segunda-feira, 15 de junho de 2009

Hein?


Será que os valores repassados às empresas de ônibus a título de compensação pela tarifa subsidiada serão publicados no Diário Oficial empresa por empresa?
É preciso saber quantas pessoas usufruiram do passagem a R$1,00, quando cada empresa de ônibus recebeu, quais as linhas mais lucrativas e como são aferidas certas linhas. Por exemplo: Linhas mais extensas em que os passageiros só viajam parte do trajeto, a empresa recebe o subsídio integral ou o equivalente ao trajeto efetivamente realizado:
Exemplo: Linha Campos-Farol e o passageiro só vai até Baixa Grande, ou Mineiros. Como é que a Prefeitura de Campos vai conferir. É bom lembrar que decreto recente asssinado pela prefeita prorroga o prazo para a instalação das catracas eletrônicas até novembro.
O artigo assinado pela prefeita, ontem no Diário (veja abaixo) e desmontado no Blog do Xacal (também abaixo) abrem o debate sobre uma nuvem de incertezas que pairam sobre esse projeto, que é de bom alcance social mas pode alimentar outras relações nem tão nobres assim. E, quando há dúvida, só que dirime é a transparência.


A Qualidade dos gastos

É comum, e até salutar, que a sociedade civil organizada questione um possível retraimento do papel do poder público na formação da demanda por bens e serviços, em nossa economia local. Apesar da recessão nacional e internacional, a despesa total de nossa prefeitura, que engloba desde o pagamento de salários, passando pela compra de remédio e outros bens e serviços, saiu de um valor de apenas 42 milhões de reais, em janeiro para 65 milhões em maio último. Isto representa, um incremento nominal de quase 50% no intervalo de apenas 4 meses. Neste mesmo período, os principais itens da arrecadação de impostos caíram – é o caso, por exemplo, dos royalties do petróleo e da arrecadação oriunda de tributos federais e estaduais.

Senão, vejamos, em janeiro, mês em que não há repasse da participação especial dos royalties, a receita total arrecadada foi de 66 milhões de reais. Por outro lado, em maio a arrecadação comparativa não atingiu 60 milhões de reais, isso quer dizer que, embora a receita fiscal mantenha-se estagnada, o poder público local expande seu gasto de modo responsável.

A partir de junho, novos elementos passam a contar no quadro de despesas. Em primeiro lugar, o cheque cidadão com o valor dobrado – 100 reais – representa uma injeção de poder de compra no segmento de renda, de até um salário mínimo, da ordem de 2,5 milhões de reais mensais.

Já no que diz respeito ao subsidio colocado em prática por meu governo para o setor de transportes, tal política, que atinge diretamente quase 190 mil usuários, a economia no bolso do cidadão comum é de mais de 15 milhões de reais, por ano. A austeridade fiscal posta em prática por meu governo, nos primeiros meses de gestão orçamentária, permitiu a geração de uma poupança real, que será devolvida à sociedade, sob a forma de benefícios concretos. Um exemplo é a necessidade premente de rejuvenescimento e recuperação dos equipamentos urbanos de nossa cidade. Outro exemplo é a restauração do pavimento da cidade, e para isso já está em prática uma operação “tapa-buracos”.

Pensando na geração de empregos, vai começar a construção de 5100 casas populares, investimento este com possibilidade de criar cerca de 4 mil vagas no segmento da construção civil. Consciente de que o poder público representa 25% da geração de renda na economia local, estou imprimindo um ritmo de gastos fiscais compatíveis com a formulação de políticas públicas eficientes, eficazes e efetivas para nossa sociedade.

Rosinha Garotinho.
Prefeita de Campos



Cara de pau...
O jornal para-oficial do governo ds mil patetas publica hoje, como em todos os domingos, um texto de prefeita-marionete...

É claro que todos sabem, que trata-se de um ghostwriter, ou seja, a prefeita-marionete assina um texto escrito sob encomenda...

Não há nada demais nisso, pois a maioria dos líderes não têm tempo para tal tarefa, e por outro lado, não podem abrir mão de ocupar certos espaços na mídia...

O problema é que a prefeita-marionete parece não ler o que anda assinando...

Vamos a autópsia das palavras "colocadas na boca" da prefeita-marionete...

"(...)

Já no que diz respeito ao subsidio colocado em prática por meu governo para o setor de transportes, tal política, que atinge diretamente quase 190 mil usuários, a economia no bolso do cidadão comum é de mais de 15 milhões de reais, por ano. A austeridade fiscal posta em prática por meu governo, nos primeiros meses de gestão orçamentária, permitiu a geração de uma poupança real, que será devolvida à sociedade, sob a forma de benefícios concretos. Um exemplo é a necessidade premente de rejuvenescimento e recuperação dos equipamentos urbanos de nossa cidade. Outro exemplo é a restauração do pavimento da cidade, e para isso já está em prática uma operação “tapa-buracos”.

Pensando na geração de empregos, vai começar a construção de 5100 casas populares, investimento este com possibilidade de criar cerca de 4 mil vagas no segmento da construção civil. Consciente de que o poder público representa 25% da geração de renda na economia local, estou imprimindo um ritmo de gastos fiscais compatíveis com a formulação de políticas públicas eficientes, eficazes e efetivas para nossa sociedade."

