é bem assim.
Folha – Além das supostas motivações da classe artística local, você questionou também sua formação, ao afirmar que para trabalhar com a produção de cultura, além do desejo, é preciso saber se situar em suas várias manifestações. Neste particular, em que e como a Prefeitura bilionária e as universidades locais poderiam contribuir?
Soffiati - A Prefeitura bilionária poderia e deveria muito bem promover oportunidades para o aprimoramento do artista e do intelectual. A universidade pública idem. Continuarei com minha franqueza nesta resposta. O poder público quer cultura pronta e rasteira. É mais fácil comprar eventos do que promover o aprimoramento dos agentes de cultura. Além do mais, eventos movimentam somas muito mais vultosas do que cursos, o que favorece práticas ilícitas. Se a política cultural é populista, claro que um evento com artistas de renome nacional e internacional rende mais voto do que um curso. Já a universidade pública, onde atuei durante muitos anos da minha vida, cada vez mais se fecha em torno de si mesma, alheia ao mundo exterior. Mas há um traço crucial: os agentes de cultura pleiteiam cursos, mas são muito vaidosos para segui-los. Acham que conhecem muito bem o seu ofício.
Folha – Você também citou vários nomes da cultura goitacá que se destacaram fora da planície. Em termos culturais, Campos seria como o Brasil no futebol, obrigada a exportar seus melhores valores para centros mais desenvolvidos, para que lá eles possam alcançar seu esplendor? Como estancar esse processo? Não há quem brilhe mesmo permanecendo aqui?
Soffiati – De fato, a província restringe os horizontes do intelectual e do artista. Numa entrevista, perguntaram ao falecido violoncelista soviético Mstislav Rostropovich, um dos maiores do mundo, por que ele deixou seu país. Ele respondeu que a União Soviética proporcionava, gratuitamente, uma educação básica excelente, mas depois podava a liberdade do artista. Por isso, ele deixou seu país. A província não proporciona nem educação básica de qualidade nem oportunidade de expressão. Assim, quem tem coragem e deseja voos mais altos acaba partindo. A situação é diferente da do craque de futebol, cujo passe é comprado por grandes times do exterior. O intelectual e artista potencial têm de arriscar. Tomo o caso do meu amigo Carlos Eduardo Berriel. Ele saiu de Campos sem dinheiro, passou muito tempo comendo macarrão e farinha, tocou bumbo no Exército da Salvação para minimamente se sustentar. Hoje, é professor da Unicamp e um dos intelectuais mais respeitados do Brasil. Ele ama a província, mas não pode retornar a ela, a menos que se aposente. Por outro lado, considero aquele que fica também um corajoso. Foram corajosos aqueles que enfrentaram a ditadura militar sem sair do Brasil. Eles não se beneficiaram do exílio em centros culturais de excelência no exterior. Ser artista e intelectual na província não é fácil, mas é possível se o agente de cultura empreender uma reflexão permanente de sua condição de criador de cultura. Isto vale para os governos.
Folha – Se nem os antropólogos, que se dedicam a estudar a cultura, conseguiram ainda defini-la, como podemos tentar fazê-lo? Em sua opinião, por que o tema é sempre tão complexo?
Soffiati - É preciso distinguir dois sentidos de cultura: aquela objeto de estudo dos antropólogos e aquela entendida como uma dimensão das sociedades complexas. Para o antropólogo, tudo o que uma sociedade produz é cultura. Ele tanto pode estudar a cultura de povos nativos quanto a cultura cotidiana dos moradores de Campos. Já o agente de cultura promove o pensamento, a literatura, as artes visuais, o teatro, a música, a proteção do patrimônio cultural. Nos dois casos, a questão é complexa em si mesma. Retirar-lhe a complexidade significa reduzi-la e empobrecê-la. É salutar que existam várias correntes buscando interpretá-las. É democrático que as várias correntes dialoguem e discutam.
Folha – Em relação à cultura de Campos, você escreveu que não estamos diante de um filme entre bandidos e mocinhos. Neste sentido, estaríamos mais para um western de Sergio Leone do que de John Ford?
Soffiati - Pessoas adultas e maduras sabem que o maniqueísmo do profeta Mani só existe no plano metafísico. No mundo sublunar, Sergio Leone se aproxima mais da realidade do que John Ford, com toda a genialidade deste, pois, para o primeiro, o mocinho tem algo de bandido e vice-versa. Minha análise não é moralista a ponto de esperar dos agentes de cultura uma postura ética exemplar. Mas tudo tem limite.

