sábado, 5 de dezembro de 2015

CAMPOS DEVE FECHAR 2015 COM REDUÇÃO DE QUASE 50% DE ROYALTIES EM RELAÇÃO AO ANO PASSADO



O Município de Campos deve fechar 2015 com uma redução de quase a 50% na arrecadação de royalties e Participação Especial (PE) em relação ao ano passado. Com o pagamento dos royalties de novembro (o depósito foi efetuado no último dia 18/11 na conta da PMCG no Banco do Brasil), o acumulado no ano é de R$ 656.212.861,41 e, com o último repasse previsto para o final deste mês, pode chegar a cerca de R$ 700 milhões. Nos dois últimos anos a Prefeitura de Campos recebeu R$ 1,3 bilhão, tanto em 2013 quanto em 2014 (reveja postagem com repasses mês a mês aqui). Abaixo, os pagamentos mensais (royalties) e trimestrais (Participação Especial).Os números foram coletados nos sites da Agência Nacional do Petróleo e Banco do Brasil.

PAGAMENTOS MENSAIS - 2015
Janeiro
R$ 40.621.895,13
Fevereiro
R$ 35.896.738,66
Março
R$ 25.798.323,57
Abril
R$ 30.059.485,02
Maio
R$ 35.191.576,39
Junho
R$ 35.427.952,81
Julho
R$ 39.219.771,00
Agosto
R$ 35.495.099,25
Setembro
R$ 34.458.572,92
Outubro
R$ 30.408.749,52
Novembro
R$ 30.855.726,03                            
Dezembro
Não pago ainda (*)
Total
R$ 373.433.890,30

(*) o pagamento será até o final deste mês e o valor
deve ficar em torno dos R$ 30 milhões.

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL (PE) - 2015
Fevereiro
R$ 103.546.191,38
Maio
R$   54.631.759,12
Agosto
R$   77.173.418,98
Novembro
R$   47.427.601,63
Total
R$  282.778.971,11



Total geral até novembro/2015 : R$ 656.212.861,41

PARA CNBB IMPEACHMENT "AMEAÇA DITAMES DEMOCRÁTICOS"



DO PORTAL DA CNBB - CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL  (aqui):

Nesta quarta-feira, 3, a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) divulgou nota "Para onde caminha o Brasil?", sobre a decisão de acolhida de pedido sobre a decisão de acolhida de pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Confira, abaixo, a íntegra do texto:
 
Para onde caminha o Brasil?
A Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo da CNBB, no ensejo da ameaça de impeachment que paira sobre o mandato da Presidente Dilma Rousseff, manifesta  imensa apreensão ante a atitude do Presidente da Câmara dos Deputados.
A ação carece de subsídios que regulem a matéria, conduzindo a sociedade ao entendimento de que há no contexto motivação de ordem estritamente embasada no exercício da política voltada para interesses contrários ao bem comum.
O País vive momentos difíceis na economia, na política e na ética, cabendo a cada um dos poderes da República o cumprimento dos preceitos republicanos.
A ordem constitucional democrática brasileira construiu solidez suficiente para não se deixar abalar por aventuras políticas que dividem ainda mais o País.
No caso presente, o comando do legislativo apropria-se da prerrogativa legal de modo inadequado. Indaga-se: que autoridade moral fundamenta uma decisão capaz de agravar a situação nacional com consequências imprevisíveis para a vida do povo? Além do mais, o impedimento de um Presidente da República ameaça ditames democráticos, conquistados a duras penas.
Auguramos que a prudência e o bem do País ultrapassem interesses espúrios.
Reiteramos o desejo de que este delicado momento não prejudique o futuro do Brasil.
É preciso caminhar no sentido da união nacional, sem quaisquer partidarismos, a fim de que possamos construir um desenvolvimento justo e sustentável.
O espírito do Natal conclama entendimento e paz. 

 Carlos Alves Moura
 Secretário Executivo
 Comissão Brasileira Justiça e Paz


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

PEZÃO DESISTE DE ANTECIPAR RECEITAS DOS ROYALTIES POR CONTA DOS JUROS ALTOS: 70%


O governador Luiz Fernando Pezão anunciou hoje que desistiu da operação financeira que permitiria a antecipação de royalties do petróleo para cobrir despesas com servidores e fornecedores e explicou:
– O Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal me cobraram quase 70% de juros. Estamos com uma taxa de juros de 14% da Selic. Se eu fizesse essa operação, teria problemas com o Tribunal de Contas do Estado e com o Ministério Público. Como, diante de uma taxa de 14% , vou pagar 70%? Vou sacrificar o futuro do estado? O país perdeu grau de investimento, o estado perdeu grau de investimento. Infelizmente, a demagogia que fizeram de aprovar a mudança do regime de petróleo nos coloca com uma espada na cabeça. O estado recebe essa receita com uma liminar que não dá certeza aos bancos de que o governo terá essa antecipação dos royalties. Por isso, a taxa de risco de 70% – detalhou Pezão. 
Pezão anunciou também que o Estado vai pagar na próxima quarta-feira a segunda parcela dos salários dos servidores referentes ao mês de novembro.
Enquanto isso, a Prefeitura de Campos ainda mantém a expectativa de concluir as suas negociações no mercado financeiro para antecipar receitas dos royalties nos próximos dias. Não há qualquer informação oficial sobre valores ou taxa de juros e nem prazo para pagamento.

Veja também no Blog de Suzy Monteiro, na Folha on line (aqui).

