A Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima publicou, ontem, 04/11, no Diário Oficial do Município, mais alguns atos de de
inexigibilidade de licitação para contratação de artistas. A exemplo do
que fez aqui, aqui e aqui,
o Blog preparou uma quarta lista para que se possa conhecer quem são,
onde, quando, quem faz intermediação e por quanto se apresentam os
artistas em Campos dos Goytacazes. Desta vez foram incluídas também
contratações de atrações de fora da cidade.
Lindbergh Farias acaba de obter uma importante vitória jurídica em sua caminhada para ser candidato ao governo do Rio de Janeiro.
Por unanimidade, o STJ cassou a decisão tomada no ano passado pela
10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, que o condenou
improbidade administrativa e suspendeu os seus direitos políticos por
cinco anos, o que impediria, na prática, suas pretensões em 2014 (a
suspensão de seus direitos políticos só entraria em vigor depois de
esgotados todos os recursos).
A ação civil pública que originou o processo foi movida pelo
Ministério Público Estadual por causa de uma contratação sem licitação
de um fornecedor para serviços de iluminação em Nova Iguaçu, nos tempos
em que era administrada por Lindbergh.
Eliana Calmon, relatora do processo, classificou a decisão do TJ/RJ como um “aleijão jurídico”.
Escrevi nesta segunda um post em que anunciava, em tom obviamente irônico, que iria parar de escrever e, assim, fazer um bem ao Brasil: “Vou
parar de escrever para que os mansos e doces continuem mansos e doces.
Não é bom que eles se tornem ferozes porque, afinal de contas, eu tenho
um blog hospedado na VEJA e uma coluna na Folha. Vou parar de escrever
para não mais açular a paixão sanguinolenta dos cordeiros.”
Vocês
podem não acreditar, mas aconteceu: os seres trevosos começaram a
comemorar. Por algum tempo, levaram a sério. Realmente acharam que eu
fosse me intimidar com o espetáculo de truculência, de intolerância e de
baixaria a que se entregaram os sites financiados por gestões petistas e
por estatais. Mas não só eles: Miriam Leitão, que é considerada por
muitos a principal colunista de economia do país, decidiu usar a sua
coluna no Globo para comentar a contratação de um colunista feita por um
outro jornal. Deve ser inédito na história. Tento de novo: um dos nomes
mais destacados do maior grupo de comunicação do país se achou no
direito de criticar uma escolha feita por um veículo de uma outra
empresa.
Sem que ela tenha me pedido nada — escrevo o que quero —, apontei aqui em
vários textos as muitas vezes em que Miriam foi vítima de ataques
boçais, desonestos, promovidos por gente paga para caluniar, difamar,
distorcer, injuriar, sem atentar para quaisquer limites do bom senso, do
bom gosto, nada… Ainda que eu discordasse dela em muitos aspectos,
sempre considerei o óbvio: tem o direito de escrever o que pensa. Não,
senhores! Não estou fazendo muxoxos e chororôs, não! Ela não precisaria
ter me devolvido na mesma moeda. Não faço trocas. Quem me conhece sabe
disso. Respondendo a alguns leitores, informo: não estou minimamente
arrependido do que escrevi. Repetidas as circunstâncias, eu a defenderia
de novo.
O absurdo,
nesse caso, é de outra natureza. Mesmo alvo dos ataques mais indecentes
— a exemplo do que também já fizeram comigo, até fotografias suas foram
adulteradas para lhe conferir um aspecto monstruoso —, Miriam nunca
respondeu. Ela só decidiu fazê-lo agora, e se nota que os seus
detratores à esquerda não são os alvos principais de sua fúria. Não!
Escreveu aquele artigo com o fito de me atacar. O alvo era eu.
Ao
fazê-lo, arrancou elogios dos furiosos que sempre a atacaram — e talvez
isso atenda a alguma necessidade sua, que remete à ideologia, sim, mas
envereda também para o terreno da psicologia. Miriam foi militante de
esquerda — também fui. Tornou-se uma jornalista de sucesso. Entusiasta,
por bons motivos, do Plano Real, passou a ser identificada pelo petismo,
especialmente a versão petralha — sim, Miriam, petralha — como
“tucana”. Dadas as muitas deformações do debate no Brasil, foi
transformada numa espécie de ícone da, santo Deus!, “mídia neoliberal”,
que nunca existiu. Tudo estupidez. Tudo bobagem. Tudo boçalidade.