CARTUNISTA ARGENTINA AMANHÃ NO RODA VIVA





Conhecida no mundo todo pela série em quadrinhos Mulheres Alteradas, Maitena Burundarena é a convidada especial do Roda Viva desta segunda-feira (12/8). A artista fala do seu processo criativo, literatura e do feminismo no século 21. O programa vai ao ar às 22h, na TV Cultura.
Maitena nasceu em 1962, em Buenos Aires. Começou a desenhar por influência de sua mãe, arquiteta. Deu os primeiros passos em sua carreira trabalhando como ilustradora gráfica em jornais, revistas e editoras argentinas. Inclinou-se ainda a escrever contos eróticos e, depois, a transformar os dilemas do universo feminino em charges, a maioria carregada de um humor cáustico e impiedoso. Fruto disso foram os livros da série Mulheres Alteradas, criada no início dos anos 1990 e que lhe rendeu sucesso internacional.
Recentemente, Maitena deixou os desenhos um pouco de lado para se dedicar à literatura. Resultado da empreitada é o romance Segredos de Menina, lançado em junho no Brasil. Ambientado em Buenos Aires, ele retrata as inquietações de uma adolescente durante a ditadura militar. O livro tem traços biográficos, sobretudo por seu pai ter assumido um ministério durante o pleito do general Roberto Viola. 
Com apresentação de Mario Sergio Conti, o programa conta com uma bancada de entrevistadores composta por Caco Galhardo (cartunista), Cynthia de Almeida (jornalista e colunista da revistaClaudia), Ana Olmos (psicanalista e pesquisadora da Universidade de São Paulo), Eleonora Gosman (correspondente do jornal Clarín) e Paulo Ramos (professor de letras da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp). A atração tem também a participação fixa do cartunista Paulo Caruso.
Texto: TV Cultura
Ilustrações abaixo: pesquisa do Blog no Google.





MÍDIA NINJA. FRENTE E VERSO.

UM LADO:



MÍDIA NINJA

Uma ruptura na indústria cultural

Por Luciano Martins Costa em 09/08/2013 na edição 758

A mídia tradicional descobriu o fenômeno da Mídia Ninja durante o período em que as manifestações de protesto que ocuparam grandes cidades brasileiras degeneraram em depredações e ações violentas da Polícia Militar. Muito rapidamente, a partir de dois artigos da jornalista e escritora Elizabeth Lorenzotti, publicados neste Observatório (ver aqui e aqui), o instigante coletivo de comunicadores ganhou intensa notoriedade, com seus integrantes sendo convidados a fazer palestras e participar de programas de debates na televisão.
Não demorou para que o grupo se tornasse também alvo de queixas e denúncias.
Nos últimos dias, manifestações isoladas, surgidas de experiências negativas com o consórcio de produtores culturais denominado Fora do Eixo, começam a se transformar num esquema organizado com o objetivo de demonizar a Mídia Ninja, apartir de problemas com a rede de ativismo cultural do qual nasceu a experiência da “massa de mídias”.
Nesta semana, o assunto chegou à revista Veja, com o tratamento rasteiro e preconceituoso que há alguns anos caracteriza a publicação semanal brasileira de maior circulação. A partir daí, como acontece com os temas onde é inoculado o veneno do antijornalismo de Veja, o debate se transformou em bate-boca.
A manifestação original que deu partida às críticas contra o Fora do Eixo, que por extensão buscam desmoralizar a Mídia Ninja, pode ser lida na página do Facebook sob responsabilidade da produtora de cinema Beatriz Seigner, de 29 anos, que ganhou certa notoriedade há dois anos ao participar da primeira coprodução entre o Brasil e a Índia (ver aqui). Em seguida, também a jornalista Laís Bellini (ver aqui) postou um relato sobre sua experiência negativa com o Fora do Eixo.

Texto na Íntegra (aqui).

OUTRO LADO:

11/08/2013 - 08:27

Em VEJA desta semana

Conheça Pablo Capilé, o líder por trás da Mídia Ninja

Ele vive entre dois mundos, com um pé fora do eixo e o outro dentro do governo.

Helena Borges
Pablo Capilé e Dilma Rousseff
Pablo Capilé e Dilma Rousseff
Pablo Santiago Capilé Mendes, de 34 anos, vive em dois mundos. No circuito Fora do Eixo (FdE), nome da comunidade que fundou e da qual é líder com status de guru, ele diz ser politicamente apartidário e defende a independência financeira do grupo a ponto de, dentro dele, fazer circular um dinheiro de mentirinha, o card. A “moeda” serve para “remunerar” o trabalho de cerca de centenas de jovens que moram nas 25 casas do FdE, espécie de repúblicas de muros grafitados onde tudo é de todo mundo -- incluindo as roupas, guardadas em um armário único e à disposição do primeiro que chegar.
Já no outro mundo em que vive, Capilé é um “companheiro”, como se referiu a ele o presidente do PT, Rui Falcão, e o dinheiro com que lida não só é de verdade como vem, em boa parte, dos cofres públicos.
O mais recente empreendimento do Fora do Eixo, por exemplo -- uma casa inaugurada em Brasília no mês de junho para hospedar convidados estrangeiros e a cúpula da organização --, foi montado com dinheiro da Fundação Banco do Brasil. A título de convênio, a fundação repassou à turma de Capilé 204.000 reais destinados, segundo sua assessoria, a “estruturação do local, salários de educadores e implementação de uma estação digital”. O Fora do Eixo tem outras duas dezenas de casas espalhadas pelo Brasil em lugares como Fortaleza, Porto Alegre e Belém do Pará. Não tão chiques nem tão bem aparelhadas quanto a de Brasília, elas abrigam, no mesmo esquema da casa de São Paulo, jovens que trabalham voluntariamente para a.
Texto na íntegra aqui.


