Do G1 (
aqui):
A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira (11) mandados de busca e
apreensão na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Os mandados fazem
parte da operação Lava Jato, deflagrada em março, cujo alvo é um esquema
de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que, segundo a polícia,
movimentou cerca de R$ 10 bilhões.
Ao todo, nesta sexta, a PF executou 23 mandados de prisão e busca de
documentos em cidades dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Foram cumpridos dois mandados de prisão temporária, seis de condução
coercitiva (quando o suspeito é levado a depor), e 15 de busca e
apreensão de documentos na cidade de São Paulo e Campinas. No estado do
Rio, os mandados foram cumpridos na capital, em Macaé e em Niterói (RJ).
O
G1 entrou em contato com a Petrobras, mas até a
última atualizaçaõ desta reportagem não havia obtido retorno sobre a
ação da PF na empresa.
Foram executados mandados também na empresa Ecogloboal Ambiental, em Macaé, que tem contrato com a Petrobras.
A Operação Lava Jato foi deflagrada em 17 de março. Na ocasião, a PF
executou mandados em Curitiba e outras 16 cidades do Paraná, além de
cidades de outros seis estados.
O esquema, segundo a polícia, envolve personagens do mercado
clandestino de câmbio no Brasil. Um dos líderes da organização
criminosa, de acordo com a polícia, é o doleiro Alberto Youssef, preso
no dia em que foi deflagrada a operação.
Paulo Roberto Costa (GloboNews) (Foto:
Reprodução GloboNews)
No dia 20 de março, a operação Lava Jato prendeu também o ex-diretor de
Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. A polícia investiga as
ligações de Costa com o doleiro Youssef.
Segundo a PF, quando foi preso, no Rio, Costa estava tentando destruir
material que pode ser usado como provas nas investigações.
Carro de luxo
Nesta semana, o
Jornal Nacional revelou trecho de depoimento
de Costa à Polícia Federal. À PF, o ex-diretor disse que recebeu um
carro de luxo do doleiro Alberto Youssef em pagamento por um serviço de
consultoria prestado, segundo ele, depois de ter deixado a estatal.
Alberto Youssef (Foto: Reprodução/RPC TV)
Documentos em posse da Polícia Federal mostram também que Paulo Roberto
Costa pode ter recebido depósitos milionários do doleiro na conta de
uma de suas empresas, a Costa Global. Um desses documentos é uma
planilha de valores que, segundo a Polícia Federal, seria uma
contabilidade manual da empresa. São valores em reais, dólar e euro
recebidos entre novembro de 2012 e março de 2013.
André Vargas
As investigações apontam também para ligações de Youssef com o deputado federal André Vargas (PT-PR).
Segundo reportagem da revista "Veja", as investigações da polícia
revelam que Vargas atuou com Youssef para conseguir um contrato de uma
empresa de fachada com o Ministério da Saúde. O deputado, que responde a
processo de cassação no Conselho de Ética na Câmara, nega as
irregularidades.
Além disso, Vargas admitiu que, em janeiro, viajou e, jatinho
emprestado por Youssef. O deputado diz que não sabia das ações ilícitas
do doleiro e que o conhecia há mais de 20 anos, da cidade de Londrina.