Miriam, no
entanto, não é “de direita”. A classificação deve incomodá-la. Em
relação a alguns temas, dada a geografia ideológica um tanto caótica no
Brasil, está à esquerda de muitos petistas. E, claro!, pesa o passado;
pesa a memória afetiva; pesam as afinidades pregressas. Ao emprestar o
seu peso ao linchamento de Reinado promovido pela subimprensa petista,
Miriam Leitão tenta, na verdade, enviar um sinal à esgotosfera
financiada. Ela, que nunca reagiu mesmo às maiores ignomínias, lançou-se
contra mim com a fúria dos justos. Segundo diz, “rosno” e “ladro”.
Que coisa!
Os outros, vá lá, estão, ainda que de maneira suja, ainda que
financiados, “trabalhando”. Fazem o que fazem por dinheiro. Alguns dos
que me atacam com mais virulência me cobriam de elogios até anteontem.
Como sabem que nunca me deixei impressionar pela lisonja fácil — nem a
graça de um simples cafezinho lhes dei —, também não me intimidam os
ataques os mais grotescos. Mas e Miriam? Em certo sentido, o seu ataque,
que é feito de graça — os outros recebem para isso —, é mais brutal.
Nesse caso, o que ela não suporta mesmo é a divergência; o que ela não
aceita é que possa haver um pensamento com o qual não concorda.
Disse que
“rosnei” para ela. É mentira! O link está acima. Eu apenas discordei
dela em uns dois ou três assuntos, especialmente Código Florestal e
cotas para cor de pele (o termo “raciais” é impróprio; negro e branco
não são raças) nas universidades.
Falácias Miriam Leitão dá curso à falácia grotesca, repetida pelos áulicos a
soldo, de que a imprensa estaria adernando à direita. No noticiário,
desde sempre, isso é escandalosamente falso. No colunismo, façam vocês
mesmos o levantamento: é mais falso ainda. Listem todos os colunistas
dos grandes veículos de comunicação — os nomes estão disponíveis nas
páginas eletrônicas. Consideradas todas as áreas, devem passar de duas
centenas. Vejam ali quantos poderão ser chamados NÃO DE DIREITISTAS,
mas, vá lá, de “liberais”. Não vou eu ficar aqui a categorizar pessoas,
mas não consigo chegar a dez.
Estamos,
isto sim, é diante de um espetáculo de intolerância como há muito tempo
não se via. Afinal de contas, o que há de tão errado com as opiniões de
Reinaldo Azevedo? Quais delas são incompatíveis com o estado democrático
e de direito? Quais delas violam direitos fundamentais do homem? Quais
delas agridem os fundamentos da civilidade e da civilização? Por que não
fazem o elenco das minhas opiniões inaceitáveis?
Desonestos!
Truculentos! Vigaristas! É o que são. Sempre que divirjo de um
jornalista, de um ministro do Supremo (a exemplo de Luís Roberto
Barroso, no sábado), de algum especialista, reproduzo seu texto ou fala
em vermelho, sem omitir nada, e contesto em azul. Ao fazê-lo, exponho-me
também. JAMAIS RECORRO AO EXPEDIENTE CANALHA DE EU MESMO SINTETIZAR, A
MEU GOSTO, A FALA DO OUTRO. Não me dou essa facilidade. Fiz isso,
diga-se, com o artigo de Miriam.
Não
preciso esconder ou distorcer o que o outro diz ou pensa para facilitar a
minha resposta. Ao me atacar sem dizer o que há de errado no meu
pensamento; ao engrossar uma corrente de difamação sem contestar
opiniões que eu tenha emitido; ao escolher o caminho do simples
achincalhe, DONA MIRIAM LEITÃO SE IGUALA ÀQUELES QUE A DIFAMAM. Então
por que eu? Por que comigo? De algum modo, devo ser aquele que a devolve
a seu nicho ideológico original, do qual emocionalmente ela ainda não
se distanciou.
Já
respondi, sim, de maneira inadequada a ataques covardes de que fui
vítima. Com o tempo, aprendi que muitos de seus autores buscam
notoriedade; querem é pegar uma casquinha na polêmica. Citar meu nome,
como é sabido, rende visitas. Agora mesmo, há uma legião de autores de
si mesmos, de blogueiros sem leitores, de gente que não deve ser lida
nem pelos respectivos cônjuges fazendo o diabo para ter seu nome
mencionado aqui. Já cheguei a cair nessa cilada. Não caio mais.