PARTIDOS TÊM ATÉ SEGUNDA-FEIRA PARA INDICAR INTEGRANTES DA COMISSÃO QUE VAI ANALISAR PEDIDO DE IMPEACHMENT

Após a leitura em Plenário, nesta quinta-feira (3), da decisão de aceitar o início do processo de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff, por suposto crime de responsabilidade contra a lei orçamentária, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, determinou a criação da comissão especial que vai analisar a denúncia.
Ele também solicitou aos líderes que indiquem os integrantes do colegiado. A comissão especial terá 65 deputados titulares e igual número de suplentes. A indicação poderá ser feita até a próxima segunda-feira (7) às 14 horas.
No mesmo dia, às 18 horas, haverá uma sessão extraordinária do Plenário para confirmar as indicações dos integrantes da comissão especial. Em seguida, a própria comissão se reunirá para eleger, em votação secreta, um presidente e um relator, a quem caberá o parecer sobre o processo de impedimento da presidente.
O bloco do PMDB, partido do presidente da Câmara, terá direito a indicar 25 integrantes da comissão especial, sendo a maior representação no colegiado. O bloco liderado pelo PT, partido da presidente Dilma Rousseff, será o segundo maior grupo com 19 integrantes. Também de oposição, o grupo liderado pelo PSDB terá 12 integrantes no colegiado.
A presidente Dilma Rousseff terá 10 sessões do Plenário, a partir da instalação da comissão especial, para apresentar a sua defesa.
(Da Agência Brasil)

LULA DIZ QUE "LOUCURA" DE CUNHA NÃO PODE PREVALER

Da Folha de S.Paulo
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
03/12/2015 - Rio de Janeiro - RJ - O ex presidente Lula, durante coletiva de imprensa, após encontro com o governador do RJ, Luiz Fernando Pezão. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
O ex-presidente Lula dá entrevista no Rio de Janeiro, ao lado do governador Pezão


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (3) que a "insanidade" e "loucura" do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não podem prevalecer no debate sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Após reunião com o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), no Palácio Guanabara, sede do governo estadual, o ex-presidente se disse "indignado" com o acolhimento do pedido de afastamento da presidente decidido por Cunha.
"Me sinto indignado com o que estão fazendo com o país. A presidente está fazendo um esforço incomensurável para fazer reformas. Mas o presidente da Câmara me parece que tomou a decisão de não se preocupar com o Brasil. As reformas estão demorando demais. O brasileiro está ansioso para que a economia volte a crescer", disse Lula, em entrevista coletiva ao lado de Pezão.
Lula atacou o presidente da Câmara. Afirmou que Cunha tomou sua decisão para se vingar do governo, após o PT decidir votar a favor da abertura do processo no Conselho de Ética contra o peemedebista.
"O impeachment não tem nenhuma sustentação legal. Parecia que o país estava andando para a normalidade. No dia em que a presidente aprova a meta fiscal, ela recebe como prêmio um gesto de insanidade como esse. Não podemos permitir que a insanidade de Cunha prevaleça. [...] Não podemos subordinar o país inteiro a uma visão corporativa, pessoal e de vingança do presidente da Câmara", disse o petista.
O ex-presidente disse não crer que Dilma tenha negociado com o presidente da Câmara votos em favor dele no Conselho de Ética em troca de apoio à criação da CPMF. A versão foi divulgada nesta quinta pelo peemedebista.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

GRUPOS PRÓ-IMPEACHMENT COMEMORAM EM SÃO PAULO



De O Globo:

POR MARIANA SANCHES E STELLA BORGES (ESTAGIÁRIA)
02/12/2015 19:32 / atualizado 02/12/2015 20:40
Grupo comemora decisão de Cunha na Avenida Paulista - Pedro Kirilos / Agência O Globo

SÃO PAULO — Poucos minutos depois de o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitar o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, fogos de artifício foram queimados em diferentes regiões da capital paulista. Na Zona Sul, os estampidos foram esparsos, enquanto na zona oeste, em Pinheiros, o barulho foi mais intenso. O clima festivo era claro entre os movimentos que organizaram manifestações contra Dilma ao longo do ano de 2015.

— Estávamos com o kit festa preparado — afirmou Renan Santos, um dos líderes do Movimento Brasil Livre, que conclamava eleitores insatisfeitos com Dilma a comemorar o início do processo de impedimento na Avenida Paulista, “como se o nosso time de futebol tivesse ganhando o campeonato”. Santos, no entanto, disse que não deve haver carro de som na rua, como nas manifestações anteriores contra o governo, mas que espera reunir um grande número de pessoas no cartão-postal.

— Nós já sabíamos que isso aconteceria, estávamos assistindo a um jogo de chantagem entre Cunha e PT. Uma hora esse jogo ia colapsar, como aconteceu. E quem ganha é o Brasil, é um presente de Natal para o Brasil — disse Renan.

Outro dos que irá comemorar a decisão de Cunha na Paulista é Rogério Chequer, porta-voz do Vem pra Rua, que se disse "muito animado" com o início do processo.

— Esse é um dia histórico porque finalmente um pedido que vem da população está sendo atendido.

Os movimentos contra Dilma evitaram se posicionar claramente sobre a situação de Eduardo Cunha, acusado repetidas vezes de ter recebido propina no âmbito da Operação Lava Jato. Para Chequer, embora pesem acusações contra Cunha, ele ainda é presidente da Câmara e, portanto, tem competência para tomar a decisão.

— Infelizmente, é por um motivo de barganha, mas ele é presidente da Câmara e isso é prerrogativa dele. Esse pedido não veio de políticos, veio de um clamor popular e é isso o que importa.

Já Santos, do MBL, não quis discutir a legitimidade de Cunha:

— Queremos que o Cunha saia, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra — desconversou.


REALE: "CUNHA ESCREVE CERTO POR LINHAS TORTAS"


De O Globo:

POR SILVIA AMORIM

02/12/2015 19:31 / atualizado 02/12/2015 20:19
Pedido de impeachment feito por Miguel Reale Jr é baseado em pedaladas de 2014 e 2015 - Ailton de Freitas / Agência O Globo 17/09/2015




SÃO PAULO - Um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff acatado nesta quarta-feira, o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr. lamentou as circunstâncias em que a decisão foi tomada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Embora satisfeito com a abertura de uma comissão processante, ele disse que Cunha usou o pedido de impeachment para “jogar areia nos olhos da nação”. Os advogados Hélio Bicudo e Janaína Paschoal também são signatários do pedido.

— O Cunha acaba escrevendo certo por linhas tortas porque ele usou o impeachment o tempo todo como instrumento de barganha. No momento em que ele está no desespero, diante da inevitável derrota no Conselho de Ética, ele joga o impeachment como areia nos olhos da nação sobre a sua situação. Ele acabou aceitando o impeachment por razões não corretas — afirmou Reale.