Vamos nos ater ao trecho que trata das passagens a um real, e no que diz respeito aos empregos gerados com a consntrução de casas populares...


Primeiro é bom que se diga que o ghostwriter da prefeita não sabe fazer contas, e ou tenta enganar a toda gente com números mirabolantes... Sem mencionar outros aspectos como faremos aqui...

Se dividirmos o montante anunciado pela prefeita-marionte em "seu" texto, pelo número de usuários anunciados 190.000, ou seja: 15.000.000 de reais/190.000, encontraríamos algo em torno de 78 reais...

Esse valor seria o destinado, em média, para cada usuário por ano, quer dizer, em cerca de 250 dias trabalhados, descontados os domingos, férias, e feriados...

Se dividirmos esses R$78,00 anuais por usuário pelo número de dias trabalhados(250), encontraremos a quantia de R$0,3175 centavos...

Valor 50% inferior a diferença entre a tarifa urbana cheia(R$1,60) e o subsídio governamental(R$1,00), que é, portanto, de 60 centavos...

Mesmo se desprezássemos as tarifas interdistritais, que são muito maiores que R$1,60, e adotassemos apenas as tarifas urbanas como parâmetro, não poderíamos aceitar que o programa destinará apenas um pouco mais de trinta centavos por usuário/dia para custear o programa...

Então, os números são mentirosos: quer na quantidade de usuários(190.000), quer no gasto total(15 milhões), ou quem sabe os dois...

De um lado temos, um valor subdimensionado para esconder uma transferência muito maior dos cofres públicos ao setor privado de transporte, sem que a sociedade civil disponha de qualquer tipo de controle e, ou acesso a informação dos gastos...

Por outro lado, estão os números inflados dos usuários, 190.000, como gostam as equipes de propaganda dos mil patetas...

Em uma cidade com 500.000 habitantes, onde há uma frota de 100 ou 120 mil veículos(no mínimo), e mesmo que um veículo particular leve apenas seu condutor, restarão pouco mais de 380.000 habitantes...desses, 100 mil são crianças em idade escolar, transportadas gratuitamente por Lei, e outras com acesso ao transporte escolar privado...restam 280 mil habitantes, e aí temos os velhos e crianças de colo, ou que não pagam a tarifa, algo em torno de 80 a 100 mil habitantes...

Restariam, então, os 190 mil usuários...

Não, não senhores...destes 190 mil, abateremos os ciclistas(algo em torno de 60 ou 70 mil pessoas), os trabalhadores que contam com transporte fornecido por sua própria empresa(vales-transportes, Petrobrás), pessoas que caminham até o próprio trabalho(por opção, ou por morar próximo ao local de trabalho) e enfim, as empregadas domésticas que residem no local de trabalho,e só utilizam o transporte público duas vezes por semana, para retornar a casa de suas famílias...

Enfim, o número não fecha...

Junte-se a tudo isso, como já mencionamos, a total falta de transparência na prestação de contas desses gastos...

Vamos agora aos empregos gerados pela construção de casa populares...Essa conta é mais fácil...

Com 5.100 unidades, a possibilidade de criação de 4000 empregos é quase uma piada...
Qualquer empreiteiro mequetrefe sabe que a razão de quase um(0,789 trabalhador/unidade construída)emprego por casa é surreal...

1-as casas não são construídas simultaneamente, logo, haverão lotes(em localidades diversas) construídos a cada vez, que contratarão e demitirão ao fim de cada etapa...
2-o cronograma físico-financeiro dos contratos se estenderá pelo tempo da administração, portanto, contabilizar um emprego novo, a cada recontratação após as dispensas promovidas pela execução de cada etapa anterior, é uma maquiagem estatística muito grosseira, mas bem ao gosto dos bugres da lapa...

Enfim, cada ponto que se olhe mais de perto, não resta nada que se possa confiar nesse governo os mil patetas...Até desaprenderam como mentir com eficiência...




2 comentários:

Anônimo disse...

Só uma dessas perguntas podem ser respondidas por enquanto: nas linhas mais extensas, onde as tarifas variam de acordo com o trecho, o repasse será feito de acordo com uma "média harmônica" das diferentes tarifas de cada linha. Os valores foram publicados no DO de 27/05. Por exemplo: na linha Rodoviária X Sta Maria, em que os valores subsidiados variam de R$ 0,60 (Rodoviária X KM 10) até R$ 10,75 (Rodoviária X Sta Maria), a média harmônica é de R$ 5,06 (a maior de todas). Ou seja, a prefeitura repassará R$ 5,06 por passageiro, independente do trecho percorrido.

Anônimo disse...

Só uma dessas perguntas podem ser respondidas por enquanto: nas linhas mais extensas, onde as tarifas variam de acordo com o trecho, o repasse será feito de acordo com uma "média harmônica" das diferentes tarifas de cada linha. Os valores foram publicados no DO de 27/05. Por exemplo: na linha Rodoviária X Sta Maria, em que os valores subsidiados variam de R$ 0,60 (Rodoviária X KM 10) até R$ 10,75 (Rodoviária X Sta Maria), a média harmônica é de R$ 5,06 (a maior de todas). Ou seja, a prefeitura repassará R$ 5,06 por passageiro, independente do trecho percorrido.