Muitos assistem ao linchamento em silêncio. Outros se divertem: “Vamos ver se esse cara aprende…”. Não aprendo, não! Já lhes falei a respeito aqui. Cabe mencionar mais uma vez.
Há um
textinho famoso sobre o nazismo, que merece ser lembrado. Nove entre dez
citadores o atribuem a autor indevido: Maiakovski, Bertolt Brecht ou o
brasileiro Eduardo Alves da Costa (que escreveu, com efeito, coisa bem
parecida): “Um dia, vieram e levaram
meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia
seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como
não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram
meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto
dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.”
Seu
autor é o teólogo protestante alemão Martin Niemöller (1892-1984). Ele
teve uma trajetória curiosa. Chegou a flertar com o nazismo nos
primeiros tempos. Quando, vamos dizer, já havia ficado claro quem era
Hitler e o que queria, ainda ambicionou incutir-lhe um tanto de
sensatez. Até que percebeu do que se tratava e migrou para a oposição
aberta. Foi processado em 1938 e enviado para o campo de concentração de
Dachau, onde permaneceu até o fim da guerra. Correto estava o Niemöller
do texto acima, não o que sonhou com as mãos estendidas para o ditador
facinoroso.
Encerro Não vou parar, não! Vou continuar a escrever o que penso aqui e na
Folha enquanto estiver aqui e na Folha. Se um dia não estiver mais, será
onde der: na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé… Eu
entrei numa organização clandestina com 15 anos. Era contra o governo. E
nunca mais me tornei governista — e isso inclui os oito anos de FHC.
Noto que
sou alvo da fúria sanguinolenta dos que, ao contrário de mim, sempre são
governo — alguns deles (nesse particular, não é o caso de Miriam) são
governistas desde a ditadura militar.
O Colégio 29 de Maio, a maior escola da rede municipal é a imagem da
atenção que o governo da prefeita Rosinha Garotinho dá à Educação.
Esta sim é a escola modelo da prefeitura de Campos dos Goytacazes.
Falta de calçamento dentro de pátio, a instalação elétrica é um risco
constante à integridade dos alunos e funcionários, há infiltração de
água em teto e paredes com mofo nesses locais com risco de alergias
e infecções respiratórias. Lixeiras, cadeiras e portas de salas
quebradas completam o quadro de abandono em que se encontra escola.
Até quando Dona Rosinha?
Sala de aula com rachadura no teto, infiltração e mofo nas paredes. Um quadro de abandono visível e inconstestável
O Roda Viva recebe nesta segunda-feira (4/11) o psiquiatra Valentim
Gentil Filho, para falar sobre ansiedade, depressão, uso de medicamentos
e os avanços e desafios da psiquiatria nos dias de hoje. O programa
apresentado pelo jornalista Augusto Nunes vai ao ar a partir das 22h, ao
vivo, na TV Cultura.
Estudioso do cérebro humano, o qual considera ser “o ápice da
perfeição”, o médico se interessa pelas emoções humanas e conhece
profundamente as causas e efeitos da depressão.
Valentim Gentil Filho fez Medicina na Universidade de São Paulo e
doutorado no Instituto de Psiquiatria da Universidade de Londres.
Professor titular da Faculdade de Medicina da USP, ele é um dos mais
influentes profissionais da moderna psiquiatria brasileira.
A bancada de entrevistadores será formada por Fernanda Bassette
(repórter de saúde do jornal O Estado de São Paulo), Ulisses Capozzoli
(editor-chefe da Revista Scientific American Brasil), Paulo Saldiva
(professor titular da Faculdade de Medicina da USP, especialista em
poluição atmosférica), Aureliano Biancarelli (jornalista da área de
saúde) e Luciana Saddi (psicanalista, escritora e blogueira da Folha de
São Paulo). O programa ainda tem a participação do cartunista Paulo
Caruso.
Vídeo produzido na semana passada durante exposição de um varal de fotografias sobre as escolas da rede municipal de ensino, promovida na Rodoviária Velha pelo movimento "Educadores de Campos em Luta" e "Cabruncos Livres". Alguns depoimentos são reveladores:
Atenção:
Assembleia da Rede Municipal no dia 13/11/2013 às 17h30min na Sede do
Sindicato dos trabalhadores da CEDAE (R. Marechal Floriano, 147). Vamos à
luta!