O ex-ministro, que defende o afastamento de Dilma por causa das pedaladas fiscais cometidas em 2014 e 2015, disse que os partidos apoiadores do pedido de impeachment do trio de advogados vão recorrer da decisão de Cunha de deixar de fora do processo de impeachment as irregularidade cometidas no mandato anterior de Dilma.

— Acho que ele está absolutamente errado. Nós explicamos as razões pelas quais se aplicam os fatos do mandato anterior no mandato atual, usando inclusive decisões da própria Câmara e do Supremo Tribunal Federal. Portanto, haverá recurso a essa parte que ele negou.

Para Hélio Bicudo, Cunha não fez favor a ninguém aceitando o pedido de impeachment.

— Ele praticou um ato de ofício apenas. Ele não fez favor nenhum a ninguém. O andamento agora compete à Câmara. Naturalmente vai haver uma comissão formada por vários partidos. Essa comissão dará um parecer, que vai para o plenário e se decide se abre ou não um processo de impeachment — afirmou o jurista.

Ele não quis comentar as circunstâncias políticas que pautaram a decisão do presidente da Câmara.

Já Reale voltou a defender o afastamento de Cunha da Presidência da Câmara. Para ele, o peemedebista, investigado por suspeita de ter recebido recursos provenientes de desvios na Petrobras, não tem legitimidade para conduzir o processo contra Dilma.
— Eu sempre defendi que ele se afastasse da Presidência da Câmara. Continuo achando que ele deve se afastar.

O jurista acredita que as forças favoráveis ao governo e à presidente devem usar os interesses pessoais que motivaram Cunha a tomar sua decisão para impedir na Justiça a abertura da comissão processante. Mas, para ele, não terão sucesso.

— Não acho que vão conseguir barrar. Evidentemente que vão explorar esse aspecto — disse.



COMISSÃO QUE VAI ANALISAR PEDIDO DE IMPEACHMENT TERÁ 66 MEMBROS

A decisão do presidente da Camara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de aceitar o pedido de impeachment da presidente Dilma, será lida na sessão de amanhã, quinta-feira, da Câmara dos Deputados. A partir daí será nomeada uma comissão com 66 deputados federais para a tramitação. Veja a decisão de Cunha na íntegra:
arquivo em PDF (aqui).

DILMA FALA POUCO E CUTUCA CUNHA: "EU NÃO TENHO CONTA NO EXTERIOR"



Num discurso poucos minutos, a presidente Dilma Rousseff disse que está tranquila de que o processo de impeachment será arquivado em nome do estado democrático de direito.
Deu várias alfinetadas no presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Disse que não tem conta no exterior (Cunha tem), que não sonegou bens e que não admite barganhas políticas, sugerindo que nos últimos dias o presidente da Câmara teria tentando barganhar apoio contra sua cessação no Conselho de Ética em troca de não iniciar o processo de impeachment.

DILMA PRECISA DE 171 DEPUTADOS PARA BARRAR O IMPEACHMENT


A decisão de Eduardo Cunha de aceitar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff é só o começo do processo. Agora vai ser criada uma comissão com tramitação própria, prazo para defesa e depois o relatório final precisa de 2/3 dos votos dos 513 deputados  (342 deputados) para o processo ser instalado no Senado. Portanto, se a presidente Dilma tiver 171 deputados em seu favor e voltar contra o relatório da Comissão (se este for favorável ao afastamento), o impeachment morre na Câmara.
Veja aqui no G1 o passo a passo do processo.

GOVERNO VAI AO STF CONTRA DECISÃO DE CUNHA DE DEFLAGRAR PROCESSO DE IMPEACHMENT



Uma das medidas em estudo, neste momento, na reunião de assessores jurídicos e ministros com a presidente Dilma Rousseff, é questionar a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no Supremo Tribunal Federal (STF) e sustar a tramitação do processo de impeachment.

Como a a base da denúncia dos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale e Janaína Paschoal são as chamadas "pedaladas fiscais", eles acreditam na possibilidade de o STF não considerar a questão um caso de crime de improbidade.

PAPEL DE CUNHA TERMINA NA ACEITAÇÃO DO IMPEACHMENT, DIZ MINISTRO DO STF


CUNHA INICIA PROCESSO DE IMPEACHMENT DE DILMA. PRESIDENTE VAI FAZER PRONUNCIAMENTO DAQUI A POUCO

Cunha e Dilma: Dez meses de relação tensa e chantagem explícita na pior relação entre Legislativo e Executivo na era democrática


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, anunciou há pouco que aceitou o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Das sete solicitações de afastamento que ainda estavam aguardando análise, Cunha aceitou o requerimento formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, que inclui as chamadas “pedaladas fiscais” do governo em 2015, que são manobras contábeis usadas pelo governo federal para maquiar gastos além dos limites legais.
Com a decisão, Cunha praticamente adia sua prisão por ordem do STF, que já teria elementos suficientes para decretar seu encarceramento por conta de sua participação nas falcatruas descobertas na Operação Lava Jato. Com a decisão de hoje, a prisão de Cunha poderia soar como represália do governo.
Por sua vez, a presidente Dilma se prepara para fazer um pronunciamento à Nação antes das 21h. Sua performance pode definir algum tipo de apoio ou nenhum durante o processo de impeachment, mas como se sabe, a presidente não tem, entre as suas qualidades, o dom a oratória.
Se apelar pela sinceridade pura e simples, tem alguma chance.
Pelo menos Cunha não tem como mais fazer chantagem e nem o governo precisa apoiá-lo para perder votações na Câmara.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

EDSON BATISTA, FINALMENTE, TOMA CONHECIMENTO DA FARRA COM CARROS OFICIAIS DA CÂMARA

Da edição impressa da Folha da Manhã, de hoje, 01/12/2015 e aqui na Folha on Line:

Carro da Câmara usado para lazer

Alexandre Bastos
Foto: Folha da Manhã
O vereador Ozéias (PTC) foi flagrado no último sábado com o carro alugado pela Câmara em uma partida de futebol. A utilização do veículo no momento de lazer parou nas redes sociais e provocou uma reação do presidente da Câmara de Campos, Edson Batista (PTB), que defendeu a aprovação do Código de Ética. “Atualmente não temos como punir, já que o Código de Ética não foi aprovado por conta de emendas da oposição”, diz o presidente da Casa.
A postagem do internauta Robinho Magalhães, que mostra o carro da Câmara estacionado ao lado de um campo de futebol, gerou revolta no Facebook. “A placa está aí. Ministério Público, vamos pegar”, publicou Daniel Fiuza. Na visão do presidente, ainda não existe uma forma de punir o parlamentar. “O vereador solicitou o carro na última quarta-feira e deveria ter devolvido no dia seguinte, o que não ocorreu. Poderíamos punir o vereador se o nosso Código de Ética já tivesse sido aprovado. Porém, a bancada de oposição apresentou emendas para retirar todas as punições previstas. Como vamos ter um Código de Ética que não pode punir? Não tem cabimento. Precisamos de um instrumento legal para punir condutas como a do vereador Ozéias. O que não pode é virar a lei da selva”, diz Edson.
Em setembro foi publicado no Diário Oficial o extrato do contrato firmado entre a Câmara de Campos e a V.L. Viana Machado Serviços. O objeto do contrato, de R$ 124 mil, foi a locação de seis veículos sem fornecimento de motorista e combustível.
No dia 22 de agosto o jornalista Ricardo André Vasconcelos publicou uma foto no Facebook que mostrava um dos carros alugados pela Câmara estacionado num posto de combustíveis na avenida Brasil, próximo à entrada de Bangu. Na ocasião, o jornalista perguntou o que o carro, pago com o nosso dinheiro, estaria fazendo por lá. Mesmo com muitos compartilhamentos no Facebook, ninguém apareceu para desvendar o mistério.
01/12/2015 11:00

Do Blog:

Que bom que o presidente da Câmara tem agora instrumentos para punir a farra com carros oficiais alugados. Em agosto deste ano, o Blog flagrou (veja abaixo e aqui),  num posto de combustíveis próximo à Avenida Brasil, em Bangu, Rio de Janeiro, um carro oficial alugado pela Câmara. Era um sábado. Além deste Blog, a notícia foi publicada no Blog do Bastos (aqui) e no Ururau (aqui). Edson Batista e seus assessores não disseram uma palavra.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

CARRO ALUGADO PELA CÂMARA DE CAMPOS FLAGRADO NUM POSTO EM BANGU, NO RIO




Uma postagem na página do Facebook deste Blog, no sábado à tarde, mostrou um dos carros alugados pela Câmara Municipal de Campos - placa KPT 9713 RJ- estacionado num posto de combustíveis na Avenida Brasil, próximo à entrada de Bangu. Até agora há pouco, 08h52 de segunda-feira, a postagem tinha sido compartilhada por 93 seguidores.

E alguém precisa explicar que missão o carro oficial pago com dinheiro público cumpria um sábado a 300 KM da cidade.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

PT NEGA EM NOTA SOLIDARIEDADE A DELCÍDIO

Nota distribuída pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, no final da tarde de hoje.
Por: Agência PT, em 25 de novembro de 2015 às 17:53:39
O presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, divulgou nota, nesta quarta-feira (25), em que se diz “perplexo” com os fatos que ensejaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de ordenar a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS).
Na nota, o dirigente reforça que as “tratativas atribuídas ao senador” não têm qualquer relação com sua atividade partidária. Além disso, Rui Falcão anuncia que a presidência do PT convocará, em breve, uma reunião da Executiva Nacional para adotar as medidas cabíveis.
Leia a nota na íntegra:
“O presidente Nacional do PT, perplexo com os fatos que ensejaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de ordenar a prisão do Senador Delcídio do Amaral, tem a dizer o seguinte:
1- Nenhuma das tratativas atribuídas ao senador têm qualquer relação com sua atividade partidária, seja como parlamentar ou como simples filiado;
2- Por isso mesmo, o PT não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade;
3- A presidência do PT estará convocando, em curto espaço de tempo, reunião da Comissão Executiva Nacional para adotar medidas que a direção partidária julgar cabíveis.
Brasília, 25 de novembro de 2015
Rui Falcão
Presidente Nacional do PT”
Da Redação da Agência PT de Notícias

LÍDER DO GOVERNO DILMA É PRESO POR ORDEM DO STF

Do portal do STF (aqui):