VENDE-SE

Da Coluna do Ancelmo Góis hoje em O Globo:

VERDE E AMARELO

Empresas mamutes nacionais, como Vale, Gerdau, CSN e Usiminas, conversam para formar um consórcio.
A ideia é comprar o Porto do Açu, de Eike Batista; BNDS, Itaú de Bradesco acompanham as negociações.


ENTRE LAUDAS E ROTATIVAS A SAUDADE DE BARBOSÃO




Ao mestre, com carinho…

Conheci Seu Aluysio Barbosa no início dos anos de 1990. Tinha sido incumbido pelo então editor do Monitor Campista, Hélio Cordeiro, o Helinho, para repercutir pauta sobre o Dia da Imprensa, ou Dia do Jornalista, com diretores ou representantes dos outros jornais coirmãos. Sinceramente, não me lembro bem se era um ou outro assunto. Mas a recepção que tive quando cheguei à Folha da Manhã para entrevistá-lo continua bem viva na memória. Depois de me identificar na portaria, me indicaram uma sala para falar com o diretor do jornal. Repórter inexperiente, por um instante fiquei inseguro sobre o que perguntar a um profissional como ele. Não precisava. Sentado numa cadeira tendo à frente uma pequena mesa e uma máquina de escrever — de cor preta, se não me falha a memória —, mandou que eu me sentasse e me deixou muito à vontade para perguntar o que quisesse. A apuração foi feita e em nenhum momento me senti desconfortável como entrevistador. Me recebeu como um colega de trabalho. Nunca esqueci.
Passaram-se alguns anos, até que fui convidado pelo diretor de redação, seu filho, Aluysio Abreu Barbosa, para integrar a equipe do jornal. Lembro-me de que, quando Seu Aluysio me viu na redação, veio em minha direção meio que para que dar as boas vindas, iniciando um breve bate-papo, desses que quase nunca temos tempo dentro do que se permite num turbilhão que é nosso inquieto ambiente de trabalho. Na ocasião, o filho, Aluysio, acabara de adentrar na redação e não sabia que já nos conhecíamos. “De onde você conhece papai?”, chegou a perguntar, também entrando na breve conversa informal. Coisas que a gente guarda de momentos como esse, bacana, em relações que se afinam, apesar da diferença de idade e, de largo, de experiência de profissão. E também de vida.
Seu Aluysio estava — e está — sempre presente na redação. E tinha suas tiradas. Em outra ocasião, já como chefe de Reportagem, fiz uma brincadeira com conotação machista — se não me engano, algo em torno da primeira mulher a assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie —, apenas para “implicar” com a saudosa jornalista e colunista social Ângela Bastos, que tinha um tino para a notícia como poucos que conheci na minha vida profissional. Fiz a brincadeira e saí da redação antes de ouvir a queridíssima Ângela reagir em voz alta à piada. E esperei no corredor, pouco antes da porta de entrada, até que Ângela terminasse a “bronca”, lógico, sempre com a mesma forma carinhosa que ela também tinha com a gente. Ao sair da redação, meio que aprovando a “provocação”, Seu Aluysio não perdeu tempo: “Tá vendo, você provoca, sai da redação e depois reclama?”. E seguiu, rindo, pela escada.
Quando eu estava de saída da Folha para retornar e assumir a editoria do Monitor Campista, ficou quase um mês sem trocar uma palavra comigo. Até que, no último dia no trabalho, num sábado pela manhã, veio em minha direção: “Aqui, faz uma notinha para o Ponto Final, como despedida”. Foi a forma carinhosa de expressar sua insatisfação com a minha saída do jornal, à época. Outra característica que dispensa comentários, mas que vou comentar assim mesmo, e que, admito, passei a conhecer com maior profundidade quando retornei à casa, há pouco mais de três anos: os textos de Seu Aluysio eram fortes, firmes, mas nunca grosseiros. Quando queria colocar o dedo na ferida de algum assunto, o fazia com uma elegância de poucos.
Enfim, outras situações poderiam ser narradas aqui neste espaço sobre momentos de convivência dentro da redação, que ficou órfã há um ano, quando Seu Aluysio passou para um outro plano. Então, melhor é encerrar esta lauda. Até porque, é bem provável que só quem ainda sabe o que é uma lauda possa entender com mais profundidade esse texto. Seguem as rotativas…
(artigo publicado na edição impressa da Folha da Manhã neste domingo, 11 de agosto)