Centenas de produtores de cana-de-açúcar do Norte Fluminense se reuniram na manhã desta segunda-feira (04), em uma manifestação em frente à Câmara Municipal de Campos. O ato teve início às 9h e foi realizado em repúdio ao veto da presidente Dilma Rousseff à emenda que prevê subsídio aos produtores do Estado do Rio de Janeiro, no valor de R$12 por tonelada na safra 2011/2012. A manifestação contou com a presença de vereadores da bancado do governo e de oposição, líderes dos produtores, representantes de associações e os deputados estadual Roberto Henriques, e federal Paulo Feijó. Ao todo, cerca de 350 pessoas se reuniram e o ato contou com um trio elétrico.
Durante a manifestação, o presidente da Associação dos Plantados de Cana (Asflucan) e Secretário Municipal de Agricultura, Eduardo Crespo, informou que o deputado federal Anthony Matheus iria discutir o assunto em uma reunião às 18h desta segunda-feira, com a presidente Dilma. Eduardo Crespo não descartou novas manifestações, caso a situação não seja revertida. “Podemos fazer manifestações mais agressivas, como fechar a BR 101, a Ponte Rio - Niterói ou até mesmo ir a Brasília”, explicou.
O presidente da Coagro, Frederico Paes, também participou da manifestação e criticou o veto. “O que Dilma vetou não foram 12%, não foi uma esmola por tonelada, mas foi literalmente a salvação da lavoura”, disse.
Segundo dados da Asflucan, a região Norte Fluminense possui 2.800 produtores, sendo 1.800 em Campos. Uma planilha da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), mostra que houve queda na produção de cana-de-açúcar no Estado no Rio de 13%, enquanto houve aumento no Nordeste, de 2,3%. Para Eduardo Crespo, os números mostram a necessidade da subvenção no Estado.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve nesta segunda-feira
(4) a condenação contra o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP),
ex-prefeito da cidade, por improbidade administrativa em
superfaturamento de obra. Segundo a sentença, Maluf está proibido de
fazer negócios com o poder público e teve suspensos seus direitos
políticos por cinco anos. Além disso, terá que devolver o dinheiro
desviado e pagar multa.
Com a decisão tomada por um órgão colegiado em segunda instância, Maluf
pode, aos 82 anos, ingressar na categoria dos fichas-sujas e não
disputar eleições por oito anos.
Saiu na edição de hoje do Diário Oficial do Município a exoneração do comandante da Guarda Civil Municipal, Josué Moreira Peixoto. Em seu lugar foi nomeado, interinamente, o ex-comandante, Francisco Melo, que vai acumular com a secretaria da Paz e Ordem Social. Moreira foi nomeado em julho deste ano.
Na semana passada a prefeita já tinha exonerado o então secretário de Pesca e Aquicultura, Jaildo Vieira Reis, ex-vereador e ex-deputado federal. No caso de Vieira Reis, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), a demissão teria sido a pedido do próprio partido dele, o PRB.
O
Brasil não está ficando burro. Mas parece, pela indigência de certos
debatedores que transformaram a ofensa e as agressões espetaculosas em
argumentos. Por falta de argumentos. Esses seres surgem na suposta
esquerda, muito bem patrocinada pelos anúncios de estatais, ou na
direita hidrófoba que ganha cada vez mais espaço nos grandes jornais.
É
tão falso achar que todo o mal está no PT quanto o pensamento que
demoniza o PSDB. O PT tem defeitos que ficaram mais evidentes depois de
dez anos de poder, mas adotou políticas sociais que ajudam o país a
atenuar velhas perversidades. O PSDB não é neoliberal, basta entender o
que a expressão significa para concluir isso.
A
ele, o Brasil deve a estabilização e conquistas institucionais
inegáveis. A privatização teve defeitos pontuais, mas, no geral,
permitiu progressos consideráveis no país e é uma política vencedora,
tanto que continuou sendo usada pelo governo petista. O PT não se resume
ao mensalão, ainda que as tramas de alguns de seus dirigentes tenham
que ser punidas para haver alguma chance na luta contra a corrupção. Um
dos grandes ganhos do governo do Partido dos Trabalhadores foi mirar no
ataque à pobreza e à pobreza extrema.