Quarta-feira, 25 de novembro de 2015
2ª Turma referenda prisão do senador Delcídio do Amaral e de mais três investigados
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve na manhã desta quarta-feira (25), por unanimidade, a prisão preventiva do senador Delcídio do Amaral (PT/MS), ao julgar a Ação Cautelar (AC) 4039 ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF). Em sessão extraordinária, a Turma referendou a decisão tomada na noite de ontem pelo ministro Teori Zavascki de determinar a prisão do senador.
Na mesma sessão, os ministros referendaram decisão semelhante do ministro Zavascki na AC 4036, quanto à prisão preventiva decretada contra o advogado Edson Ribeiro e às prisões temporárias do banqueiro André Esteves, do Banco BTG Pactual, e do chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira. Todas as ordens de prisão foram decretadas pelo ministro Teori Zavascki para preservar as investigações realizadas no âmbito da operação Lava-Jato. 
Relator
Segundo o ministro Teori Zavascki, não haveria outra forma de se preservar a integridade das investigações que não fosse a decretação das prisões. Ele relatou à Turma que as razões para as prisões estavam fundamentadas no artigo 312 do Código de Processo Penal (CPP) – como prova de existência de crime (materialidade) e indício suficiente de autoria – conforme justificou o Ministério Público nas ações.
Os autos relatam o esquema que envolveria o senador Delcídio do Amaral, seu assessor parlamentar Diogo Ferreira, o advogado Edson Ribeiro e o banqueiro André Esteves, com o objetivo de tentar dissuadir o ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró de firmar acordo de colaboração premiada junto ao Ministério Público Federal nas investigações decorrentes da operação Lava-Jato.  
Tal esquema, segundo relata o MPF, envolveria desde o pagamento de ajuda financeira no valor de R$ 50 mil mensais à família de Cerveró e o pagamento de R$ 4 milhões em honorários ao advogado Edson Ribeiro por parte do banqueiro André Esteves, até a promessa de suposta influência junto ao Poder Judiciário para a concessão de  liberdade a Cerveró de forma a facilitar eventual fuga do ex-diretor da Petrobras para a Espanha, país do qual também tem cidadania. Ainda segundo os autos, as reuniões dos investigados para tratar da questão da colaboração premiada de Nestor Cerveró foram gravadas pelo filho do ex-diretor da Petrobras, e os vídeos, bem como conversas trocadas por e-mail e por aplicativo de celular, foram encaminhados ao MPF. 
O ministro destacou a excepcionalidade da prisão preventiva e, mais ainda, que em caso de prisão de parlamentar no exercício do mandato só é permitida em situação de flagrante por crime inafiançável, conforme prevê o artigo 53, parágrafo 2º da Constituição Federal.
Entretanto, o relator observou que no caso em questão caracteriza-se um estado de crime permanente, a partir de formação de associação criminosa com o objetivo de atrapalhar as investigações. Esse estado de permanência, segundo o relator, mantém a caracterização do flagrante para fins de prisão cautelar.
Votos
Primeira a votar depois do relator, a ministra Cármen Lúcia afirmou que a necessidade das prisões se impõe para resguardo do estado de direito e, assim, ela referendou a decisão que determinou a prisão do senador Delcídio do Amaral e as três outras prisões, preventiva e temporárias.
A ministra afirmou ainda que o “crime não vencerá a Justiça". "Um aviso aos navegantes dessas águas turvas de corrupção e iniquidades: criminosos não passarão a navalha da desfaçatez e da confusão entre imunidade e impunidade e corrupção. Em nenhuma passagem, a Constituição Federal permite a impunidade de quem quer que seja”, apontou.
Na sequência, o ministro Gilmar Mendes destacou que estão preenchidos os requisitos previstos no texto constitucional para a prisão em flagrante de parlamentar. “Estamos diante de um caso inquérito de crime inafiançável e também caracterizada a flagrância técnica, tendo em vista que se trata de crime permanente”, disse.
O decano do STF, ministro Celso de Mello observou que, no Estado Democrático de Direito, “absolutamente ninguém está acima das leis, nem mesmo os mais poderosos agentes políticos governamentais”. A seu ver, a ordem jurídica não pode permanecer indiferente a “condutas acintosas de membros do Congresso Nacional, como o próprio líder do governo no Senado ou de quaisquer outras autoridades da República que hajam incidindo em censuráveis desvios éticos e reprováveis transgressões alegadamente criminosas, no desempenho de sua elevada função de representação política do povo brasileiro”.
“Quem transgride tais mandamentos, não importando sua posição estamental, se patrícios ou plebeus, governantes ou governados, expõem-se à severidade das leis penais e por tais atos devem ser punidos exemplarmente na forma da lei. Imunidade parlamentar não constitui manto protetor de supostos comportamentos criminosos”, completou o ministro Celso de Mello.
Último a votar, o presidente da Turma, ministro Dias Toffoli, afirmou que “o que o juiz tem que fazer é decidir de acordo com o rule of law (estado de direito), que é o que essa Corte historicamente faz. Hoje se cumpre o rule of law quando o ministro relator traz para referendo do colegiado uma decisão de extrema gravidade, para verificar se a decisão está de acordo com parágrafo 2º do artigo 53 da Constituição Federal.
Precisamos incorporar esse padrão do rule of law à cultura brasileira, que não pode mais ser a cultura do "jeitinho", das tratativas ou das relações pessoais, afirmou Toffoli.
Comunicado
Na proclamação, o presidente do colegiado, ministro Dias Toffoli, informou que a decisão da Turma no referendo da ordem de prisão do senador Delcídio do Amaral, na Ação Cautelar 4039, deverá ser comunicada em 24 horas ao Senado Federal, para que a prisão seja decidida naquela Casa Legislativa pelo voto da maioria de seus membros, conforme destacado no artigo 53, parágrafo 2º da Constituição Federal. 
AR,RP,RR/CR
Texto atualizado às 14h30.



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

CÂMARA DE CAMPOS RECEBE REPASSE DE R$ 2,8 MILHÕES



A Câmara Municipal de Campos recebeu, na última quinta-feira, dia 19, seu repasse mensal referente ao duodécimo de novembro: R$ 2.852.488,57 e ainda deve receber outros R$ 300 mil para pagamento de seus inativos.
O orçamento da Câmara para 2015 é de R$ 33.546.000,00 (aqui),  mas em 2016 cai para R$ 29,8 milhões (reveja aqui).

domingo, 22 de novembro de 2015

DINHEIRO DA VENDA DO FUTURO CHEGA EM DEZEMBRO, MAS DEVE SER SÓ R$ 500 MIL


Depois de arrastar adiamentos desde "meados de setembro", "princípio de outubro", "comecinho de novembro", desta vez ficou para a "primeira semana de dezembro" a conclusão das negociações da Prefeitura de Campos com o mercado financeiro com vistas a um empréstimo lastreado com os royalties previstos para os próximos anos.
A tal "venda do futuro" parece mesmo em vias de conclusão, mas o montante a entrar nos combalidos cofres da municipalidade estaria longe da quantia de R$ 1,2 bilhão aguardada. O valor deve ficar em torno de R$ 500 mil (meio bilhão), que é a diferença, a menos, entre o que o município recebeu este ano em relação a 2014 em repasses de royalties e Participação Especial. O dinheiro dá para resolver os problemas de caixa deste ano: liquida dívidas com fornecedores, empreiteiros, e principalmente empresas de mão-de-obra. Mas, ao contrário do que sonhava o secretário Garotinho (que conduz as operações de crédito como um segredo de guerra), não vai sobrar nada para investir no ano eleitoral 2016.
Então, depois do empréstimo de R$ 300 milhões de 2014 (reveja aqui) e este que ainda anda no sai-não-sai, vamos aguardar o que vão inventar para fazer dinheiro no próximo ano. Porque, veja bem, se entrarem os tais R$ 500 mil da "venda do futuro" o governo vai ter tido, em 2015, praticamente o mesmo orçamento do ano anterior, em torno de R$ 2,1 bilhões.
O "abacaxi" ficaria, nesse caso, para 2016, quando o orçamento será, de novo, de R$ 1,7 bilhão (reveja aqui), justamente quando o governo precisaria de mais recursos para concluir obras, iniciar outras e, enfim, tomar todas aquelas providências a que estão habituados em anos de eleição.
Há mais o que vender?

GERALDO VENÂNCIO DIZ QUE PREFERIA O HOSPITAL SÃO JOSÉ PRONTO ANTES DO CEPOP

Com respostas francas, diretas e sem tergiversar, o novo (de novo) secretário de Saúde de Campos, Geraldo Venâncio mostrou,em entrevista na Folha da Manhã deste domingo (aqui), que é possível enfrentar os graves problemas da área com diálogo, gestão e sem as bravatas dos seus chefes.
Aliás, chama atenção na entrevista a quase total ausência de citação do nome da prefeita de direito e omissão absoluta ao de fato.
 Pela primeira vez neste governo, alguém teve a coragem de dizer que preferiria ver o Hospital São José pronto antes do Cepop, mas sem deixar de cutucar a oposição.

Folha – A demanda pelo HSJ, antes de construir o Cepop, ela já não existia?
Geraldo – Claro. Sou da Saúde, se você me perguntar se eu achava que deveria ter sido feito primeiro, eu digo que deveria. Mas, estou falando como médico. Você não vê ninguém dando opinião no plano pedagógico da Prefeitura, em parcela de relevância técnica de obras, mas na Saúde. Tem um vereador que é do Detran, que fala que a enfermaria, ao invés de ter sete leitos, deveria ter somente cinco, com uma autoridade. Uma coisa é fazer postulações, agora, dar opinião sobre questões técnicas?

Aliás, o próprio Venâncio foi dos mais ácidos críticos do Garotismo até poucos anos atrás. Mas teve e tem independência para mudar de lado. Como dia J.K. "mudo de ideia porque não tenho compromisso com o erro". Melhor ainda é saber que os erros também mudam.




Abaixo, na íntegra a entrevista:

“A crise não excluiu a Saúde”