Os
epítetos “petralhas” e “privataria” se igualam na estupidez
reducionista. São ofensas desqualificadoras que nada acrescentam ao
debate. São maniqueísmos que não veem nuances e complexidades. São
emburrecedores, mas rendem aos seus inventores a notoriedade que buscam.
Ou algo bem mais sonante. Tenho sido alvo dos dois lados e, em geral,
eu os ignoro por dois motivos: o que dizem não é instigante o suficiente
para merecer resposta e acho que jornalismo é aquilo que a gente faz
para os leitores, ouvintes, telespectadores e não para o outro
jornalista. Ou protojornalista. Desta vez, abrirei uma exceção, apenas
para ilustrar nossa conversa.
Recentemente,
Suzana Singer foi muito feliz ao definir como “rottweiller” um recém-
contratado pela “Folha de S.Paulo” para escrever uma coluna semanal. A
ombudsman usou essa expressão forte porque o jornalista em questão
escolheu esse estilo. Ele já rosnou para mim várias vezes, depois se
cansou, como fazem os que ladram atrás das caravanas.
Certa
vez, escreveu uma coluna em que concluía: “Desculpe-se com o senador,
Miriam”. O senador ao qual eu devia um pedido de desculpas, na opinião
dele, era Demóstenes Torres. Não costumo ler indigências mentais, porque
há sempre muita leitura relevante para escolher, mas outro dia uma
amiga me enviou o texto de um desses articulistas que buscam a fama. Ele
escreveu contra uma coluna em que eu comemorava o fato de que, um
século depois de criado, o Fed terá uma mulher no comando.
Além
de exibir um constrangedor desconhecimento do pensamento econômico
contemporâneo, ele escreveu uma grosseria: “O que importa o que a
liderança do Fed tem entre as pernas?” Mostrou que nada tem na cabeça.
Não acho que sou importante a ponto de ser tema de artigos. Cito esses
casos apenas para ilustrar o que me incomoda: o debate tem emburrecido
no Brasil. Bom é quando os jornalistas divergem e ficam no campo das
ideias: com dados, fatos e argumentos.
Isso
ajuda o leitor a pensar, escolher, refutar, acrescentar, formar seu
próprio pensamento, que pode ser equidistante dos dois lados. O que tem
feito falta no Brasil é a contundência culta e a ironia fina. Uma boa
polêmica sempre enriquece o debate. Mas pensamentos rasteiros,
argumentos desqualificadores, ofensas pessoais, de nada servem. São
lixo, mas muito rentável para quem o produz.
Neste domingo (3), às 19h30, será apresentado no Teatro Municipal Trianon, o espetáculo “Campos Comedy”, reunindo humoristas da cidade. O show de humor tem roteiro de Denise Ribeiro e direção Fabiano Gomes. Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) e estão à venda, na bilheteria do teatro. O espetáculo tem classificação de 14 anos.
Os humoristas Toninho Ferreira, Mauro Reticências, Caê Cunha, Gustavo Corradi e o grupo Três Tigres Tristes serão as atrações do espetáculo. O projeto do show segue os moldes de grupos, como o Comedia em Pé, famoso por reunir um grupo de comediantes que se apresenta em teatros.
Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) e estão à venda, na bilheteria do teatro.
Da Edição de hoje de O Dia (versão on line aqui), mas o título acima é deste Blog.:
‘Meu principal adversário é o preconceito’, diz Garotinho
Deputado federal anda
liderando pesquisas de intenção de voto a governador do Rio e diz que
partidos já o procuraram para conversar sobre alianças para 2014
Rozane Monteiro
Rio - O DEPUTADO FEDERAL
Anthony Garotinho (PR-RJ), 53 anos, anda liderando pesquisas de
intenção de voto a governador e diz que pelo menos cinco partidos já o
procuraram para conversar sobre alianças para 2014. Entre eles, tem até
legenda com pré-candidato ao governo, como o PT, partido por enquanto da
base aliada do governador Sérgio Cabral (PMDB). Se eleito, o
parlamentar de Campos dos Goytacazes garante que vai retomar o Maracanã
para o estado e avisa, para o caso de algum black bloc cruzar o caminho
de sua PM: “Comigo não vai ter moleza, não.” Na hora de posar para foto,
faz graça: “Não sou nenhum Don Juan de Marco como o Lindbergh, mas
também não estou tão acabado assim.”