Marcus Pinheiro
Foto: Genilson Pessanha
Com quase 40 anos no exercício da medicina e já com experiências anteriores na gestão da Saúde, o médico Geraldo Venâncio está de volta ao comando da pasta, substituindo o também médico e vice-prefeito de Campos, Chicão Oliveira. O secretário cita a construção de novas Unidades Básicas de Saúde entre uma das soluções para o atual cenário. Geraldo diz que não há “caos”, mas que existem algumas dificuldades a serem superadas. A raiz do problema, no entanto, não é apenas no município, já que o secretário relatou atraso inclusive de medicamentos e vacinas por parte de entes federal e estadual.
Folha da Manhã – O senhor há pouco mais de dois anos esteve à frente da secretaria de Saúde, e naquele momento, foi substituído pelo Dr. Chicão. O que mudou desde aquela época, e o que pode ser feito de forma diferente nesta passagem pela secretaria?
Geraldo – Na verdade, tenho que considerar inicialmente que, por mais que se possam fazer comparações e analogias, são períodos diferentes no ponto de vista de contexto. Hoje existe uma crise nacional e no estado e região, em função dos royalties do petróleo. No entanto, os programas novos, que foram incluídos na gestão da prefeita Rosinha (PR), foram mantidos. O que existiu nesse momento foi em função das dificuldades, para se tentar promover algumas adequações em função do próprio momento de crise. A questão da Saúde é que o município, de 2009 para cá, agregou muitas coisas novas caras. A começar pelo programa municipal de vacinação, que incluiu a Prevenar, a vacina contra o HPV, hepatite A. Com relação ao programa de distribuição das fórmulas, que chamam de leite, houve um crescimento muito grande. O governo municipal gasta com os leites especiais cerca R$ 1 milhão por mês.
Folha – Em relação aos leites especiais, não há nenhuma contrapartida do estado ou do governo federal?
Geraldo – É tudo por conta do município. O que estamos preparando agora, e nisso eu tenho experiência, é o cadastramento. Além da parte médica, haverá visitas domiciliares, nos mesmos moldes do cadastramento do programa Cheque Cidadão. Neste caso, de 21 mil pessoas, 10 mil foram cortadas. A partir de agora, tudo será checado. Existem crianças com intolerância a lactose e alergia alimentar em outros municípios? Existem. Mas elas são de responsabilidade da prefeitura onde residem. Então, suponho que esse cadastramento irá identificar isso também.
Folha – Com relação aos problemas que vêm ocorrendo nos hospitais, sendo os últimos: sistema de refrigeração comprometido, tomógrafo quebrado, serviço de limpeza paralisado possivelmente por falta de pagamento da Prefeitura, o que está havendo com a Saúde em Campos?
Geraldo – A crise que acomete o Brasil não excluiu a saúde. A conjuntura induziu o surgimento de problemas. Eu só não concordo com o “caos” na Saúde. Eu faço um desafio a todas as pessoas que moram em Campos e têm parente que mora em outra cidade do estado. Perguntem como está em Niterói, no Rio. Não fazer, como alguns segmentos da oposição tentam fazer: “bom, se o foco é a saúde, vamos ganhar a eleição batendo na saúde”. Não vejo uma proposta surgir. É só bater. Sou médico há 40 anos do SUS, e corredor não é lugar para ter doente. Mas, na emergência nível 3, é o corredor ou a rua. A pessoa que está no corredor já fez tomografia, está com punção venosa feita, já fez outros exames. Sem falar que, a qualquer momento que se entre no hospital, de 28% a 30% dos internados são de fora do município. Lógico que quando estiver pronta a nova emergência do HGG não vai ter mais paciente no corredor.
Folha – O que acaba acontecendo em muitos casos é que as pessoas buscam o atendimento nas UPHs e não conseguem a resolução de seus problemas nessas unidades. Então, elas são encaminhadas para os grandes hospitais. Não é isso o que acontece?
Geraldo – Sim. Casos de baixa e média complexidade que poderiam ficar nessas unidades. As UPHs ainda não conseguem resolver todas as ocorrências. Nem sempre colhem sangue para alguns exames, muitas vezes os colegas de plantão não têm adestramento, treinamento para fazer uma sutura simples. E nós não nos damos com a ciência perfeita, nos damos com médicos.
Folha – O município recebe uma complementação para atender pacientes de outros municípios?
Geraldo – Sim, recebe. Campos é o único município do estado que faz complementação. A tabela do SUS é assim: tem a alta complexidade, que você não tem dificuldade. Você não vê ninguém chegar aos meios de comunicação ou blogs dizendo que não conseguiu fazer uma cirurgia cardíaca, ou que não teria conseguido fazer tratamento de câncer em Campos. Porque na alta complexidade, a tabela do SUS é boa. Não é excepcional, mas é boa. Quanto aos procedimentos de média complexidade, há quase 17 anos a tabela do SUS não é revista. Aí entrou essa tabela de complementação que o município faz. E ainda há gente que diz que é um absurdo a complementação desses procedimentos. Seguramente Campos está complementando para pessoas que não moram aqui.
Folha – Mas, no HFM, por exemplo, que é referência no setor de urgência e emergência, ele não recebe verbas específicas para atender pacientes SUS de outros municípios?
Geraldo – Não. Os que recebem verba específica são chamados de hospitais de referência. O que recebe é a tabela do SUS. Mas, imagine, o HFM tem uma equipe com mais de 30 médicos de plantão em diferentes especialidades. A portaria que norteia o hospital de emergência nível 3 recomenda que presencialmente teriam que ter 14 médicos. O HFM tem um compromisso regional. Só que o que aconteceu foi que o compromisso se transformou em macro-regional. Fui eu quem pactuei, eu estava na secretaria quando ele foi assinado, e na ocasião eles até brincaram que ficou acertado assim: Campos iria cuidar dos santos e Macaé dos índios. Então, Macaé cuida de Quissamã, Carapebus e Conceição de Macabu, e Campos de São Fidélis, São Francisco e São João da Barra. O hospital de Macaé é um bom hospital, mas tem unidade de emergência, Unimed e maternidade no mesmo lugar, e eles acabam vindo para cá.
Folha – Voltando a falar sobre os corredores, tem um caso recente que a Folha publicou, com relação à paciente Leire Daiana, que morreu no corredor do HGG após apresentar problemas cardíacos e ter ficado sem monitoramento. Esse caso não deveria ter sido encaminhado a outra unidade? Deixar pacientes nos corredores é o espelho da Saúde de Campos?
Geraldo – Eu não tive acesso ao prontuário, mas talvez tivesse que ter ultimado a transferência de lugar, mesmo que dentro do próprio hospital. Porque um infarto, não sei se essa foi a causa da morte, em uma pessoa de 33 anos é muito mais trágico do que em uma com 60. Agora, se foi feito um eletro, concorrente de lesão miocárdica, compatível com um infarto, ela tinha que estar em um lugar com mais suporte. Este é um caso mais específico. O corredor não é lugar para abrigar pacientes que estão sendo avaliados com eventual internação. Mas, quando chega à porta da emergência, é o corredor ou não pode receber o paciente. Houve dificuldades com hospitais, em especial com a Santa Casa, tudo é um sistema, vai ver que isto acumulou alguma coisa. E não estou conformado com esta situação. Agora, só não vai ter mais corredor quando a gente acentuar essa parceria com os hospitais, que estamos tentando construir. Estou tentando de uma forma cordial convencer os hospitais de que a relação que o governo tem com eles não é de convênio, é de contratualização.
Folha – Mesmo se não estiver pagando?
Geraldo – Isso é outra coisa. Eu não falo por períodos nos quais eu não estava à frente. Existe uma coisa com relação a recurso federal que é a parte maior que os hospitais recebem. Tem uma norma federal que diz que o recurso deve ser repassado para quem prestou o serviço em até cinco dias úteis. Nós repassamos no segundo dia útil. Existem atrasos de repasses municipais? Eu não posso pagar nada sem auditar. Uma coisa é a dívida que o hospital apresenta, a outra é dívida auditada. Já tem dois hospitais em que a auditoria está conclusa, vou apresentar ao governo: olha, o que deve é isso. Vou sentar com os hospitais, estabelecer um acordo para compor como vai ser paga essa dívida. Reconheço, existem pendências nos recursos nessa complementação da média complexidade, que é a parte menor do repasse. Para um paciente internado, a parte maior são recursos de fonte federal.