'Meu principal adversário é o preconceito', diz Garotinho
Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia
O DIA: Hoje, além do sr., seis políticos
se apresentam como pré-candidatos a governador do Rio — Lindbergh
Farias (PT), Luiz Fernando Pezão (PMDB), Cesar Maia (DEM), Marcelo
Crivella (PRB), Miro Teixeira (Pros) e Jandira Feghali (PCdoB)...
ANTHONY GAROTINHO: Acho que vamos ter no máximo cinco candidatos.
O sr., Lindbergh, Crivella, Pezão...?
Sou o único garantido. Os outros eu
não sei. O Pezão depende da conjuntura do PMDB e de uma conjuntura
nacional. O Lindbergh depende da conjuntura nacional e das alianças do
PT. O Crivella depende do humor do Bispo Macedo.
Como assim?
Ele é sobrinho do Bispo Macedo. Se o
bispo disser: “Crivella, você é candidato”, ele é candidato. Se o bispo
disser: “Crivella, você não é candidato”, ele não é candidato.
E se a presidenta Dilma Rousseff pedir para o Crivella ser candidato?
Entre a Dilma e o Bispo Macedo, o Crivella obedece o Bispo Macedo.
Alguma chance de o sr. e Cesar se unirem de novo?
Ele assumiu esse compromisso...
Ele diz que não...
Ele chegou a dizer que topava ser meu vice... Mas mudou de ideia...
Mas pode ter conversa?
Não sei. As pesquisas estão mostrando que em
função do desgaste do (prefeito) Eduardo Paes (PMDB) ele (Cesar) vem
tendo uma recuperação. Vamos aguardar para ver.
O sr. já está aparecendo em primeiro
lugar em várias pesquisas, até nas feitas por outros partidos. Se a
eleição fosse hoje, com quem o sr. acha que disputaria o segundo turno?
Eu sempre trabalho para ganhar no
primeiro turno. Agora, se eu vou conseguir vai depender da minha
capacidade de sedução, de convencimento, de quebrar meu principal
adversário. Eu não considero que meu principal adversário seja nenhum
desses que você citou. Meu principal adversário é o preconceito que as
pessoas têm contra mim.
Esse preconceito é baseado em quê?
Nas inverdades que sofri por perseguição política das Organizações Globo e de grande parte da mídia do Rio. Por quê?
Porque a Globo gosta do político tutelado e eu
sou um rebelde. Essa é minha face mais parecida com o Brizola. Ninguém
me tutela. Ninguém me bota cabresto. Não sou um cidadão dessa elite que
despreza o povo. Essa elite olha para o Garotinho e diz “iiiiiiih, esse
cara...” Meu adversário é o preconceito. E como vencer esse preconceito?
Falando a verdade. A verdade quebra o
preconceito. Há quanto tempo você não me vê dar uma entrevista na Rádio
Globo, na Rádio Tupi, eu não apareço? No seu jornal, mesmo, eu quase não
apareço... Ô, deputado, estou aqui...
Você está aqui porque você está entrevistando
todos os pré-candidatos. Mas vamos ser sinceros, eu não apareço em lugar
nenhum. Por que o Cabral está com medo de sair do governo do estado
para ser candidato? Ele sabe que ele não se elege para senador. Seria
também uma vergonha renunciar ao governo para ser candidato a deputado
federal. Se o sr. for para o segundo turno e Pezão não for, ele deverá apoiar seu adversário. Como combater a máquina?
Não sei. O Pezão pode ter, de repente, uma
recaída (risos). Ele pode dizer assim: “Puxa, eu fui tão ingrato com
Garotinho, Garotinho me ajudou tanto, me tirou de Piraí e me fez ser
vice-governador do estado. Está na hora de eu retribuir de alguma
maneira.” Quem sabe ele resolve me apoiar? Não sei se vou aceitar o
apoio dele. Com que partidos o sr. vai conversar sobre alianças?
Eu trabalho com outra lógica: quando você está forte — eu ou qualquer outro candidato — os partidos te procuram. Já procuraram o sr.?
Já estão procurando. Quando você está fraco,
você só consegue ter aliança no dinheiro, é o caso do Cabral. Ninguém
está com Cabral apoiando o Pezão por amor ao PMDB. Quantos?
Pelo menos uns cinco. Algum dos partidos que têm pré-candidato hoje?
É. Alguns desses aí, também. O PT me procurou.
Dilma não é Dona Flor. Dona Flor tinha dois maridos. Dilma quer ter
quatro palanques (no Rio)... O sr. vai apoiar a Dilma?
Não sei. Eu disse ao (presidente nacional do
PT) Rui Falcão: não faço questão de exclusividade, mas faço questão de
reciprocidade. Ou seja, se ela (Dilma) gravar para um, vai ter que
gravar para outro. Se for no ato de um, vai ter que ir no de outro. Como
nós deliberamos em congresso que só vamos escolher formalmente nosso
candidato a presidente e a governador em maio... O Rui Falcão tem falado que quer todos pré-candidatos de partidos aliados no palanque da Dilma. Isso faz algum sentido?
Faz. Eu acho que isso aí vai enxugar. Vamos
aguardar. O Lindbergh hoje está inelegível: embora ele diga que não
está, ele tem duas condenações por improbidade administrativas julgadas
por colegiado. É diferente de uma decisão em primeira instância. Então,
condenação colegiada é Lei do Ficha Limpa, ele não passa. Vamos supor
que ele não consiga reverter na instância superior, ele hoje não pode
ser candidato. Os problemas que nós tivemos — o meu uma clara
perseguição política — foram em primeira instância. O sr. está dizendo que a Justiça do Estado do Rio de Janeiro o perseguiu?
A Justiça, não. Foi o governador, influenciando a decisão. Num eventual segundo turno, tem alguém que o sr. não teria como aliado de jeito nenhum?
Excluindo Pezão, nenhum. As fotos do governador e amigos em
Paris, que o sr. divulgou em seu blog em 2012, foram a origem desse
desgaste pelo qual Cabral está passando agora?
Não. O que está acontecendo agora é só uma ponta do que vai aparecer de Cabral. O sr. tem mais informações e fotos?
Vou publicar na hora certa. Qual é a hora certa?
Na campanha, ano que vem. Cabral vai ficar tão
envergonhado que vai realizar o sonho dele: vai se mudar para Paris. Não
vai conseguir mais morar no Rio. A reforma no Maracanã virou uma polêmica
sem fim por conta dos gastos com as obras e com o próprio projeto. Se
eleito, o que o sr. fará com o estádio?
Vou retomar para o estado. Assumo e vou tocar. É
patrimônio público. Vou denunciar o contrato. Quem investiu dinheiro
foi o estado. Se for eleito, o sr. manterá as UPPs?
Vamos remodelar. Voltaria com todos os
programas sociais, que ele (Cabral) acabou. Faríamos uma ocupação
diferente, precedida de investigação e prisão dos criminosos. Hoje,
Cabral lançou uma nova modalidade de exportação: ele exporta bandido
para outros estados e para outras regiões do estado. Como o sr. lidaria se tivesse um caso como o de Amarildo em sua PM?
Esse é o que veio à tona. Igual ao Amarildo tem
um monte. O que tem que fazer é fortalecer a Corregedoria Externa, que
eu criei, para você não deixar que essas pessoas atuem manchando uma
instituição que é séria, em sua maioria. Mas o processo de
desmoralização começa assim: quando quem está em cima acha que pode
fazer tudo, embaixo vira uma festa; quando o sujeito que está lá na
comunidade diz: “Poxa, eu estou aqui trabalhando, o cara está tomando
champanhe em Paris, eu quero é me dar bem.” O exemplo tem que vir de
cima. Qual a sua avaliação da atuação da PM durante os protestos?
Nos primeiros protestos, a reação foi um
desastre. A polícia estava totalmente despreparada. Depois continuou um
desastre. Está claro que esse movimento dos black blocs não é um
movimento nacional. É internacional, e começou com o Occupy Wall Street
(em Nova York), que tem uma característica anarquista. Não pode deixar o
cara sair quebrando a casa dos outros, não pode permitir que as pessoas
saiam quebrando telefone público. Com essas pessoas, tem que agir com
rigor. Aí, ele (Cabral) é duro com professores e mole com black blocs.
Não dá para entender, né? Como seria a reação da sua PM com os black blocs?
Ah, minha filha, comigo não vai ter moleza, não. Isso quer dizer o que, exatamente?
A lei, é só cumprir a lei. Se tem um grupo que
sistematicamente quebra orelhão, destruindo patrimônio público,
destruindo o patrimônio privado, você tem que prender e fazer com que
essa pessoa responda à Justiça. Prender com civilidade, não precisa de
violência. Vou prender e entregar à Justiça para ser julgado. O sr. quer ser presidente da República?
Claro, todo político quer. É um sonho.