Folha – Santa Casa, especificamente, que tem dado toda uma polêmica em virtude de impasses na Justiça, o que está previsto? É algo que já foi contornado ou ainda há alguma dificuldade?
Geraldo – Existe uma questão em debate público, que não envolve os médicos. O que se confundiu muito é que a Prefeitura teria assumido a Santa Casa, isso não houve em momento algum. O que aconteceu foi que a Santa Casa, sem nenhuma comunicação prévia, suspendeu as novas internações. Chegou num momento em que eu estava com 103 pacientes na emergência do Ferreira e 54 no HGG. Busquei a procuradoria do MP, em busca de uma solução. O que foi concedido foi, diante da ruptura com relevante interesse da população, garantir a internação. Nada além disso.
Folha – E esse cronograma de repasses federais até o segundo dia útil será mantido?
Geraldo – Esse é um compromisso meu com os hospitais. Por que antes estava havendo algum tipo de adequação? Eu não sei. Tem que perguntar ao colega que estava aqui. Não estou falando em nome do governo, estou falando em meu nome, nós não temos nada a ver com as questões trabalhistas da Santa Casa, com as pendências. Não temos nada a ver com os desmandos eventuais da gestão anterior que eles herdaram.
Folha – O município hoje tem ciência do valor da dívida com a Santa Casa?
Geraldo – Está se auditando. Da parte de internação de média complexidade já está concluída. Eu não gostaria de adiantar números, mas o Dr. Chicão reconheceu R$ 1,5 milhão. A Santa Casa em uma semana disse que eram R$ 7 milhões, na outra R$ 5 milhões e em seguida foi para R$ 9 milhões. O que vai ser feito, semana que vem espero eu, é um encontro de contas. Porque quem glosa a autorização de internação é o ministério da Saúde. Outra coisa que dificulta muito é que não tem orçamento que acompanhe a evolução da tecnologia. Há 15 anos, a pessoa operava e botava um parafuso, agora o ortopedista pode exigir uma prótese de titânio. Todo mundo acha que a Prefeitura tem que prover tudo, só que uma prótese de titânio custa de R$ 98 mil a R$ 100 mil, que você tem que se virar e comprar. A compatibilização disso é extremamente difícil. A saúde ficou muito cara. Há evolução tecnológica em equipamentos, órteses e próteses, medicamentos. A chamada farmácia básica, que o governo federal dava uma ajuda, contempla 139 itens. A relação municipal de medicamentos em Campos tem quase 250. Noventa por cento do custo dessa cesta de medicamentos são pagos com royalties, pelo município. O governo federal faz muita propaganda, mas está dificultando a entrega de “BCG”. Nascem 8 mil crianças por ano em Campos e todas têm que tomar a BCG.
Folha – Muito se cobra em relação à Prefeitura, mas, por outro lado, existem certas limitações, tanto por parte do governo do Estado, quanto por parte da União. O que isso de fato tem impactado na Saúde de Campos?
Geraldo – Na questão dos medicamentos, a legislação prevê que alguns são de responsabilidade do Estado, e têm medicamentos que são de responsabilidade do governo federal. Do Estado, tem itens atrasados há seis meses. Assumimos essa distribuição dos medicamentos do Estado para beneficiar a população. Agora, o governo federal, pelo amor de Deus, atrasar uma vacina?
Folha – Recentemente, na série “princípios para Campos”, vários médicos apontaram que uma das soluções seria preparar as UBS. O que será feito?
Geraldo – Existem algumas já sendo reformadas, mas houve desaceleração em algumas obras. Atualmente, a Prefeitura vem investindo na construção e na reforma de 22 unidades. O objetivo é melhorar o atendimento na rede municipal. Deste total, 11 estão sendo construídas em parceria com o governo federal. Alguns dos bairros contemplados são: Tapera, Parque Imperial, Jóquei II, Lagoa das Pedras, Aeroporto, Parque Rodoviário, Pecuária (2 unidades), Parques Salo Brand, Rio Branco, São Benedito e Esplanada. Uma coisa positiva é que no período do Dr, Chicão conseguiu-se configurar 26 polos do ESF e, o projeto é de que até o final de maio cheguemos a 50. Isto, provavelmente, na ordem de tempo, vai diminuir a superlotação de hospitais, pois está comprovado que o ESF é muito mais resolutivo perifericamente do que as UBSs convencionais.
Folha – A gente tem acompanhado a Prefeitura buscar a antecipação de recursos. Você acredita que isso seria o impulso para a retomada mais acelerada dessas obras?
Geraldo – Sem dúvidas! O governo está planejando, ao saírem esses recursos, não iniciar nenhuma obra nova, mas concluir as que estão em curso. Ainda tem o hemocentro regional. Esperamos que no início do próximo ano já consigamos iniciar a obra, que contará com R$ 10 milhões de recurso federal e R$ 900 mil de recurso municipal.
Folha – O juiz da 1ª Vara Cível de Campos, Elias Pedro Sader Neto, quando anulou o decreto da Prefeitura, citou alguns gastos como os direcionados à “bizarra” Cidade da Criança” e o “subutilizado Cepop” e disse que a prefeita reconheceu que a Saúde gerida por ela há sete anos está em estado de calamidade pública. O senhor concorda com a análise do juiz? Por quê?
Geraldo – Eu li a sentença, uma peça até robusta, animada. Eu não tenho esta análise da prefeita. No texto ele coloca na boca da prefeita estas palavras, não tem notícia disto. E também não nos cabe debater textos. Eu penso com todo respeito, e não estou falando em relação ao juiz, que para governar você tem que ganhar a eleição, não é verdade? Eu acho isso. Existe uma coisa que é o poder discricionário, pessoa que não lutou por um voto querer dizer onde é que vai gastar o dinheiro. Há pessoas que fazem oposição política que é tão valiosa que nos orienta, são propositivas. Agora, a pessoa que é contra porque é contra, vai ser contra tudo.
Folha – A demanda pelo HSJ, antes de construir o Cepop, ela já não existia?
Geraldo – Claro. Sou da Saúde, se você me perguntar se eu achava que deveria ter sido feito primeiro, eu digo que deveria. Mas, estou falando como médico. Você não vê ninguém dando opinião no plano pedagógico da Prefeitura, em parcela de relevância técnica de obras, mas na Saúde. Tem um vereador que é do Detran, que fala que a enfermaria, ao invés de ter sete leitos, deveria ter somente cinco, com uma autoridade. Uma coisa é fazer postulações, agora, dar opinião sobre questões técnicas?
Folha – Você não acha que uma UBS, que é uma porta de entrada, ter como administrador alguém que não tenha conhecimento do que é a máquina da Saúde, não pode acabar atrapalhando?
Geraldo – Já fiz uma postulação que essas UBSs sejam geridas por enfermeiros estatutários com função gratificada. Mas, é uma ideia. Há junções de natureza política que, eventualmente, não contemplam essa ideia. Mas é um modelo que está em processo de extinção.
Folha – Chicão é o pré-candidato natural do grupo político para disputar a Prefeitura. A saída dele visa evitar esse tipo de desgaste?
Geraldo – A Saúde é um lugar tão desgastante que o secretário deveria ter um mandato, tempo determinado. Com relação a Chicão, é uma das pessoas mais doces, sujeito afável, cara cordial. Na Saúde, tem que ter disposição para o enfrentamento. Fiz o Hospital de Guarus, abri o Álvaro Alvim, você vai construindo sua história e de repente você toma pancada de tudo quanto é lado. O secretário de Saúde tem dois monopólios: os processos judiciais e a pancada da mídia. Esses vêm para o secretário.
Folha – Ao falar nas dificuldades de repasses federais e estaduais, parece uma reação às pessoas que têm ligação nessas esferas, mas criticam o municipal. Existe a possibilidade de união?
Geraldo – Na terça-feira haverá uma audiência pública, esta é uma oportunidade. Sugeri ao presidente que falasse com os vereadores da oposição para um debate que seja propositivo. Se você faz um debate concentrado dentro do que é possível, a audiência tem um grande valor. Caso contrário, não faz sentido.
22/11/2015 11:00